RELATO FORMAL PARA APURAÇÃO DE FATOS

Em réplica
Goiânia - GO
09/07/2026 às 11:53
ID: 253491669
RELATO FORMAL PARA APURAÇÃO DE FATOS
Venho, por meio deste documento, relatar fatos vivenciados durante minha internação no Hospital Santa Mônica, localizado em Itapecerica da Serra/SP, instituição para a qual fui encaminhada por indicação da equipe da Alice.
Ao chegar ao hospital, fui cordialmente recebida pela equipe da recepção. Contudo, com o decorrer da internação, a experiência vivenciada mostrou-se profundamente distinta da impressão inicial transmitida a mim e à minha família.
Logo no primeiro dia de internação, fui privada de necessidades básicas. Permaneci sem alimentação e fui impedida de tomar banho. Antes da internação, minha mãe questionou reiteradas vezes a equipe sobre a possibilidade de eu receber alimentação, inclusive se disponibilizando a providenciá-la caso necessário. Em todas as ocasiões foi assegurado que a instituição forneceria a refeição, o que não ocorreu.
Somente por volta das 3h40 da madrugada fui medicada, após permanecer por horas sem qualquer alimentação. Considero extremamente grave que um paciente em situação de vulnerabilidade seja privado de necessidades básicas como alimentação e higiene.
Outro aspecto que merece atenção é a proibição de entrada de produtos de higiene pessoal levados pelos familiares. Na prática, essa medida obriga os pacientes a adquirirem esses itens exclusivamente dentro da instituição por valores significativamente superiores aos praticados no mercado, gerando um custo adicional às famílias.
Ao longo da internação, observei uma rotina institucional que, sob minha percepção, priorizava o cumprimento de regras rígidas em detrimento do acolhimento terapêutico. Em diversos momentos, os pacientes pareciam ser tratados de maneira incompatível com os princípios da assistência em saúde mental, recebendo tratamento que transmitia uma sensação de punição, e não de cuidado.
Também considero preocupante o acompanhamento médico recebido. Somente após aproximadamente duas semanas consegui uma avaliação médica minimamente adequada. Entendo que esse intervalo é incompatível com a assistência esperada de uma instituição especializada em psiquiatria.
O médico responsável pelo meu acompanhamento foi o *****. Na minha experiência, o atendimento foi marcado pela ausência de acolhimento, escuta ativa e empatia, fatores essenciais para o tratamento de pacientes em sofrimento psíquico. Não me senti adequadamente compreendida nem assistida durante a condução do meu tratamento.
Da mesma forma, a condução administrativa da instituição, representada pela *****, proprietária do hospital, transmitiu-me a percepção de que questões financeiras eram frequentemente priorizadas em relação à qualidade da assistência prestada aos pacientes.
Essa percepção também decorre da alimentação fornecida durante a internação. Apesar de se tratar de um hospital particular, o cardápio era extremamente limitado. Era frequente que o café da manhã e o lanche da tarde consistissem apenas em pão com margarina. Considerando a relevância da nutrição adequada para a recuperação clínica e para o tratamento de transtornos psiquiátricos, entendo que esse aspecto deveria receber atenção muito maior por parte da instituição.
Outro fato relevante diz respeito à atuação do diretor de enfermagem, identificado, salvo engano, pelo sobrenome *****. Durante minha permanência no hospital, observei que determinadas regras pareciam não ser aplicadas de forma uniforme entre os pacientes, gerando a percepção de tratamento desigual e falta de imparcialidade na aplicação das normas internas.
Um episódio que considero extremamente grave envolveu uma paciente chamada *****, internada no quarto andar, setor destinado, segundo fui informada, a pacientes com maior estabilidade clínica. Essa paciente conseguiu ingressar na instituição portando um frasco de Clonazepam e outro contendo comprimidos de hemitartarato de Zolpidem, medicamentos que, conforme observei, haviam sido ocultados para evitar sua identificação durante a admissão.
Ao tomar conhecimento da situação, comuniquei imediatamente o fato à equipe do hospital, visando exclusivamente preservar a segurança da paciente e dos demais internados.
Após a comunicação, a paciente demonstrou ter conhecimento de que fui eu quem realizou a denúncia, situação que me fez permanecer durante dias sob receio de sofrer retaliações ou agressões físicas dentro da própria instituição.
Entendo que houve falha na preservação do sigilo da identidade de quem comunica fatos relacionados à segurança dos pacientes, circunstância especialmente grave em um ambiente psiquiátrico.
Outro aspecto preocupante refere-se ao fluxo interno para atualização das prescrições médicas. Observei que alterações realizadas pelo médico psiquiatra frequentemente demoravam cerca de 24 horas ou mais para serem efetivamente implementadas.
Segundo fui informada, essas prescrições dependiam da validação de um médico clínico, identificado como *****, antes de serem atualizadas no sistema da instituição.
Na prática, essa burocracia ocasionava atrasos na administração dos medicamentos e, consequentemente, comprometia a agilidade do tratamento. Em uma unidade psiquiátrica, onde o tempo de resposta terapêutica é essencial para a recuperação do paciente, tais atrasos podem prolongar desnecessariamente o período de internação.
