Vício oculto no câmbio CVT do Honda HR-V 2016 com 130.000 km após revisões na concessionária.

Respondida
Ribeirão Preto - SP
10/03/2026 às 11:14
ID: 242442147
Sou proprietário de um Honda HR-V 2016, placa *****, veículo adquirido em 07 de julho de 2023, com aproximadamente 110.000 km, sempre confiando na reconhecida reputação de qualidade, confiabilidade e durabilidade associada aos veículos produzidos pela Honda.
Desde a aquisição do automóvel, mantive postura extremamente diligente quanto à manutenção preventiva, realizando todas as revisões de quilometragem na concessionária autorizada Honda Koi Ribeirão Preto, justamente para preservar o perfeito funcionamento do veículo e seguir rigorosamente as recomendações técnicas da montadora.
Ressalte-se que em nenhuma dessas revisões foi constatada qualquer tipo de anormalidade mecânica, circunstância que evidencia que o veículo sempre se manteve em perfeitas condições de uso e dentro dos parâmetros de manutenção recomendados pela própria Honda.
No mês de setembro de 2025, quando o veículo atingiu aproximadamente 130.000 km, realizei nova revisão preventiva na referida concessionária autorizada, ocasião em que nenhuma irregularidade relevante foi apontada, especialmente em relação ao sistema de transmissão do veículo.
Inclusive, em comunicação realizada à época, colaboradora da própria concessionária informou expressamente que não havia indícios de avarias na correia do câmbio nem trincas aparentes, circunstância que demonstra que houve verificação do sistema de transmissão sem qualquer apontamento de falha ou desgaste relevante naquele momento.
Posteriormente, em 27 de fevereiro de 2026, levei novamente o veículo à concessionária Honda Koi Ribeirão Preto para realizar manutenção preventiva recomendada pela própria montadora, consistente na troca periódica do óleo do câmbio CVT após 2 anos, procedimento realizado justamente por cautela e observância às orientações técnicas da fabricante.
Para minha absoluta surpresa, durante esse procedimento de manutenção preventiva foi constatada a presença de limalha metálica no sistema de transmissão, sendo então informado pela concessionária que o câmbio CVT estaria comprometido, ocasião em que foi apresentado orçamento aproximado de R$ 37.000,00 para substituição completa do conjunto do câmbio.
Cumpre destacar que até a realização dessa manutenção preventiva o veículo não apresentava absolutamente nenhum sintoma de falha, ruído anormal, perda de potência ou qualquer outro indício de problema na transmissão.
Ou seja, o defeito somente foi identificado durante procedimento de manutenção preventiva realizado exatamente conforme as recomendações da própria Honda, o que evidencia tratar-se de problema não perceptível ao consumidor.
É importante destacar que transmissões automáticas do tipo CVT (Continuously Variable Transmission), especialmente em veículos de fabricantes japoneses reconhecidos pela confiabilidade mecânica, são projetadas para apresentar vida útil significativamente superior à quilometragem atual do veículo, sendo amplamente esperado que componentes estruturais dessa natureza operem por centenas de milhares de quilômetros quando submetidos à manutenção adequada.
Nesse contexto, a ocorrência de falha estrutural no conjunto de transmissão em quilometragem significativamente inferior à expectativa normal de durabilidade, sobretudo em veículo que sempre recebeu manutenção preventiva adequada e dentro das recomendações da montadora, revela situação incompatível com o padrão de qualidade legitimamente esperado pelo consumidor.
Diante desse cenário, resta evidente que o problema relatado não se trata de desgaste natural decorrente do uso, mas sim de um vício oculto, nos termos do art. 26, 3 do Código de Defesa do Consumidor, uma vez que:
o defeito não era perceptível ao consumidor;
o veículo sempre recebeu manutenção preventiva adequada;
as revisões foram realizadas em concessionária autorizada da própria Honda;
o defeito somente foi identificado durante manutenção preventiva realizada conforme orientação da montadora.
Não se mostra razoável que um veículo produzido por uma montadora do porte e tradição da Honda apresente falha estrutural em componente essencial como o câmbio CVT, cujo reparo ultrapassa R$ 37.000,00, especialmente considerando que o veículo foi mantido de forma cuidadosa e dentro dos parâmetros de manutenção recomendados.
A expectativa legítima do consumidor ao adquirir um veículo de uma marca como a Honda é que componentes estruturais essenciais, como o sistema de transmissão, apresentem vida útil compatível com a natureza durável do produto, sobretudo quando submetidos à manutenção preventiva adequada.
Importante ressaltar ainda que utilizo o veículo diariamente para deslocamentos profissionais e familiares, sendo que tenho um filho pequeno de 1 ano e 10 meses, circunstância que torna a situação ainda mais delicada, pois o automóvel é essencial para a rotina da família.
Diante de todo o exposto, solicito formalmente que a Honda assuma integralmente o custo da substituição do câmbio CVT do veículo, considerando a caracterização de vício oculto em componente essencial do automóvel, nos termos da legislação consumerista aplicável.
Por fim, aguardo manifestação da Honda no prazo máximo de 3 (três) dias, contados do recebimento da presente notificação, para apresentação de solução ao caso.
Caso não haja resposta ou solução adequada dentro desse prazo, serão adotadas as medidas administrativas e judiciais cabíveis, inclusive perante os órgãos de defesa do consumidor e o Poder Judiciário.
Registro que sempre confiei na qualidade e tradição da Honda e espero que a empresa trate o presente caso com a seriedade e responsabilidade que se espera de uma montadora de sua reputação.
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Resposta da empresa
24/03/2026 às 11:04
Veículo ano/modelo 2016, adquirido pelo cliente como usado, com aproximadamente 115.000 km. À época da compra, foi realizada revisão em nossa concessionária, incluindo manutenção do motor e substituição do fluido da transmissão.
Após cerca de 2 anos de uso, o cliente retornou para nova substituição do fluido da transmissão, em conformidade com o plano de manutenção recomendado para o veículo (intervalo de 2 anos ou 40.000 km).
Durante o procedimento de esgotamento do fluido, foi identificada a presença significativa de limalha metálica, evidenciando desgaste acentuado ou possível avaria interna em componentes da transmissão. Diante desse cenário, o serviço foi imediatamente interrompido. O cliente foi acionado, compareceu ao local, teve ciência da condição constatada e foram prestados os devidos esclarecimentos técnicos, bem como apresentado orçamento para reparo.
Ressalte-se que a montadora não disponibiliza componentes internos dessa transmissão de forma individual, sendo indicada apenas a substituição completa do conjunto. Assim, foi apresentado orçamento para troca integral da transmissão. O cliente considerou o valor elevado e optou por retirar o veículo, informando que buscaria avaliação em oficina particular.
Posteriormente, o cliente entrou em contato pleiteando cobertura em garantia. Foi devidamente esclarecido que, em razão da idade do veículo (aproximadamente 10 anos) e da inexistência de falha na execução dos serviços anteriormente realizados, não há possibilidade de acionamento de garantia junto à montadora, tampouco responsabilidade da concessionária pelos danos identificados.