Reclamação formal contra Instituto Mineiro de Obesidade por negligência médica e falha na prestação do serviço de implante de balão intragástrico.

Não respondida
Belo Horizonte - MG
10/03/2026 às 17:52
ID: 242891197
Eu, *****, venho registrar RECLAMAÇÃO FORMAL em face do INSTITUTO MINEIRO DE OBESIDADE, CNPJ n *****, situado no bairro Lourdes, em Belo Horizonte/MG, em razão de grave falha na prestação do serviço, negligência médica, ausência de exames pré-operatórios, consulta superficial realizada exclusivamente de forma online, pressão para fechamento do procedimento, insistência indevida na manutenção do balão intragástrico e prejuízos financeiros e à minha saúde.
Após pesquisar métodos de emagrecimento e consultar outros profissionais, entrei em contato com a clínica. A consulta inicial ocorreu em 06/11/2025 com o Dr. *****, exclusivamente online, com duração de apenas 15 minutos, ao custo de R$ 69,90. Não houve exame físico, análise adequada do histórico de saúde ou solicitação de exames pré-operatórios.
Durante a consulta foram prestadas apenas informações genéricas, sendo afirmado que o procedimento era simples e seguro, sem necessidade de preparo prévio ou exames. Confiando na orientação médica, efetuei o pagamento de R$ 6.500,00 para realizar o implante do balão intragástrico.
Desde o início, a clínica demonstrou pressa e insistência para fechamento do procedimento, com contatos frequentes para pagamento e agendamento, sem tempo razoável para reflexão ou busca de segunda opinião.
O implante ocorreu em 27/11/2025. Foi informado que haveria direito a ajuste do balão em até 15 dias, porém o retorno foi agendado apenas para 16/12. Após o procedimento, não fui avaliada por médico para liberação da alta, permanecendo apenas sob observação da equipe de enfermagem até o fim da sedação.
Logo após a colocação, passei a apresentar vômitos intensos, grande dificuldade para alimentação e mal-estar severo. Busquei atendimento para hidratação, mas mesmo diante do quadro fui orientada a retornar ao trabalho em apenas três dias. Também recebi atestado médico por intermédio de secretária, sem avaliação direta do médico.
Diante do agravamento do quadro, consegui antecipar consulta para 12/12. A avaliação foi superficial, sem aferição de pressão, e o médico insinuou que eu não estaria seguindo a dieta. Afirmou que o balão estava bem posicionado e solicitou exames laboratoriais.
Realizei os exames em 14/12 e participei de consultas online com nutricionista e psicóloga da clínica em 16/12. Ambas foram informadas sobre meu estado, sendo inclusive observado pela nutricionista que eu aparentava estar bastante abatida. Ainda assim, os sintomas foram tratados como normais.
Mesmo com alterações nos exames e persistência dos sintomas, não recebi explicações adequadas nem acompanhamento clínico efetivo. Formalizei reclamação junto à gerência, que ofereceu apenas duas consultas adicionais com nutricionista. Diante da perda de confiança na equipe, recusei e optei pela retirada do balão em 19/12, procedimento pelo qual ainda fui cobrada.
Busquei então acompanhamento com médica endocrinologista particular. No dia da retirada do balão, já preparada para o procedimento, com acesso venoso e em situação de vulnerabilidade, o médico afirmou: Você está fazendo uma besteira, tá?. A abordagem foi intimidatória e gerou extrema insegurança quanto à realização correta do procedimento.
Assim como ocorreu na colocação, também não houve avaliação médica após a retirada, sendo liberada apenas pela equipe de enfermagem.
Mesmo após a retirada continuei passando mal e precisei recorrer diversas vezes a pronto-socorros. Destaco que, mesmo diante da gravidade do meu quadro, o médico insistiu reiteradamente para que o balão não fosse retirado, minimizando meus sintomas.
Posteriormente, em 01/01, foi diagnosticada colelitíase (pedra na vesícula), condição não identificada previamente por ausência de exames. Em razão disso, fui submetida à cirurgia para retirada da vesícula em 14/01. Também precisei tratar anemia com aplicações de ferro prescritas pela endocrinologista.
Hoje estou bem e sem sintomas, o que demonstra que o procedimento agravou meu quadro clínico. Outros profissionais informaram que exames simples, como hemograma, poderiam ter identificado previamente alterações que impediriam a realização do procedimento, evidenciando falha grave na avaliação pré-operatória.
Durante todo o processo não recebi acompanhamento médico adequado, sendo tratada como mera consumidora, e não como paciente.
Além do sofrimento físico e emocional, tive prejuízos financeiros diretos:
Consulta inicial online: R$ 69,90
Implante do balão: R$ 6.500,00
Retirada do balão: R$ 900,00
Transporte (Uber): R$ 234,68
Medicamentos: R$ 386,58
Enfermeira domiciliar: R$ 115,00
Total: R$ 8.206,16.
Diante das graves falhas na prestação do serviço, negligência na avaliação pré-operatória, ausência de exames, atendimento superficial e falta de acompanhamento médico adequado, requeiro a restituição integral dos valores pagos.
Caso não haja solução e reparação voluntária dos prejuízos, serão adotadas todas as medidas judiciais cabíveis, incluindo ação indenizatória por danos materiais e morais, além de denúncia aos órgãos competentes de fiscalização da atividade médica.
A presente reclamação constitui tentativa de solução administrativa, sem renúncia a quaisquer direitos.