Outro ponto que merece apuração refere-se à comunicação das internações involuntárias ao Ministério Público. Conforme previsto na Lei n 10.216/2001 e na Portaria GM n 2.391/2002, tais internações, bem como as respectivas altas, devem ser comunicadas ao Ministério Público Estadual.
Durante minha internação, não tive conhecimento de que essa comunicação tenha sido realizada em meu caso. Caso a obrigação legal não tenha sido cumprida, entendo que a situação merece rigorosa apuração pelos órgãos competentes.
Ao longo da internação, presenciei diversos pacientes em situação de extrema vulnerabilidade, alguns aparentemente sem acompanhamento familiar efetivo e, em certos casos, sem receber a atenção individualizada que seus quadros exigiam.
Os fatos descritos neste documento representam apenas parte da minha experiência. Há diversos outros episódios que poderão ser detalhados em eventual procedimento administrativo ou judicial.
Coloco-me integralmente à disposição das autoridades competentes para prestar esclarecimentos, apresentar informações complementares e depor formalmente sobre todos os fatos aqui narrados.
Ressalto, ainda, que outros pacientes que estiveram internados na mesma instituição relataram experiências semelhantes e manifestaram disposição para colaborar com eventual investigação, caso sejam formalmente convocados.
Diante da gravidade dos fatos expostos, solicito que esta denúncia seja recebida e devidamente apurada, com a adoção das medidas cabíveis para verificar eventuais irregularidades e assegurar a proteção dos atuais e futuros pacientes da instituição.
Denunciante: *****.
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Resposta da empresa
09/07/2026 às 13:56
Prezado (a),
O Reclame Aqui é um espaço destinado ao público, em geral, para expressão livre de opiniões e queixas, a respeito de determinada empresa, que podem proceder ou não, na tentativa de buscar soluções que entendem cabíveis.
Nesse sentido, cabe ressaltar que o Hospital Santa Mônica é instituição séria, que trata problemas de saúde mental, e que valoriza a transparência e a satisfação de seus clientes, e, na qualidade de Hospital, especialmente, psiquiátrico, mantém rigoroso respeito às determinações legais relativas ao sigilo médico envolvido na relação com o paciente, bem como à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que impedem a exposição de quaisquer fatos relacionados aos seus pacientes, motivos pelos quais, coloca seus meios oficiais de comunicação (SAC), à disposição dos consumidores (pacientes, familiares e outros), para tratativas e busca de soluções para as questões apresentadas, inclusive de natureza financeira, relacionadas a débitos em aberto, com o firme propósito de melhoria da qualidade de sua prestação de serviços.
Pelos motivos acima expostos, o Hospital Santa Mônica esclarece que não pode oferecer respostas às queixas publicamente apresentadas no Reclame Aqui, que não correspondem à realidade dos fatos, com relação a prestação de serviços do Hospital, ou empreender quaisquer tratativas de forma pública.
Desta forma, para garantir que todas as questões sejam tratadas de maneira adequada, ou seja, sob sigilo de informações, solicitamos aos nossos consumidores (pacientes, familiares e outros) que, em caso de dúvidas, sugestões e/ou queixas reais, entrem em contato diretamente com nossos canais oficiais, através dos quais, nossa equipe encontra-se à disposição para atendê-los, prestando as informações necessárias e cabíveis.
Reiteramos nosso compromisso com a qualidade do atendimento e melhoria contínua de nossos serviços, agradecendo pela compreensão, e permanecendo à disposição de nossos consumidores.
Atenciosamente,
Hospital Santa Mônica
Contato: (11) 4668-7455 | [email protected]
Réplica do consumidor
11/07/2026 às 10:11
Justamente em razão de a instituição ocultar os fatos efetivamente ocorridos em suas dependências, limitando-se a apresentar respostas genéricas, evasivas e desprovidas da devida transparência, optei por levar os acontecimentos ao conhecimento não apenas da plataforma Reclame Aqui, mas também dos órgãos competentes responsáveis pela fiscalização e controle de estabelecimentos hospitalares.
Tal medida decorre da necessidade de submeter os fatos à apreciação das autoridades competentes, diante da aparente tentativa da instituição de preservar sua imagem institucional, em detrimento da adequada apuração e do esclarecimento dos acontecimentos efetivamente vivenciados durante minha internação.
A impressão que me restou é a de que a instituição se distancia dos princípios que deveriam nortear a assistência em saúde mental, sobretudo no que se refere à dignidade da pessoa humana, à empatia e ao acolhimento daqueles que se encontram em situação de sofrimento psíquico. Ao longo da minha internação, percebi que a preservação da imagem institucional pareceu prevalecer sobre a efetiva humanização do atendimento e o cuidado integral dispensado aos pacientes.
Diante de todo o exposto, mantenho integralmente as críticas por mim formuladas, por entender que elas refletem fielmente os fatos por mim vivenciados. Da mesma forma, considero ser meu dever dar voz àqueles que, por sua condição de vulnerabilidade ou por qualquer outro motivo, não possuem condições de relatar suas próprias experiências ou de buscar a devida apuração dos fatos.