Reclamação referente ao atendimento do Sr. Dr. Ricardo

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Santo André - SP

15/09/2015 às 00:18

ID: 14608763

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Dr. Ricardo,



Não sei ao certo se é esse exatamente o seu nome, caso não seja, qualquer funcionário que estiver lendo esse email e souber quem é o Dr. que atende silvestres e apenas no horário noturno a partir das 18hrs pode direcionar o mesmo para tal.

É com muito desprazer que te envio esse email.

Para começar, gostaria de deixar claro que sempre fui uma pessoa que tenta apurar os fatos primeiro, verificar se eu tenho algum conhecimento técnico e/ou empírico no assunto só para depois poder fazer qualquer tipo de crítica ou comentário, em suma, dar uma opinião a cerca de um assunto. Porém, dada a situação em que me encontro, vou me permitir uma única vez a quebrar meu próprio paradigma só para destrinchar o pior sentimento que eu acho que eu poderia alimentar: o ódio, o mesmo que sinto agora.

Eu certamente não te conheço, não conheço como é o seu caráter, não sei quais foram os motivos que te fizeram dedicar sua vida e seus estudos ao tratamento de animais, não sei como você se porta socialmente com pessoas pares, inferiores e superiores a você, eu realmente não sei nada sobre você e pouco importa para mim te conhecer a fundo, pois a única forma que eu vou me lembrar de você é como um profissional que foi péssimo em um atendimento e que certamente por causa disso acarretará grandes consequências na vida da minha mãe. Quero ressaltar que respeito o estudo e a dedicação que você teve para seu ofício e que realmente eu não sei absolutamente nada para criticar sua forma de trabalho, mas quero dizer novamente que esse email não é para te mostrar lucidez e lógica, mas sim para dizer coisas que talvez não façam sentido, contudo são intrínsecas aos humanos por serem movidos por sentimentos e paixões.

Antes que você desista de ler o resto do email por conta dessa introdução, vou ao ponto para que você se recorde da sua infeliz atuação.

Eu tinha uma calopsita de apenas 5 meses que vivia solta, sempre andando pela casa e quando podia bicava os sapatos e mordia os cadarços de todos. Ela era muito especial, apesar de um pouco arisca, confesso que eu não era muito achegado, mas a minha mãe era e isso é o que importa para essa conversa. Nesse último domingo, 13 de Setembro de *******, minha mãe lavava a louça enquanto a Maggy (assim chamávamos a calopsita) andava pela casa. Minha mãe foi se mover para pegar alguma coisa e não viu a Maggy passando e foi nesse momento que ela sofreu um pisão. Logo percebemos que ela não estava bem: correu para um canto, ficou extremamente ofegante, trêmula e balançava pra frente e pra trás incessantemente. Só depois de uns minutos minha mãe acalmou-se do choque e teve forças pra gritar meu nome de forma com que eu fosse ver o que aconteceu. Enquanto minha mãe estava em prantos eu fui ver a Maggy e ela realmente não parecia nada bem. Procurei várias clínicas veterinárias sem sucesso até ter a infelicidade de encontrar o estabelecimento em que o senhor trabalha. Minha mãe ligou para minha irmã e o namorado da minha irmã e assim foram os três para a Clínica Piu Piu esperar até que o senhor chegasse para seu plantão das 18hrs. Minha mãe me reportou que o senhor fez alguns exames, mas só me disse detalhadamente que fez um raio-x e que neste não havia nenhum suposto indício de fratura nos ossos. O senhor passou um remédio, uma cobrança de R$*******,00 e encheu de esperanças uma mulher desesperada. Escrevendo essa última frase agora até me soa como se fosse algo rotineiro para o senhor e por isso eu sinto mais ódio. Passou-se um pouco mais que 24 horas e a minha mãe encontra seu mascote morto dentro da gaiola. Veja, eu realmente não gosto de fazer suposições sem evidência e muito menos falar de algo que não tenho conhecimento, mas no devaneio do que sinto eu não posso me conter de pensar que o senhor ou foi um [Editado pelo Reclame Aqui] pois sabia que o pássaro morreria ou foi um péssimo profissional que não se deu ao trabalho de realizar o ofício (no qual se dedicou por tantos anos) eficientemente. Ela não se movia bem, ela não conseguia brincar no puleiro dela e principalmente aparentava estar passando por dor.

Caro senhor que se auto intitula doutor sem muito possivelmente ter um doutorado (e não me venha com esse clichê de palavras homônimas, não estou aberto ao debate), eu realmente não te conheço e quero dizer de novo que não conheço sua formação e mesmo se conhecesse minha mente não pararia de levantar questões sobre sua índole. Caso o senhor não ter ido ao máximo da extensão do seu saber e poder dos equipamentos disponíveis em clínica para diagnosticar esse caso o senhor seria negligente com o estado de saúde do animal e mesquinho e insensível com o dono do animal por não levar em consideração a afeição que o mesmo tem/tinha pelo seu mascote. Caso o senhor sabia que isso viria acontecer e mesmo assim resolveu consolar a dona do pássaro ao lhe dar esperanças, o senhor foi cruel, insensível e eticamente injustificável frente a qualquer instituição e classe representativa que se preze. De qualquer forma, é impossível para mim no momento sequer tentar procurar qualquer evidência que me prove o contrário desse argumento e em meio ao luto não sei nem se quero realizar essa tarefa no momento.

