Relação de consumo marcada por falta de transparência, regras questionáveis e tentativa de reajuste de quase 50%

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Belo Horizonte - MG

18/07/2026 às 16:27

ID: 254254849

Sou assinante do Clube das Baddies e venho registrar minha insatisfação não apenas com uma tentativa de reajuste da mensalidade, mas com a forma como toda essa situação foi conduzida.

A empresa anunciou que a mensalidade passaria de R$ 39,90 para R$ 59,90 para os assinantes atuais e R$ 69,90 para novos membros, representando um aumento de aproximadamente 50%.

O que mais chamou atenção não foi apenas o percentual do reajuste, mas a maneira como ele foi comunicado. A decisão foi simplesmente anunciada, sem qualquer preparação, diálogo prévio ou apresentação de critérios objetivos que justificassem um aumento dessa magnitude. Também não houve preocupação aparente com o impacto que essa decisão teria na vida de centenas de consumidores que ajudaram a construir e manter a comunidade.

Diversos assinantes relataram publicamente que gostariam de permanecer no Clube, mas não teriam condições financeiras de arcar com o novo valor. Ainda assim, essa realidade pareceu ser tratada como uma consequência natural da decisão, sem qualquer sensibilidade em relação à realidade econômica de muitos consumidores.

Durante as discussões, chamou atenção a tentativa recorrente de deslocar o debate para um campo emocional. Em diversos momentos, quem questionava a proporcionalidade do reajuste era levado a ouvir que estaria desvalorizando o trabalho da equipe ou "colocando preço" no esforço das administradoras. Essa é uma [Editado pelo Reclame Aqui] premissa.

O valor da assinatura foi definido pela própria empresa ao optar por comercializar o serviço por R$ 39,90. O consumidor jamais fixou esse preço. Se, posteriormente, a empresa concluiu que o modelo de negócio exigia um valor maior, essa é uma decisão empresarial, sujeita aos riscos inerentes à atividade econômica e ao julgamento do mercado. Questionar a proporcionalidade de um reajuste não significa desmerecer o trabalho desenvolvido.

Também foram apresentadas como justificativa a contratação de equipe, o desenvolvimento de aplicativo, melhorias estruturais e uma suposta pesquisa de mercado. Entretanto, não foram apresentados estudos, parâmetros ou dados objetivos capazes de demonstrar por que essas medidas justificariam um aumento de aproximadamente 50%. Da mesma forma, custos internos e decisões de gestão, por si sós, não respondem à principal pergunta feita pelos consumidores: por que esse percentual seria proporcional à contraprestação oferecida?

Após a forte repercussão negativa entre os assinantes, a administração informou que iria "reformular" os reajustes. Embora isso demonstre que a condução inicial foi inadequada, permanece a preocupação de que a medida tenha sido apenas adiada, sem o efetivo enfrentamento das críticas apresentadas pelos consumidores.

Outro fator que contribuiu para a perda de confiança foi a divulgação de um documento contendo regras internas que, na percepção de diversos participantes, estabeleciam disposições excessivamente restritivas e desequilibradas. Algumas previsões aparentavam impor obrigações desproporcionais aos assinantes, conferir ampla discricionariedade à administração e criar tratamentos distintos para situações semelhantes, gerando insegurança quanto ao equilíbrio da relação de consumo.

Além disso, minha experiência dentro da comunidade também foi marcada pela dificuldade de manifestação de opiniões divergentes. Em diversas ocasiões, participantes que expressavam interpretações diferentes sobre livros ou faziam críticas ao funcionamento do Clube tornavam-se alvo de ironias, chacotas ou comentários depreciativos por parte de outros membros. Isso criava um ambiente de constrangimento que desestimulava a livre manifestação de ideias.

Embora a administração afirmasse valorizar o diálogo e o acolhimento, a percepção de muitos participantes era de que posicionamentos críticos nem sempre recebiam o mesmo espaço ou acolhimento que manifestações favoráveis. Em uma comunidade construída justamente sobre a troca de opiniões, espera-se que divergências sejam tratadas com respeito e não com intimidação ou ridicularização.

Faço questão de esclarecer que não questiono o direito da empresa de reajustar seus preços. O que questiono é a forma como esse processo foi conduzido: sem transparência, sem fundamentação objetiva, com forte apelo emocional para afastar críticas legítimas e sem considerar a realidade econômica de consumidores que sempre prestigiaram o projeto.

Essa foi a minha experiência como consumidora do Clube das Baddies. Compartilho este relato para que futuros consumidores tenham conhecimento não apenas do serviço oferecido, mas também da forma como a relação de consumo foi conduzida quando surgiram questionamentos legítimos sobre um reajuste significativo.

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