Reclamação sobre Acessibilidade e Inclusão no Lollapalooza Brasil - Falhas na Experiência de Pessoas com Deficiência

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São Caetano do Sul - SP

25/03/2026 às 17:06

ID: 244321527

Gostaria de registrar uma reclamação formal sobre a acessibilidade oferecida no Lollapalooza Brasil.

Participei do evento e utilizei, pela primeira vez, a estrutura destinada ao público com deficiência. A expectativa gerada pela comunicação oficial do festival é alta, especialmente quando afirmam ser um evento plural, com oportunidades iguais e equipe preparada para atendimento a pessoas com deficiência ou necessidades específicas.

No entanto, a experiência prática foi muito diferente do que é divulgado.

As filas preferenciais estavam desorganizadas. Embora houvesse sinalização, na prática as filas não estavam separadas. Era necessário solicitar, ao longo da fila, a utilização da prioridade, o que é extremamente difícil para pessoas autistas, como eu, devido às dificuldades em interações sociais. Escutei relatos de outras pessoas que tentaram utilizar esse direito e receberam a informação de que a fila era única. Isso ocorreu em áreas básicas do evento, como alimentação e ativações.

Os banheiros acessíveis, em sua maioria, estavam adequados. No entanto, houve momentos em que não havia papel higiênico, o que me obrigou a utilizar outros banheiros. Na área PCD próxima ao palco, a situação era mais precária, com cabines químicas sem acesso a lavatórios próximos. Para pessoas com mobilidade preservada, ainda é possível contornar, mas para cadeirantes a utilização torna-se extremamente difícil ou até inviável.

Outro ponto importante foi a falta de informação e funcionamento das vans de acessibilidade. Foi possível identificá-las apenas na entrada do festival, sem orientação clara sobre como funcionavam, onde estariam localizadas ao longo do evento ou como acessá-las após a entrada. Durante o festival, não foi possível encontrá-las, o que inviabiliza o uso desse recurso por quem precisa.

O ponto mais crítico foi a insuficiência da área destinada à acessibilidade. O espaço não comportava sequer uma fração das pessoas que necessitavam utilizá-lo, resultando em pessoas com deficiência, incluindo cadeirantes, ficando sem acesso ao local. Isso gerou situações de risco e exclusão dentro de um evento que se propõe a ser inclusivo.

Presenciei, inclusive, uma situação extremamente preocupante: uma criança autista em crise, do lado de fora da área acessível, no meio da multidão, sem acesso a um espaço seguro. Esse tipo de situação evidencia falhas graves no planejamento da acessibilidade prática do evento.

Além disso, houve falas inadequadas por parte de membros da equipe, questionando a legitimidade de pessoas autistas no uso da área de acessibilidade. Isso demonstra falta de preparo e treinamento adequado sobre deficiência, especialmente em relação a deficiências não visíveis.

A única sala sensorial disponível no evento ficava na central de acessibilidade, localizada em um dos portões, muito distante da maioria dos palcos. Isso tornou sua utilização extremamente inviável. Após entrar no festival e com o aumento da lotação, não havia condições de retornar até esse espaço. Para que cumpra sua função, a sala sensorial precisa estar próxima dos palcos e ser de fácil acesso, permitindo a regulação sensorial entre os shows. Um evento desse porte não pode contar com apenas uma sala.

Acessibilidade não é um diferencial ou um privilégio, mas um direito básico. Na prática, a estrutura oferecida não garante esse direito de forma efetiva para todas as pessoas com deficiência. É necessário um reajuste para que a comunicação do evento seja condizente com a realidade e para que a legislação seja efetivamente cumprida. A acessibilidade é o que possibilita que pessoas com deficiência vivenciem esses eventos.

Como sugestão, é fundamental que a organização do evento inclua pessoas com deficiência e profissionais especializados na construção e revisão das políticas de acessibilidade. A escuta ativa de quem vivencia essas necessidades na prática é essencial para que as soluções sejam realmente funcionais, seguras e proporcionais ao público atendido.

Sem essa escuta, a acessibilidade tende a permanecer no discurso, sem se sustentar na experiência real das pessoas.

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Resposta da empresa

27/03/2026 às 19:13

Oi, Mariana!

Lamentamos sinceramente que a vivência no evento não tenha atendido às suas expectativas, especialmente em um aspecto tão importante quanto a acessibilidade. Entendemos a relevância dos pontos trazidos e reconhecemos o quanto situações como as descritas podem impactar de forma significativa a experiência no festival.

Reforçamos que a acessibilidade é um tema prioritário e que o evento busca constantemente evoluir suas estruturas, serviços e treinamentos para atender, da melhor forma possível, às diferentes necessidades do público.

Ainda assim, compreendemos sua percepção em relação aos desafios enfrentados, incluindo organização de filas, infraestrutura de apoio, comunicação sobre os serviços disponíveis e capacidade das áreas destinadas ao público com deficiência. Informamos que seu relato será encaminhado para as equipes responsáveis, para análise cuidadosa e consideração em melhorias futuras.

É importante esclarecer que, embora eventos dessa magnitude possam apresentar desafios logísticos, toda a equipe se dedica continuamente para oferecer uma experiência de qualidade, com segurança e acolhimento ao público.

Assim como vem fazendo ao longo dos anos na produção de grandes eventos, a Rock World permanece comprometida com o aprimoramento constante de seus processos, buscando evoluir a eficiência dos serviços, a segurança e o conforto de todos os participantes.

Agradecemos novamente por compartilhar sua experiência e por contribuir com sugestões relevantes, que serão consideradas no desenvolvimento das próximas edições.

Atenciosamente,
Rock World.