Ressarcimento por Passeio Não Realizado - Parte I

Reclamação em réplica

Em réplica

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São Paulo - SP

24/04/2015 às 14:58

ID: 12792828

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São Paulo, 24 de Abril de *******



Venho, por intermédio deste canal, registrar reclamação contra a empresa Korubo Expedições, operadora de turismo no Jalapão/TO.



Eu e minha esposa estivemos hospedados no camping dessa empresa entre os dias 04 e 08 de abril de *******. Fechamos um pacote que, além da hospedagem, estava incluso um roteiro de atividades e passeios pelo Jalapão, sendo que, no ultimo dia do passeio, visitaríamos a Cachoeira da Velha, um dos principais pontos turísticos do local. Ocorre que, devido à presença de uma onça que teria dado cria nas proximidades da cachoeira, as autoridades ambientais interditaram o local e, conseqüentemente, não foi possível realizar o passeio.



A Korubo, por sua vez, já tinha conhecimento dessa interdição desde o dia 24/03/*******, período este, anterior ao de nossa estada no Jalapão, tempo suficiente para que nos fosse proposto um outro passeio similar, ou que fosse feito o ressarcimento do valor referente a tal passeio não realizado, uma vez que foi fechado um pacote com transfers, passeios com guias especializados, alimentação e hospedagem, ou seja, tal passeio estava incluso no pacote.



Ainda no camping, no dia 07/04/*******, o grupo, de aproximadamente 25 pessoas que se hospedavam lá naquela semana, solicitou ao guia responsável que a visita à cachoeira fosse substituída e, caso não fosse possível, foi pedido o ressarcimento do valor cobrado. O guia, então, dizia que não teria autoridade para sanar tal questão e que teria de falar com o responsável, Sr. Luciano, porém, curiosamente, não era possível contatá-lo via rádio (não há sinal de celular no camping). O guia nos ofereceu, então, a realização de uma trilha nos arredores do camping, porém, o grupo recusou tal oferta, pois tal passeio não poderia se equiparar a uma visita a um dos cartões postais do Jalapão e, além disso, alguns turistas já tinham até realizado tais trilhas nos momentos livres.



-CONTINUA NA PARTE 2-

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Resposta da empresa

28/04/2015 às 09:51

Conforme relatado pelo Sr Cleber, o passeio à cachoeira da Velha não foi possível ter sido realizado por motivo de força maior: fechamento pelo órgão responsável , pois havia no local uma onça com filhote. Foi avisado o fato no inicio da viagem e a Korubo ficou na expectativa, aguardando se seria liberado ou não o passeio já que aconteceria apenas no sexto dia do pacote.



Quanto ao passeio não realizado não tínhamos como controlar o acesso ao mesmo e nem existe outra cachoeira similar na região. Por se tratar o Jalapão de local ermo e de difícil acesso, como está exposto no site e no Termo de Responsabilidade, nos reservamos o direito de alterar os veículos e roteiro sempre necessário, sem prévio aviso, por razoes climáticas ou por motivos de segurança e bem estar dos clientes e membros da equipe. Em compensação foi realizada por todos uma atividade de flutuação no Rio Novo ( que não consta na programação) e proposta uma trilha, que não é a que foi feita por alguns clientes ao longo do rio e sim outra, no cerrado, onde além das serras e veredas da região, é possível avistar animais e pássaros do Jalapão.



O local da cachoeira pertence ao Estado do Tocantins que não cobra ingresso para visitação portanto não cabendo reembolso de valor pago pelo passeio.



A Korubo, somente quando foi efetuar o Tranfer In, já no aeroporto de Palmas, foi informada pela cia aérea Tam de que haviam 2 clientes deficientes visuais e orientaram o nosso funcionários que os aguardava no desembarque com uma placa Jalapão – Korubo a ir busca-los em uma “ sala”. Devido à este fato, a empresa, na pessoa do Sr Luciano, entrou em contato telefônico com o Sr Cleber ( que havia adquirido o pacote através de uma agência de viagens e que na conversa telefônica afirmou também não ter avisado a agência) para se certificar de que eles estariam ciente do tipo de viagem e atividades que iriam realizar.



Ficou estabelecido que as atividades de canoagem em corredeira e subida da trilha do Espirito Santo por serem atividades de risco poderiam ter de ser trocadas por trilha mais adaptada e a canoagem por flutuação em trecho sem corredeiras, o guia iria avaliar como proceder. Sr. Cleber, já no Jalapão, não aceitou a negativa do Guia e impôs ao mesmo, sob injurias e ameaças de processar a empresa, a descida de canoagem e a subida do Mirante da Serra.



