Fui colocado em situação de extrema vulnerabilidade horas antes da cirurgia

Não resolvido
Salvador - BA
30/06/2026 às 11:11
ID: 252681659
Venho relatar a sequência de falhas que enfrentei como paciente durante uma cirurgia reconstrutiva. Meu objetivo é registrar formalmente o ocorrido e alertar outras pessoas para que não passem pela mesma situação.
Tratava-se de um procedimento em que parte dos custos foi coberta pelo plano de saúde e outra parte foi particular.
1. Grupo CAS de Anestesia
O primeiro problema ocorreu ainda no pré-operatório. Inicialmente, o Grupo CAS elaborou um orçamento sem sequer verificar se eu possuía plano de saúde. Fui informado de que deveria pagar integralmente a anestesia, incluindo a consulta pré-anestésica.
Por motivos pessoais, precisei adiar a cirurgia. Cerca de dois meses depois, ao remarcar a consulta pré-anestésica para exatamente o mesmo procedimento, a atendente perguntou, pela primeira vez, se eu possuía plano de saúde. Informei meus dados e a consulta foi reagendada.
No dia da avaliação com o anestesiologista, fui informado de que tanto a consulta quanto a anestesia seriam cobertas pelo plano. Durante essa consulta descrevi detalhadamente todo o procedimento cirúrgico, que foi confirmado sem qualquer ressalva.
Três semanas depois, porém, na véspera da cirurgia marcada para as 5h30 do dia 19/06 recebi, por volta das 12h do dia 18/06, uma mensagem pelo WhatsApp exigindo o pagamento de R$ 3.000,00.
A justificativa era de que parte da anestesia não seria coberta pelo plano e que o pagamento deveria ter sido realizado com até 48 horas de antecedência.
Essa informação contradizia completamente o orçamento inicial fornecido pelo próprio Grupo CAS, no qual constava, em destaque, que o pagamento da anestesia deveria ocorrer no dia da consulta pré-anestésica.
Naquele momento eu já tinha toda a equipe cirúrgica agendada, exames realizados, programação organizada e estava a poucas horas da internação. Fui colocado contra a parede. Se não efetuasse o pagamento imediatamente, corria o risco de perder toda a cirurgia.
Sem qualquer alternativa e sem condições financeiras para arcar com esse valor naquele momento, fui obrigado a pagar os R$ 3.000,00 no cartão de crédito para não perder o procedimento.
Jamais um paciente deveria ser submetido a esse tipo de pressão às vésperas de uma cirurgia.
2. Internação e cirurgia
Infelizmente, os problemas continuaram.
2.1 Admissão hospitalar
Durante a internação, solicitaram que meu acompanhante assinasse um termo assumindo responsabilidade financeira por eventuais procedimentos adicionais não previstos.
Além de ser uma situação extremamente constrangedora, isso foi apresentado momentos antes da cirurgia, quando paciente e acompanhante já estão emocionalmente fragilizados e praticamente sem possibilidade de questionar ou buscar esclarecimentos.
2.2 Informações desencontradas
Ao apresentar o quarto, um funcionário informou que meu acompanhante não teria direito a qualquer alimentação.
No dia seguinte, entretanto, o café da manhã do acompanhante foi entregue normalmente. Como ele havia sido informado de que não teria esse direito, precisou sair cedo para tomar café no restaurante do hospital, gerando um gasto completamente desnecessário.
2.3 Banho pré-operatório
O banheiro apresentava chuveiro com funcionamento inadequado, gotejamento constante e controle de temperatura extremamente ruim.
Além disso, não recebi orientação sobre a tricotomia pré-operatória, o que dificultou a sutura em cirurgia.
2.4 Centro cirúrgico
Ao chegar ao centro cirúrgico, minha própria médica demonstrou insatisfação com a estrutura disponibilizada.
Tenho quase dois metros de altura e fui colocado em uma sala extremamente pequena para um procedimento de aproximadamente quatro horas, que exigia mudanças de decúbito durante a cirurgia.
