Múltiplas falhas no atendimento hospitalar, desde o pronto-socorro até o pós-operatório, resultando em atrasos, diagnósticos incorretos e descaso com o paciente.

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São Paulo - SP
22/07/2026 às 13:24
ID: 254561969
O Hospital São Luiz Morumbi foi, sem dúvida, a pior experiência hospitalar que já tive. O que deveria ter sido um atendimento de emergência e, posteriormente, uma internação para cirurgia, se transformou em uma sequência de falhas, descaso e falta de comunicação desde o primeiro atendimento até o pós-operatório. No dia 28/06, procurei o pronto-socorro com fortes dores abdominais e diversos episódios de vômitos. Cheguei por volta das 18h e fui atendida inicialmente por uma médica que solicitou exames de sangue, urina e tomografia, além de iniciar medicação. Faço questão de registrar que essa primeira médica foi uma exceção positiva em toda a minha experiência no hospital. Realizei os exames e fui encaminhada para a tomografia. A espera pelo resultado levou cerca de duas horas. Durante esse período, voltei a vomitar e precisei retornar à sala da médica, que me colocou novamente em medicação. Quando o resultado ficou pronto, solicitei expressamente que fosse atendida novamente pela mesma médica que havia iniciado minha investigação. Apesar disso, fui direcionada para outra profissional, chamada Denise. Essa médica afirmou que meus exames estavam normais e que provavelmente se tratava de gastrite. Disse que eu deveria procurar uma gastroenterologista e chegou a afirmar que os medicamentos poderiam não ter funcionado porque eu estava utilizando o celular. O que considero ainda mais grave é que, posteriormente, ao consultar meus exames diretamente pelo aplicativo da Rede D'Or, verifiquei que os resultados apresentavam alterações. Ou seja, ao contrário do que me foi informado, meus exames não estavam "todos normais". Já passava de 1h da manhã e eu continuava com dores. A Denise me orientou a aguardar na sala de medicação para que os medicamentos fizessem efeito e simplesmente desapareceu. Meu namorado precisou procurá-la e não conseguiu encontrá-la. Foi necessário abordar outra médica, que consultou meu histórico e emitiu um atestado de três dias. Por sorte, consegui um encaixe com uma gastroenterologista no dia 02/07. Ao me avaliar, ela ficou extremamente nervosa e afirmou que meu caso deveria ter sido investigado e resolvido no próprio pronto-socorro. Segundo ela, meus sintomas não eram compatíveis com gastrite e havia suspeita de problema na vesícula, sendo necessário realizar um ultrassom. No mesmo dia, retornei ao pronto-socorro. Relatei ao médico que iniciou meu atendimento o que a gastro havia informado. Felizmente, ele era cirurgião gastro, concordou com a possibilidade de problema na vesícula, realizou exame físico e solicitou o ultrassom. Eu ainda estava com muita dor e vomitando. Após a medicação, fiz o ultrassom. No retorno, fui atendida por outra médica que identificou barro biliar no laudo e não sabia como proceder. Ela precisou sair da sala para ligar para o cirurgião. No final, foi o médico que havia iniciado meu atendimento quem decidiu pela minha internação. Ou seja: precisei retornar ao pronto-socorro porque o primeiro atendimento não identificou o problema. O diagnóstico inicial foi de gastrite e, posteriormente, fui internada para retirada da vesícula. Após a decisão pela internação, o convênio autorizou o procedimento em menos de uma hora. Fui informada de que iria para a sala de observação e permaneci por horas na sala de medicação, aguardando, sem estar efetivamente sendo medicada. A justificativa era de que a observação estava lotada. Depois, fui informada de que havia um leito disponível e fui levada até ele. Enquanto aguardava para subir ao quarto, fui informada de que, na realidade, não havia leito disponível. Meu convênio havia autorizado a internação e minha cobertura era para quarto. Em nenhum momento fui informada sobre