Um condutor terceirizado foi contratado as pressas para acompanhar o casal na viagem para que desta forma pudessem realizar as atividades de maneira mais segura e tranquila, minimizando os riscos nas diversas atividades. Na referida canoagem https://*******, mesmo rebocado por funcionários, caiu três vezes e poderia ter se machucado seriamente não só nas corredeiras mas também por galhos e pedras da margem e até mesmo sido atingido pelos próprios caiaques que são pesados e de material duro.



Na subida da ser

Réplica da empresa

28/04/2015 às 10:04

CONTINUAÇÃO DA RESPOSTA ABAIXO:



Na subida da serra o condutor ficou o tempo todo acompanhando a esposa e não ocorreram incidentes pois o condutor pôde se dedicar integralmente a mesma já que o Sr. Cleber não participou da atividade.

A Korubo, conforme os princípios de ecoturismo, tem como funcionários pessoas da comunidade local e conforme as características/ necessidade de cada grupo/cliente toma as providências necessárias. Para receber estrangeiros, contrata guia bilíngue. Para receber grupos de terceira idade, contrata condutores extra. Para cada caso há uma prévia preparação.



Não é aceitável que clientes queiram impor sua vontade e ditar como devemos proceder com relação a precaução, redução de riscos e segurança nas mesmas. O Sr. Cleber insistiu em querer avaliar os riscos e decidir por conta própria como faria as atividades sem levar em consideração que está viajando com uma empresa que tem responsabilidade sobre todos os viajante do grupo.



Portanto refuto com veemência a GRAVE acusação de que agi com preconceito e discriminação.



Lamentamos que o Sr Cleber e esposa não tenham feito contato prévio com a Korubo evitando a presente situação.



A Korubo se reserva o direito de agir com adequação, responsabilidade e segurança para manter, como admitido acima, a excelente reputação que conquistou nestes 15 anos de operação da programação Safari no Jalapao.

Réplica do consumidor

28/04/2015 às 23:31

Podemos notar que a Korubo continua utilizando os mesmos argumentos no intuito de não nos ressarcir o valor referente ao passeio não realizado, mas, pelo jeito, teremos de ser repetitivos e contraargumentar novamente.
A empresa alega que: “Foi avisado o fato no inicio da viagem e a Korubo ficou na expectativa, aguardando se seria liberado ou não o passeio já que aconteceria apenas no sexto dia do pacote”. Realmente a interdição foi avisada, porém, somente isso, ninguém falou em nos oferecer outra opção ou em ressarcimento, muito menos sobre uma expectativa de realização deste. A prova disso é que, em e-mail encaminhado pelo Sr. Luciano em 18/04/******* para minha esposa, este mencionou que, no dia 24/03/*******, havia recebido um comunicado emitido pelo Órgão Estadual responsável pela Cachoeira informando que haveria uma interdição entre os dias 23/03 e 15/04. Então, não há que se falar em caso fortuito, que, por definição, é um evento proveniente de ato humano, imprevisível e inevitável, que impede o cumprimento de uma obrigação, pois, no caso em tela, não há que se falar em imprevisibilidade, uma vez que a interdição já era de conhecimento da Korubo.
Conforme o próprio relato da Korubo, não havia outra cachoeira similar na região e mesmo assim, estes insistem em repetir que nos foram oferecidas compensações em substituição a este passeio. Citaram para isso a realização de uma flutuação no Rio Novo que não consta na programação. De fato, tal flutuação foi realizada e, realmente, não consta na programação, porém, nem de longe, uma atividade de mera recreação no camping e que não durou mais que meia hora, pode substituir a visita a um os cartões postais do Jalapão. Outro ponto a se frisar é que, em momento algum nos foi informado que tal flutuação seria uma compensação pela não realização da visita à cachoeira, ou seja, não nos foi dado o direito de escolha, o que, como já disse, é o procedimento normal e legal nesses casos. Nota-se também que a Korubo alega mais uma vez ter proposto a realização de uma trilha e, nessa resposta fez uma bonita descrição sobre o passeio proposto, porém, somente agora, lendo o tal resposta é que soube que “não é a que foi feita por alguns clientes ao longo do rio e sim outra, no cerrado, onde além das serras e veredas da região, é possível avistar animais e pássaros do Jalapão”, pois o guia não informou nada disso. O fato é que, como a própria Korubo relatou, HOUVE UMA PROPOSTA, porém, TAL PROPOSTA NÃO FOI ACEITA, como eu já havia relatado. A simples proposta não exime o prestador de qualquer ressarcimento, pois cabe ao consumidor aceitar ou não o proposto.
Mais uma vez, a korubo insiste no argumento de que o local da cachoeira pertence ao Estado de Tocantins e que, devido ao fato deste não cobrar ingresso, não cabe reembolso. Peço desculpas aos leitores desta réplica, porém, terei de ser repetitivo ao responder novamente o óbvio: se, na programação da Korubo, não consta a informação de que a visita à Cachoeira da Velha é uma cortesia, está mais do que caracterizado que tal passeio está incluso no valor do pacote.
Diante do exposto, REITERO meu pedido de ressarcimento do passeio não realizado.
Com relação à deficiência visual, infelizmente, também terei de ser repetitivo, pois todos os argumentos expostos pela korubo nessa resposta, já foram contraargumentados, porém, vamos aos fatos:

Primeiramente, informo que nós não estávamos esperando pelo funcionário em uma sala do aeroporto, como foi relatado. O funcionário da Tam nos conduziu até algumas cadeiras que ficam próximas à saída do aeroporto e foi informar ao guia da Korubo que estávamos ali, aliás, estávamos a poucos metros de onde estava o guia, até porque, quem conhece o aeroporto de Palmas, sabe que este não é tão grande assim. Inclusive, enquanto esperávamos, outros turistas que iriam conosco para o Jalapão aguardaram ali também.

Nota-se também que a Korubo insiste no fato de que nós agimos errado em não comunicar previamente a eles que somos deficientes visuais, porém, tal fato não justifica a falta de tato com que fomos tratados pelo Sr. Luciano em sua ligação, que ocorreu logo na nossa chegada em Palmas. Conforme eu já havia relatado ao Sr. Luciano, tal informação não foi passada com antecedência, pois nós não a julgamos necessária, uma vez que pesquisamos bem o destino e o pacote oferecido e, pelas condições descritas, não julgamos necessário um prévio aviso e nem uma adaptação tão grandiosa, até porque, já realizamos diversas viagens de ecoturismo, tanto no Brasil quanto no exterior e nunca foi necessário um prévio aviso para que fôssemos bem atendidos. Outro detalhe é que, no preenchimento de minha ficha cadastro, não existia nenhum campo para informarmos eventuais necessidades especiais, então, não há que se falar em omissão de nossa parte.

Bom seria se a ligação feita pelo Sr. Luciano fosse apenas para se certificar de que estávamos cientes do tipo de atividades que iríamos realizar. O tom da conversa não foi bem esse. Pra se ter uma ideia, quando eu falei ao Sr. Luciano que poderia ficar tranqüilo, pois quando eu chegasse ao local, veria qual a melhor forma de realizar as atividades, este me perguntou como eu veria se eu não enxergo, daí eu expliquei a ele que “ver”, nesse caso, trata-se do sentido de “avaliar” e não o de ver, propriamente dito. Pode-se perceber por esse infeliz comentário que o Sr. Luciano não estava preparado para lidar com uma situação nova.

Outro fato que não condiz com a realidade é que, no final de nossa ligação, não ficou nada estabelecido, como está relatado na resposta. O Sr. Luciano me disse que eu deveria ficar ciente de que não poderia realizar as atividades de canoagem e trilha do Espírito Santo, então, eu respondi a ele que eu iria avaliar junto a seus guias qual a melhor forma de realizar tais atividades. Daí a ligação caiu, depois de 24 minutos de argumentação em vão.

Tem razão a Korubo quando diz que eu não aceitei a negativa que me foi dada pelo guia no Jalapão. Realmente não aceitei, pois não me foi dada nenhuma explicação plausível para que não realizássemos tais atividades, simplesmente não poderíamos fazer. Por mais que argumentássemos que já havíamos realizado esse tipo de atividade, simplesmente, por orientação do Sr. Luciano, não poderíamos realizar e ponto, Até onde eu sei, isso é preconceito, isso é discriminação. Os fatos falam por si. De que adianta o Sr. Luciano refutar o que ele chama de acusações de minha parte, se seu próprio relato demonstra sua atitude preconceituosa para conosco. Não estou acusando ninguém, só relatando o ocorrido. Na verdade, o que impus ao guia foi o de exercer o meu direito, nada mais que isso. Não fizemos ameaças de processo judicial, aliás, quem mencionou tal fato foi o Sr. Luciano durante a ligação, dizendo que nos impediria de realizar tais atividades, mesmo que, posteriormente, os acionássemos na justiça. Importante frisar aqui que, se de fato, a preocupação do Sr. Luciano fosse com a nossa segurança como ele afirma, realmente não teríamos realizado tais atividades, pois este teria realmente nos impedido, sem temer alguma represália judicial posterior. Na realidade o receio do Sr. Luciano era de que algo acontecesse conosco, então, seria mais fácil que não realizássemos as atividades que ele considerava perigosas do que assumir qualquer risco, porém, os riscos assumidos por nós são os mesmos riscos assumidos por qualquer turista, independentemente de suas necessidades ou condições.