Enquanto isso, ao lado havia uma sala muito maior sendo utilizada para um procedimento bucomaxilofacial.
A própria cirurgiã precisou cobrar providências da equipe de enfermagem.
2.5 Equipe de enfermagem
Durante a cirurgia, minha médica precisou solicitar diversas vezes a presença da equipe de enfermagem, pois havia apenas uma técnica de enfermagem na sala.
2.6 Pós-operatório e fisioterapia
No pós-operatório, a equipe de fisioterapia demonstrava não saber como deveria ser meu posicionamento no leito, apesar de minha médica já ter descido pessoalmente para orientar.
Foi informado que eu receberia fisioterapia na manhã seguinte, o que não aconteceu.
Somente por volta das 11 horas, próximo da alta hospitalar e após minha reclamação, a fisioterapia foi realizada.
2.7 Assistência de enfermagem
Quando chegou minha refeição da noite, meu acompanhante não sabia como montar corretamente a mesa para que eu pudesse me alimentar respeitando o posicionamento obrigatório do pós-operatório.
Ao pedir auxílio, a enfermeira respondeu de forma seca que aquilo era responsabilidade dele.
Esse tipo de postura é incompatível com o acolhimento esperado em um hospital particular.
2.8 Problemas com o acesso venoso
No dia 20/06, meu acesso venoso encontrava-se obstruído.
Solicitei que fosse avaliado, mas a enfermeira afirmou que voltaria ao normal espontaneamente e não realizou nenhuma intervenção.
Após nova solicitação, uma técnica de enfermagem realizou a desobstrução, porém perfurou o equipo de infusão.
Como consequência, parte da solução intravenosa passou a vazar para o chão e o equipo permaneceu danificado, estabelecendo uma comunicação inadequada entre o meio externo e o acesso venoso periférico.
Informei imediatamente o problema, mas nenhuma providência foi tomada.
Conclusão
Minha experiência foi marcada por sucessivas falhas administrativas, falhas de comunicação e falhas assistenciais, desde o pré-operatório até o momento da alta.
É inadmissível que um hospital particular permita que um paciente seja submetido a tantos problemas em um momento de extrema vulnerabilidade.
Toda a situação está documentada.
Além desta manifestação, encaminharei o relato ao meu plano de saúde para apuração de eventual prejuízo financeiro decorrente da cobrança realizada pelo Grupo CAS, bem como adotarei as medidas administrativas e judiciais cabíveis para buscar a reparação dos danos materiais e morais sofridos.
Infelizmente, não recomendo o Hospital Santo Amaro. Como médico, a situação foi assustadora. Nunca passei por situação parecida em nenhuma outra assistência privada.
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Consideração final do consumidor
10/07/2026 às 10:10
Sequer obtive um contato do hospital. Situação esperada por tudo que discorri acima. Descaso da mesma proporção que senti quando internado. Não recomendo.
O problema foi resolvido?

Não resolvido
Voltaria a fazer negócio
Não
Nota do atendimento
0
Consideração final da empresa
04/08/2026 às 09:39
O Hospital Santo Amaro agradece sua manifestação e informa que os fatos relatados foram devidamente encaminhados às áreas responsáveis para análise e apuração.
Após os esclarecimentos prestados pelos setores envolvidos, não foram identificados elementos que confirmassem a ocorrência de condutas inadequadas ou incompatíveis com os protocolos institucionais na assistência prestada.
As questões relacionadas à assistência, estrutura, alimentação e demais aspectos apontados foram avaliadas pelas respectivas áreas, tendo sido reforçadas, quando pertinente, orientações às equipes quanto à importância da comunicação clara, do acolhimento e da adequada orientação aos pacientes e acompanhantes.
Reiteramos que a instituição mantém compromisso permanente com a segurança do paciente, qualidade assistencial, ética, transparência e melhoria contínua dos serviços, utilizando as manifestações recebidas como oportunidade de aperfeiçoamento dos processos internos.
Agradecemos pelo registro e permanecemos à disposição para eventuais esclarecimentos.