a indisponibilidade de leito antes de concordar com a internação. Também não houve tentativa de encaminhamento para outra unidade que atendesse ao meu convênio e pudesse realizar o procedimento. Fui simplesmente deixada aguardando e passei a noite na observação. Minha última refeição havia sido às 21h30, no restaurante que tem no hospital. Sem que eu fosse informada, fui colocada em jejum a partir da meia-noite do dia 03/07. Ninguém me avisou e ninguém me ofereceu alimentação antes disso. Às 8h, o cirurgião informou que havia três pessoas para operar e que minha cirurgia provavelmente ocorreria apenas no final da tarde. Foi quando descobri que já estava em jejum. Somente após meu namorado abrir três protocolos, fui transferida para o quarto, quase ao meio-dia. Como consequência, permaneci aproximadamente 21 horas sem me alimentar e tive, pela primeira vez na vida, hipoglicemia, com glicemia em 59 mg/dL. É aceitável que uma paciente internada para cirurgia permaneça tantas horas em jejum, sem alimentação ou orientação adequada, chegando a apresentar hipoglicemia? Durante a internação, também tivemos problemas com a alimentação do meu acompanhante. Sou pessoa com deficiência e, diante da minha condição, meu acompanhante tinha direito à alimentação. O gerente administrativo, identificado como Vitor, recusou o fornecimento da refeição e ainda tratou a situação com deboche. Foi aberto outro protocolo e, mesmo permanecendo três dias internada, meu acompanhante ficou os três dias sem alimentação. Além disso, informei diversas vezes que não como frango e, ainda assim, recebi refeições contendo frango. Também tive problemas com minha condição respiratória. Enquanto estava na observação, tive uma crise de asma, passei cerca de uma hora tossindo e passando mal e, apesar de solicitar repetidamente medicação, ninguém levou o medicamento. Fiz uso de Alenia uma vez na observação e, posteriormente, precisei insistir para que a medicação fosse administrada no quarto, pois ela não havia sido encaminhada e foi necessário realizar uma nova solicitação. Após a cirurgia, o médico me informou que minha vesícula não estava inflamada. Posteriormente, porém, o resultado da biópsia apontou processo inflamatório crônico. No dia 04/07, durante a internação, reclamei de dor e não fui medicada no momento em que solicitei ajuda. Fui informada de que havia medicação programada para a noite e só recebi o medicamento por volta das 4h da manhã, apesar de estar com dor. Também não recebi orientações adequadas sobre os cuidados após a cirurgia, alimentação, retorno às atividades físicas ou outras restrições. Meu retorno havia sido marcado para três semanas depois. Como meu atestado era de duas semanas e sou CLT, precisei remarcar. O retorno ocorreu 10 dias após a cirurgia, em outro consultório, distante do hospital onde fui operada. Questionei o médico sobre minha alimentação, pois estava passando mal praticamente após qualquer refeição. A orientação foi de que eu poderia comer de tudo, incluindo pizza de calabresa sem queijo, pizza de atum sem queijo e lanche com pouca maionese. Segui a orientação e, após comer uma esfiha de calabresa, passei mal. Até hoje, 19 dias após a cirurgia, continuo apresentando sintomas e dificuldade para me alimentar normalmente. Todos esses problemas foram registrados em protocolos de reclamação junto ao próprio hospital. Porém, apesar da gravidade dos relatos, nada foi efetivamente solucionado. Os protocolos foram encerrados após contatos que serviram apenas para comunicar o encerramento, sem solução concreta ou respostas satisfatórias. Entrei no hospital com um problema de saúde que precisava ser investigado e tratado e saí com a sensação de que precisei lutar por cada atendimento, cada informação e cada cuidado básico. Espero uma resposta séria e individualizada para cada ponto relatado com soluções concretas, e não o simples encerramento dos protocolos. Agora. Como muitos me orientam, está na hora de processar.