Quanto à contratação às pressas de um condutor, ******* que este mesmo condutor nos informou pessoalmente que ele já estava escalado para trabalhar no camping naquela semana, devido ao grande número de turistas. Respondemos tal informação ao Sr. Luciano via e-mail. Ele, então, argumentou dizendo que conversou com tal condutor, que disse não ter nos dito nada sobre isso. Respondemos então que não podemos nos responsabilizar se os guias presentes no camping, que são representantes da Korubo, dizem uma coisa aos turistas e outra ao responsável pela empresa.

É triste notar também como um mesmo fato pode ser visto de várias maneiras. Infelizmente o Sr. Luciano relata a minha atividade na canoagem como sendo algo ruim. Diz ele que, mesmo eu sendo “rebocado” pelos guias, teria caído três vezes e poderia me machucar seriamente. Nesse ponto, vale uma explicação mais detalhada: quando os guias nos negaram o direito de participar da atividade, sugerimos que nossas canoas fossem amarradas às canoas dos guias e assim eles poderiam nos dar a direção certa. Infeliz a afirmação do Sr. Luciano dizendo que fomos “rebocados”, pois, até onde eu sei, o que se “reboca” é o que não funciona, e, no caso, fomos apenas conduzidos, até porque, nós remamos como todos os participantes, não sendo simplesmente “rebocados” pelo rio. Falta com a verdade o Sr. Luciano quando afirma que eu caí três vezes do barco, pois eu caí duas vezes, bem como outros turistas também caíram, fato que é normal numa atividade de canoagem. A atividade era tão tranqüila que, alguns turistas, inclusive minha esposa, desceram um trecho do rio em pé na canoa, praticando assim stand-up paddle. Não consigo entender porque as minhas quedas são tão potencializadas. Não foi só eu quem caí. E se algum outro turista tivesse se machucado como relatou o Sr. Luciano? A responsabilidade da korubo seria menor do que se fosse comigo? Seria uma atividade arriscada para mim e para minha esposa se tivéssemos acatado a proposta do guia em descer o rio sem amarrar nossos barcos, daí sim poderíamos ter algum acidente diretamente relacionado à falta de visão, porém, na mesma hora, não aceitamos tal sugestão e pedimos para amarrar nossas canoas. Então, o que se pode notar aí é que, se eu dependesse da avaliação dos guias da Korubo, teria realmente corrido o risco de sofrer algum acidente grave.

Quanto à subida da Serra do Espírito Santo, minha esposa realizou sim o trajeto com tranqüilidade, mas tal tranqüilidade se deve, principalmente ao fato de ela ter um bom preparo físico e vasta experiência em esportes de aventura. O papel do guia ali foi o de um condutor, lhe indicando os locais onde pisar. Claro que isso é importante, sem essa pessoa, realmente ela não conseguiria subir e descer a serra sozinha, porém, não era necessária a contratação de um guia somente para esse fim, até porque, em outros destinos que já visitamos, muitas vezes um guia só nos conduzia com maestria e ainda conseguia dar atenção ao grupo todo. Se os guias que trabalham para a Korubo não tem essa competência, isso definitivamente não é problema nosso.

Acredito que, pelos meus relatos, ficou evidente que, em nenhum momento, eu e minha esposa quisemos “impor as nossas vontades” como afirma o Sr. Luciano, simplesmente queríamos realizar as atividades oferecidas pelo pacote. Isso é pedir demais? Os fatos mostraram que não ocorreu nenhum abuso e nem imprudência de nossa parte, pois, realizamos com êxito todas as atividades propostas, mesmo a contra-gosto do Sr. Luciano, que nos julgou incapazes de realizar, mesmo sem nos conhecer.

Minha pergunta final é: diante de todo o exposto, que diferença faria se eu tivesse avisado a Korubo sobre minha condição? Será que o Sr. Luciano receberia tal informação de forma diferente? Será que se eu tivesse avisado antes, eu não seria proibido de realizar as atividades da mesma forma que ocorreu? Se, mesmo após termos realizado as atividades com êxito, a postura da Korubo continua a mesma, se eu tivesse avisado antes, o que se pode concluir é que não faria diferença alguma.

Infelizmente, ao invés da Korubo enxergar tal situação como um desafio que foi vencido, o que seria ótimo para sua própria imagem como agência operadora de turismo, prefere nos acusar e não assumir sua postura discriminatória, o que seria muito melhor para seu negócio. Aliás, fica aqui um alerta aos operadores de turismo, pois eis um exemplo clássico de como NÃO proceder ao receber um turista com necessidades especiais.