Reclamação por transfobia, violação do direito ao nome social e quebra de confiança médica no Hospital Rota dos Bandeirantes

Em réplica
Barueri - SP
30/05/2026 às 02:07
ID: 250094591
ISSO ACONTECEU NO ROTA DOS BANDEIRANTES DE BARUERI
À OUVIDORIA E À DIRETORIA CLÍNICA DO HOSPITAL ROTA DOS BANDEIRANTES
ASSUNTO: RECLAMAÇÃO FORMAL POR TRANSFOBIA INSTITUCIONAL, VIOLAÇÃO DO DIREITO AO NOME SOCIAL (LEI ESTADUAL N 10.948/2001) E VIOLAÇÃO DO DEVER DE INFORMAÇÃO MÉDICA
PACIENTE: *****
DATA DOS FATOS: Maio de *****
MÉDICO ENVOLVIDO NO PÓS-OPERATÓRIO: ***** (CRM *****)
Prezados Senhores,
Por meio deste instrumento, manifesto minha profunda indignação e formalizo uma reclamação detalhada acerca de uma série de graves irregularidades, desrespeitos e falhas de conduta profissional ocorridos antes, durante e após o meu procedimento cirúrgico para a remoção de um plicoma anal nesta instituição.
1. DA VIOLAÇÃO DO DIREITO AO NOME SOCIAL E CONSTRANGIMENTO PÚBLICO
Compareci ao Hospital Rota dos Bandeirantes por mais de quatro vezes para a realização de consultas, avaliações e exames. Desde o início, forneci e reiterei o meu Nome Social (*****), que por lei deve constar em destaque em qualquer prontuário ou ficha de atendimento.
No dia da cirurgia, os problemas começaram logo na recepção da entrada principal do hospital, onde minha mãe foi maltratada pelas funcionárias sob a alegação de que não encontravam o meu cadastro, o que gerou um enorme desgaste e a necessidade de uma reclamação enérgica por parte dela.
Posteriormente, ao ser direcionada para o andar do exame de imagem, a recepção específica do setor de Raio-X cometeu outra grave irregularidade: ignorou completamente a minha identidade de gênero e repassou os dados desatualizados, fazendo com que o técnico responsável gritasse publicamente o meu nome morto no corredor, expondo-me a um constrangimento desnecessário e violento diante de terceiros. Embora o técnico tenha se desculpado após meu questionamento, o erro crasso partiu do fluxo interno das recepções do hospital, que deliberadamente mantiveram o nome civil sem a devida atualização ou destaque do nome social entre os setores.
Ressalto que o desrespeito ao nome social configura discriminação e viola a legislação vigente (Lei Estadual de São Paulo n 10.948/2001), além de ferir os princípios de humanização da saúde.
2. DO ACOLHIMENTO CIRÚRGICO E PRESERVAÇÃO DA INTIMIDADE
Antes de entrar em sala cirúrgica, em conversa com a equipe de enfermagem, expressei minha vulnerabilidade e o receio em relação à exposição do meu corpo (órgão genital) durante o ato operatório em que estaria sedada. Com extrema empatia, a enfermeira garantiu que eu seria operada por uma médica mulher, justamente para que eu me sentisse segura e confortável. Essa médica cirurgiã compareceu ao meu leito antes do procedimento, apresentou-se e confirmou pessoalmente que seria ela a responsável por executar a cirurgia. Diante desse alinhamento, fui para a mesa de operação tranquila e confiante na palavra da instituição.
3. DA CONDUTA DO DR. VICTOR OSCAR (CRM *****) E DA QUEBRA DE CONFIANÇA
No dia *****, retornei ao hospital para a reavaliação cirúrgica de pós-operatório e para receber a alta definitiva. Fui atendida pelo ***** (CRM *****).
Para a minha surpresa e imediata confusão mental, o referido médico demonstrou total desatenção e desleixo no atendimento. Ele sequer solicitou examinar o local da cirurgia para avaliar os pontos, o estado da cicatrização ou a presença de possíveis complicações. Além disso, ao falar sobre o procedimento, afirmou categoricamente: "Ah, então acho que fui eu que te operei, eu estava lá".
Essa afirmação contradiz frontalmente o acordo de humanização feito comigo antes de eu ser sedada, gerando enorme angústia, dúvida e quebra de confiança. Se o Dr. Victor Oscar mentiu por pura preguiça e automatismo de atendimento ambulatorial, trata-se de uma conduta médica negligente e desrespeitosa. Se ele de fato operou ou participou do procedimento manipulando o meu corpo sem o meu consentimento prévio, houve uma quebra gravíssima do protocolo de acolhimento que foi montado especificamente para o meu caso.
DIANTE DO EXPOSTO, EXIJO DO HOSPITAL:
Abertura de sindicância interna para apurar e advertir tanto a equipe da recepção da entrada principal quanto a equipe da recepção do setor de Raio-X pelo descumprimento do uso do Nome Social e pelo tratamento hostil dedicado à minha família.
Esclarecimento formal e por escrito de toda a Equipe Cirúrgica: Exijo que o hospital apresente o Mapa Cirúrgico e a folha de sala da minha cirurgia, discriminando exatamente o nome e o CRM de quem realizou o procedimento cirúrgico principal, quem atuou como auxiliar e se o ***** de fato esteve na sala ou se apenas proferiu uma informação [Editado pelo Reclame Aqui] e negligente durante a consulta pós-operatória.
Cópia integral do meu Prontuário Médico referente a este internamento e cirurgia, direito este que me é assegurado pelo Código de Ética Médica e pelo CFM.
Aguardo um posicionamento formal desta Ouvidoria no prazo legal, sob pena de adoção das medidas judiciais cabíveis junto ao Conselho Regional de Medicina (CREMESP) e esferas cíveis por danos morais e discriminação.
No aguardo,
*****
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Resposta da empresa
01/06/2026 às 08:36
Prezada Sra. Yasmin,
Agradecemos por compartilhar sua manifestação. Informamos que seu relato está sendo avaliado pela equipe do Reclame Aqui, em conjunto com o Hospital Sírio-Libanês.
Tão logo a análise seja concluída, retornaremos com um posicionamento.
Atenciosamente,
Hospital Sírio-Libanês
Réplica da empresa
03/06/2026 às 17:19
Prezada Sra. Yasmin,
Agradecemos por compartilhar sua opinião, que é extremamente valiosa para a melhoria contínua de nossos processos e serviços.
Informamos que sua manifestação foi recebida com a máxima atenção e direcionada imediatamente à Gestão Clínica e à Ouvidoria do Hospital Rota dos Bandeirantes, que iniciaram uma apuração interna rigorosa sobre os fatos relatados.
A Ouvidoria da instituição entrará em contato diretamente com você para apresentar os devidos esclarecimentos administrativos, o posicionamento sobre a conduta da equipe médica e o fornecimento da documentação solicitada.
Atenciosamente,
Hospital Sírio-Libanês