Gostaria de deixar claro que a minha principal crítica não é a forma com que o senhor realizou o diagnóstico, mas sim a forma que o senhor passou o diagnóstico para a dona. Eu não preciso realizar um discurso ou te dar uma aula de ética para te dizer em quantos níveis é errado dar esperanças para um paciente, pois estou certo que por pior que possa ter sido a graduação que o senhor realizou eu tenho certeza que pelo menos uma aula do gênero o senhor já teve. Mas o que eu realmente preciso fazer um discurso é quanto a humanidade e empatia que o senhor aparentemente é e foi incapaz de demonstrar. O senhor realmente deveria levar em consideração os sentimentos que um dono tem pelo seu animal de estimação e muito além disso, devido a sua profissão, o senhor devia ENTENDER porque as pessoas muitas vezes projetam de forma exacerbada seus sentimentos mais profundos em um animalzinho de estimação. Você devia procurar enxergar mais de perto esse processo de antropomorfismo que as pessoas fazem com seus animais. Muitas vezes os animais são como uma válvula de escape para as pessoas... Não é atoa que existem tratamentos terápicos a base do relacionamento de uma pessoa e um animal, não é atoa que existem instituições seríssimas que realizam e promovem esse gênero de terapia.

Gostaria de te contar uma história de uma mulher que sofreu muitas dificuldades na vida. Ela passou fome na infância, teve problemas com auto estima desde a adolescência devido a doenças como vitiligo e alopécia, passou por vários problemas em relacionamentos interpessoais devido a isso chegando ao ponto de ainda piorar depois de uma traição sofrida no casamento que teve. Essa mesma mulher foi diagnosticada com câncer de mama no mesmo ano que sua mãe [Editado pelo Reclame Aqui]. Ela teve que passar por muitos tratamentos praticamente sozinha porque seus filhos nem sempre estavam em casa para lhe dar total apoio. Essa mulher também tem muitos arrependimentos na vida, é ansiosa e se sente culpada de quase tudo e por conta disso essa mulher tem tendências depressivas. A minha mãe é a mulher mais guerreira que eu conheço, apesar disso ela é essa mulher que mencionei nas últimas linhas. Ela está começando a se abrir só agora para a psicologia e para enxergar a vida além de apenas a religião, contudo ela acaba de sofrer um [Editado pelo Reclame Aqui] extremamente baixo que teve participação sua.

Todas essas tragédias que aconteceram na vida dela é culpa sua, senhor?! Com certeza não. O senhor teve alguma influência na vida dela por todos esses anos doutor?! Claro que não.

Eu nunca culpo alguém por problemas que podem acontecer a todos, mas nesse momento, senhor, eu culpo você pelo choro da minha mãe.

Eu não sei precisamente o que irá acontecer nos próximos dias, eu não sei até quando a culpa que ela sente aumentada devido as esperanças que o senhor deu afetará nesse processo de cura da depressão. Eu não gosto nem de imaginar o que o simples fato de uma calopsita morrer pode influenciar negativamente a vida da minha mãe. Mas pode ter certeza que daqui pra frente tudo de ruim que acontecer com ela devido a esse ocorrido eu vou lembrar do senhor, sem se quer ter visto o seu rosto, eu tenho certeza que eu vou lembrar do senhor.

Meu problema não é com o dinheiro perdido, meu problema não é com a [Editado pelo Reclame Aqui] da calopsita pois todos estão fadados a [Editado pelo Reclame Aqui], mas meu problema é com a atitude aparentemente inconsequente e desumana que o senhor mostrou para essa situação.

Apesar de possivelmente lembrar de você, eu não quero que você se dê ao luxo de perder seu tempo igual a mim. E caso mesmo assim você se lembre, tente focalizar o ocorrido em casos futuros que o senhor atenderá e dessa forma tente escolher melhor suas palavras, tente ser o mais claro possível com a situação real do companheiro mais amado de um dono e principalmente, por favor, não ponha em jogo os sentimentos, a saúde mental e o estado de espírito de uma pessoa que você não conhece a história e os problemas que ela enfrenta.

Sinto muito em escrever esse email, é realmente com muito pesar que o faço, mas eu precisava tirar isso de mim apesar de saber que as últimas partes podem soar um pouco hipócritas tendo em vista a minha total falta de conhecimento da sua vida e história.



Atenciosamente,





Samuel Alencar de Sena

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