Locatário se sente desrespeitado e com problemas estruturais não resolvidos em imóvel alugado

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Sorocaba - SP
11/05/2026 às 06:59
ID: 248255361
Minha sensação após a experiência que tive com a Mendes Ortega é que, para essa imobiliária, o locatário não é tratado como cliente. Cliente, aparentemente, é apenas o proprietário do imóvel.
A impressão que tive durante toda a locação foi a de que, para o inquilino, o cumprimento da ***** é exigido de maneira rígida e absoluta. Já para o locador, seguir a mesma legislação parece ser tratado como algo opcional, dependendo da conveniência da situação.
Em diversos momentos senti que minhas obrigações como locatário eram cobradas com extremo rigor, especialmente aquelas previstas no ***** (*****), que determina, entre outros pontos, o dever do inquilino de:
pagar aluguel e encargos em dia;
zelar pela conservação do imóvel;
reparar danos causados por uso inadequado;
devolver o imóvel no estado em que recebeu, ressalvado o desgaste natural pelo uso normal.
Por outro lado, as obrigações legais do locador previstas no ***** pareciam constantemente relativizadas, especialmente:
entregar e manter o imóvel em condições adequadas de uso;
responder por vícios e defeitos anteriores à locação;
realizar reparos estruturais necessários;
garantir condições de habitabilidade e segurança ao locatário.
Durante praticamente um ano relatei problemas estruturais graves no imóvel, especialmente infiltrações e problemas no telhado, que nunca foram solucionados adequadamente. Houve situações extremamente preocupantes, incluindo água escorrendo por tomadas e períodos em que minha família ficou cerca de 15 dias sem energia elétrica por conta dos problemas do imóvel.
Mesmo diante dessas condições, não houve qualquer abatimento proporcional no aluguel ou proposta de compensação pelos transtornos causados.
Ao longo desse período, mantive diversos contatos com a imobiliária tentando resolver a situação de forma amigável. Em determinado momento, inclusive me ofereci para resolver o problema do telhado por conta própria para evitar mais desgaste. Porém, a proprietária queria que eu pagasse inicialmente o valor do reparo (aproximadamente R$ 650) parcelando para ela em 3 vezes. Não achei justo ter que me apertar financeiramente para resolver um problema estrutural cuja responsabilidade não era minha.
Depois de cerca de um ano de reclamações, somente em janeiro deste ano foi autorizado que eu realizasse o conserto e descontasse o valor diretamente do aluguel. Mesmo assim, o reparo não pôde ser feito imediatamente porque o período era de muita chuva, e não é possível realizar manutenção adequada em telhado nessas condições.
Pouco tempo depois, em fevereiro, recebi uma carta da imobiliária oferecendo a compra do imóvel e informando que, caso eu não tivesse interesse, ele seria colocado à venda. Isso significava ficar submetido à entrada constante de possíveis compradores dentro do imóvel onde moro com minha família e mantenho meus bens pessoais, situação que considerei extremamente desconfortável e constrangedora.
Diante de todo esse cenário, decidi cancelar o conserto e sair do imóvel.
O que tornou tudo ainda mais frustrante foi descobrir posteriormente que o imóvel voltaria a ser alugado normalmente. Ou seja, depois de um longo período convivendo com problemas estruturais sem solução adequada, ficou a sensação de que o objetivo nunca foi resolver os problemas enfrentados pelo locatário, mas apenas manter o imóvel gerando renda enquanto os reparos eram empurrados para quem estivesse morando nele.
Além disso, após minha saída, fui surpreendido com cobranças baseadas em vistoria final e orçamento genérico, incluindo itens que claramente configuram desgaste natural ou manutenção estrutural do imóvel, como armário estufado pela umidade do banheiro, exigência de aplicação de verniz em portas sem danos e outros reparos incompatíveis com a responsabilidade legal do locatário.
Também considero grave o fato de que, no início da locação, após a entrega das chaves e já com o imóvel sob nossa posse, um parente da proprietária entrou no imóvel utilizando uma chave que ainda possuía, sem autorização, para retirar objetos da edícula. Na época relevamos a situação para evitar conflitos, mas hoje entendo a gravidade dessa conduta.
Apesar de todos os problemas, ainda realizei melhorias e reparos no imóvel durante a locação, incluindo impermeabilização de infiltração crônica na edícula, reparo em encanamento para evitar danos maiores e instalação de itens que já pertenciam ao imóvel, sempre agindo de boa-fé e com zelo pela propriedade.
Meu objetivo com este relato é alertar futuros locatários sobre a forma como me senti tratado durante todo esse processo. Problemas em imóveis podem acontecer, mas o que diferencia um atendimento sério é a postura adotada quando o locatário busca ajuda, diálogo e solução.