Lacuna Ética na Prática Clínica do Sedes Sapientiae

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São Paulo - SP

16/07/2025 às 13:21

ID: 222237403

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A Lacuna Ética: Entre a Carta de Princípios e a Prática Clínica


1-Compromisso declarado × Realidade traumática: O Sedes afirma em sua Carta de Princípios: "comprometer-se com os direitos da pessoa humana" e "validar a singularidade do sujeito". Porém, minha experiência com analistas que invalidaram meu trauma craniano ("briga de irmão") e sugeriram reconciliação forçada com a mãe agressora configura uma violação do conceito winnicottiano de *"holding"* (sustentação emocional).
Winnicott enfatizava que o analista deve ser um "ambiente suficientemente bom" para o desamparo do paciente, não um replicador de violência .

2- Neutralidade analítica Cumplicidade com a violência: O primeiro analista, ao justificar pedofilia e violência contra mulheres sob a máscara de "freudiano", distorceu o princípio freudiano da abstinência. Freud jamais normalizou perversões; pelo contrário, as via como expressões patológicas da pulsão (ex.: *"Três Ensaios sobre a Sexualidade"). Isso expõe uma formação que falha em ensinar a diferença entre escuta não-julgadora e conivência ética .

3- Mercantilização da Formação: Quando o Diploma Vira Commodity
- Massificação × Excelência clínica: O Sedes oferece 38 cursos de especialização e mais de 40 cursos de "expansão" (cursos rápidos) . A lógica de mercado, porém, colide com a formação psicanalítica genuína, que exige análise pessoal, supervisão rigorosa e tempo para elaboração simbólica. Como alertou Sérgio Telles (ex-professor do Sedes): "Passamos de uma formação excessivamente rígida para um laisser faire pernicioso" .

4-Psicanálise fast-food: Cursos de 3 meses ("Expansão") são oferecidos ao público geral , banalizando uma prática que demanda anos de estudo. Lacan criticava essa "psicanálise de garagem", lembrando que o ato analítico exige "saber fazer com o não-saber" algo incompatível com formações relâmpago.

5-Crise Institucional: Dogmatismo e Falta de Autocrítica
Hierarquias não questionadas: O Sedes nasceu como resistência à ditadura , mas hoje reproduz estruturas de poder opacas. A entrevista com Sérgio Telles revela rupturas históricas (como a cisão entre os cursos de Regina Chnaiderman e Roberto Azevedo) , mas não há mecanismos transparentes para denúncias éticas. O resultado? Profissionais como os que encontrei que agem impunemente.

6-Autocrítica como fachada: A Carta de Princípios prega "praticar sistemática autocrítica" , mas não há registros públicos de processos contra analistas que ferem a ética. Contrasta com coletivos como Psicanalistas pela Democracia, que denunciam "a hiperconcentração de privilégios que agride a clínica psicanalítica".

7- Consequências Clínicas: Quando a Falha Técnica Gera Devastação - Retraumatização: Minha experiência não é isolada. Analistas do Sedes que invalidam traumas físicos (como sua fratura craniana) ou pressionam por reconciliações familiares forçadas violam o preceito freudiano de que "o que é recalcado retorna"*. Ao silenciar a dor, eles transformam a análise em cena de repetição do trauma.

8-Risco de suicídio: Devo alertar, pacientes com "feridas profundas" podem ser levados ao limite. Winnicott lembra que o falso self (máscara para agradar o outro) pode colapsar sob pressão, especialmente quando o analista repete a dinâmica do agressor ("volte a falar com sua mãe").

9-. Caminhos para Reforma: Um Sedes à Altura de seus Ideais que já se perdeu a tempos - Auditorias clínicas independentes: O Sedes abriga o Centro Nacional de Referência às Vítimas de Violência (CNRVV). Por que não usá-lo para fiscalizar seus próprios analistas? Supervisões gravadas (com consentimento) e comitês éticos com sobreviventes de trauma poderiam evitar novas falhas.

10- Formação baseada em evidências do trauma: Integrar pesquisas como as de Bessel van der Kolk ("O Corpo Guarda as Marcas") e técnicas validadas (EMDR, neurofeedback) ao currículo, rompendo com o dogmatismo teórico.

11-Transparência radical ( o q não existe mais): Publicar taxas de cursos, processos disciplinares e avaliações de alunos, seguindo o modelo da Revista Boletim do Departamento de Psicanálise, que tem política antiplágio e revisão por pares cega.

12-O Sedes tem potencial para renascer ( se isso for possível) como espaço ético se:
1) Desmercadorizar a formação, privilegiando qualidade sobre quantidade;
2) Criar tribunais éticos com psicanalistas como Helena Besserman (que denunciou Amílcar Lobo) ;
3) Resgatar seu legado de resistência, tornando-se *"lugar de fala pública" contra violências, como fez no Ato "Psicanalistas pela Democracia".

13- Meu grito é um sintoma do mal-estar na instituição que está formando profissionais de saúde que TOLERAM violência contra mulher ou pedofilia, que são [Editado pelo Reclame Aqui] e simples sintomas. Como diria Freud: "A voz do intelecto é baixa, mas não descansa até ser ouvida". Se precisar de referências para coletivos psicanalíticos sérios um exemplo é Fórum do Campo Lacaniano.

Minha coragem, meu grito ao expor essas feridas pode salvar vidas.

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Resposta da empresa

11/08/2025 às 11:30

Bom dia.
O Instituto Sedes Sapientiae, há anos, se dedica à formação em saúde mental e educação.
As questões levantadas não estão no escopo de nosso trabalho.
Estamos à disposição.
Diretoria.