Hospital São Rafael: paciente internada em ala em obras, falhas na comunicação e falta de humanização

Em réplica
Salvador - BA
30/07/2026 às 07:32
ID: 255191235
Escrevo esta reclamação como mãe de uma paciente que esteve internada duas vezes consecutivas no Hospital São Rafael. Minha filha recebeu alta de uma primeira internação e, poucos dias depois, precisou ser internada novamente, permanecendo hospitalizada até hoje.
Ela é portadora de uma doença autoimune em investigação, apresentando importante processo inflamatório, sendo acompanhada por especialistas e por neurologista devido a crises recorrentes de enxaqueca. Na alta, inclusive, foi indicado acompanhamento em ambulatório especializado. Justamente por se tratar de uma paciente em condição clínica delicada, esperávamos encontrar um ambiente que favorecesse sua recuperação. Infelizmente, vivenciamos o oposto.
Minha filha foi internada na Ala C, que está em obras. Desde o primeiro dia, conviveu com um nível de barulho absolutamente incompatível com um ambiente hospitalar. Como arquiteta, ela conhece as possibilidades técnicas de mitigação de ruídos em obras e sabe que existem alternativas, como isolamento acústico, reorganização dos serviços ou remanejamento de pacientes. A impressão que tivemos foi de que a prioridade era concluir a reforma, e não preservar o bem-estar de quem estava internado.
Na segunda-feira, solicitei à equipe de enfermagem a mudança de quarto devido ao barulho constante. A enfermeira informou que verificaria essa possibilidade, mas nunca recebemos qualquer retorno. Permanecemos aguardando uma resposta que simplesmente não veio.
Ao longo da internação, minha filha apresentou fortes crises de enxaqueca, agravadas pela exposição contínua ao ruído. No dia da alta, ela estava chorando, com dor intensa e completamente exausta. Mesmo diante desse quadro, quando solicitei uma intervenção para minimizar o impacto da obra, fui informada de que ela não poderia ser interrompida porque precisava ser concluída. Considero inadmissível que pacientes sejam submetidos a esse tipo de situação dentro de um hospital.
Outro episódio extremamente traumático foi a realização de um mielograma.
Fomos informadas de que o exame seria realizado no próprio quarto por ser um procedimento considerado tolerável. Em nenhum momento fomos esclarecidas de que havia a possibilidade de realizá-lo sob sedação, em ambiente apropriado.
Minha filha aceitou o procedimento acreditando que aquela era a única alternativa disponível.
Ela estava muito inflamada, fragilizada e emocionalmente esgotada. O exame foi extremamente doloroso. Mesmo sofrendo intensamente, insistiu para que fosse concluído porque queria finalizar a investigação diagnóstica e voltar para casa. Ainda assim, não foi possível realizar a biópsia da medula devido ao nível de dor apresentado. Somente após todo esse sofrimento fomos informadas de que, se o exame precisasse ser repetido, poderia ser realizado sob sedação.
Essa informação deveria ter sido fornecida antes. O paciente e sua família têm direito a conhecer todas as alternativas disponíveis para que possam tomar uma decisão verdadeiramente esclarecida.
Também nos chamou atenção a forma como a assistência médica foi conduzida. Os médicos realizavam apenas uma visita diária, sem retorno ao longo do dia, mesmo quando surgiam intercorrências importantes. Os exames laboratoriais necessários para definição das condutas eram realizados tardiamente, prolongando a ansiedade dos pacientes e das famílias.
No dia previsto para a alta, uma médica residente presenciou minha filha em intenso sofrimento, informou que falaria com o médico responsável e que solicitaria prioridade para os exames laboratoriais. Nada disso aconteceu.
Somente depois de muita insistência da nossa família e da intervenção de outra médica da instituição é que a equipe médica retornou ao quarto e providenciou a realização urgente dos exames necessários para que a alta pudesse ocorrer.
A sensação que tivemos durante toda a internação foi de que nossas solicitações só passaram a ser consideradas depois de insistência excessiva, quando esse jamais deveria ser o caminho para que um paciente recebesse a assistência adequada.
Faço questão de reconhecer que encontramos profissionais extremamente competentes e dedicados durante a internação. No entanto, as falhas estruturais, de comunicação e de gestão da assistência comprometeram profundamente a experiência vivida por minha filha e por toda a nossa família.
Minha intenção ao registrar esta reclamação não é atacar profissionais, mas cobrar do Hospital São Rafael uma posição institucional sobre fatos que considero graves.
Gostaria de receber esclarecimentos objetivos sobre:
* Por que pacientes continuam sendo internados em uma ala em obras, submetidos a ruídos incompatíveis com um ambiente de recuperação?
* Por que meu pedido de mudança de quarto nunca recebeu qualquer resposta?
* Por que não fomos previamente informadas sobre a possibilidade de realização do mielograma e da biópsia de medula sob sedação?
* Quais medidas serão adotadas para melhorar a comunicação entre médicos, enfermagem, pacientes e familiares?
* O que será feito para que outros pacientes não passem pelo sofrimento físico e emocional que minha filha enfrentou?
Espero sinceramente que o Hospital São Rafael trate esta manifestação com a seriedade que ela merece, oferecendo não apenas uma resposta protocolar, mas esclarecimentos concretos e, principalmente, medidas efetivas para que situações como essa não se repitam.
Ressalto que o espaço de envio de mensagens escrita da ouvidoria no site , encontra-se indisponível.
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Resposta da empresa
03/08/2026 às 15:16
Prezada Sra. Valeria, boa tarde!
Esclarecemos que foram realizadas tentativas de contato com os telefones informados na reclamação, porém sem sucesso. Diante disso, colocamos à sua disposição a Central de Atendimento da Ouvidoria Corporativa através do telefone 3003-4330 de segunda a sexta das 8h às 18h para que sejam prestados os esclarecimentos necessários.
Cordialmente,
Ouvidoria Rede DOr.
Réplica do consumidor
05/08/2026 às 21:50
Gostaria de receber por escrito a devolutiva do hospital. E não encerrar uma situação tão grave afirmando que não atendi ao telefone. O hospital tem os meus dados no sistema, Fico no aguardo de um e-mail.