Falha na rede obstétrica e negativa de reembolso integral durante a gestação

Não resolvido
São Paulo - SP
30/01/2026 às 13:10
ID: 239309939
Falha grave de rede obstétrica e negativa indevida de reembolso integral
Sou beneficiária do plano de saúde Metrus desde o nascimento e, durante toda a minha gestação em 2025, enfrentei extrema dificuldade para obter acompanhamento obstétrico adequado na rede credenciada, especialmente para parto normal sem cobrança por fora.
Durante a gestação, em 27/02/2025, protocolei junto ao plano pedido de informações sobre taxas obstétricas (parto normal e cesárea, conforme RN 368/2015) e indicação de médicos com conduta humanizada, nos termos da Portaria MS n 569/2000, Diretrizes de Atenção ao Parto Normal, e do CDC, que assegura o direito à prestação adequada, eficiente e em tempo oportuno de serviços contratados após reconhecer a recorrente dificuldade com os obstetras da rede em acompanhar parto sem a cobrança da taxa de disponibilidade (ilegal).
Nesse mesmo contato informei da situação com a Dra. Sofia Martins que após iniciado o pré-natal me informou que cobraria de forma particular a assistência ao parto - novamente a mesma dificuldade encontrada, na aplicação de valores particulares que de forma ilegal seriam repassadas a mim como beneficiária e consumidora.
Contudo, recebi listas com taxas de cesárea manifestamente abusivas e nenhuma indicação efetiva de profissional com conduta humanizada dentro da rede credenciada. Em 03/03/2025 pedi indicação novamente e questionei se o Hosp. Sepaco estava credenciado e fui informada que não estavam mais na rede.
Em 18/03 abri uma reclamação na ouvidoria solicitando a garantia de reembolso integral considerando a falha de indisponibilidade de assistência, e em 21/03 recebi 3 indicações: MEDLIGHT, Alice Keiko e Araci OP (que não constavam nas informações de taxas obstétricas previamente solicitadas).
Ocorre que, há prazo legal para atendimento obstétrico de 7 dias úteis conforme prevê a RN 566/22 art. 3, e isso não ocorreu, pois não houve indicação efetiva que garantisse a continuidade de acompanhamento obstétrico integral (pré-natal e assistência ao parto) até o prazo final de 11/03/2025.
Mantendo a busca por rede, busquei o Hosp. Santa Joana, e em consulta com Dra. Fernanda fui informada que não me acompanharia no parto normal pois ela mesma não faz, e em novo contato com a ouvidoria informei ao plano e segui sem indicações efetivas quando me responderam em 04/04/2025.
Em 10/04/2025 houve um agendamento fora do prazo legal com Dra. Ana Claudia, porém fui informada disso apenas 1 dias antes, sem consentimento ou disponibilidade, razão pela qual não pude comparecer, além disso, o prazo da RN 566/22 ANS já havia se esgotado.
Diante da ineficácia da rede credenciada, da comprovada busca e falha assistencial, onde fiquei por vários meses sem assistência médica de pré-natal, não tive alternativa para garantir a minha segurança e a de meu bebê e fui obrigada a custear de forma particular a assistência obstétrica, arcando com o valor integral do parto.
A presente solicitação não se confunde com reembolso contratual, pois não se trata de escolha particular ou conveniência, mas sim de falha grave na rede prestadora, que não assegurou o atendimento assistencial obrigatório dentro dos prazos e garantias normativas, caracterizando descumprimento contratual e ofensa ao art. 14 do Código de Defesa do Consumidor.
Ressalto que, inclusive, a própria RN 566/22 ANS classifica a demanda como ineficaz e reconhece a ineficácia da rede assistencial e a consequente obrigação do reembolso integral.
Diante do exposto, peço:
O reconhecimento da falha como comprovado nos fatos e anexos, e o pagamento integral do reembolso, no valor de R$ 17.000,00, referente ao reembolso integral. + R$600 que precisei gastar com 1 consulta com o médico que contratei.
No plano de saúde, todo o meu pré-natal foi feito por diversos médicos diferentes, na tentativa de conseguir um que atendesse o parto normal até que com a gestação já bem avançada, precisei contratar um médico no particular. Inclusive me senti aterrorizada durante o pré-natal no Santa Joana, pois a todo momento os médicos querem te convencer a agendar uma cesárea - mesmo que a sua situação clínica não precise.
Quanto a enfermeira obstétrica,
Em 29/08/2025 solicitei ao plano, com encaminhamento o pedido de prévia de reembolso de enfermeira obstétrica em razão da inexistência de profissional da rede credenciada, pois não há essa especialidade.
Recebi a resposta da pertinência e obrigatoriedade, conforme prevê a RN 465/21 e DUT 135, ou seja: o plano afirmou e concordou com o encaminhamento médico, inclusive descrevendo as 6 consultas de pré-natal e 2 de pós-parto (e-mail datado em 1 de setembro) porém não houve qualquer indicação ou sugestão de contato, comprovando a indisponibilidade total de rede e prova da garantia de reembolso integral.
Razão pela qual, contesto a negativa abusiva do reembolso de enfermeira obstétrica e peço o pagamento do valor de R$3500,00 + R$ 500 total de R$ 4000 conforme nota fiscal anexa comprovado os gastos que fui obrigada a realizar para garantir a profissional.
Ressalto ainda o impacto emocional causado, pois vivi toda a gestação sob estresse, insegurança e medo de não ter assistência adequada no momento do parto, em um período extremamente sensível. Todo o dinheiro que guardei e me planejei para ter uma licença maternidade (sou autônoma), foi usado pra pagar o parto, me gerando ainda mais estresse por ocasionar instabilidade financeira com um bebê tão pequeno em casa.
Já encaminhei tudo para a ouvidoria da Metrus.
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Resposta da empresa
30/01/2026 às 13:17
Prezada Sra. Raquel,
Informamos que sua demanda já está sendo tratada pela área técnica responsável.
Reforçamos que a Ouvidoria agiu de forma proativa, recepcionando sua nova manifestação, sendo encaminhada para nós no dia de hoje, às 12:15, sendo respondida às 13:02.
Reforçamos que encaminhamos sua manifestação para área técnica responsável.
Assim que possível, prestaremos os devidos esclarecimentos, solicitamos, por gentileza, que aguarde o nosso retorno pelo chamado C2503-0170.
Cordialmente,
OUV - Ouvidoria
Al. Santos, 1827 17 andar CEP: *****
Tel: 0800-0160598
Email: [email protected]
Réplica do consumidor
03/03/2026 às 18:38
O plano demorou para me responder e praticamente me ignorou. Respondeu indevidamente citando que utilizei serviços pediátricos irrelevantes a minha reclamação, atendimentos eletivos ao recém-nascido, hospitalares genéricos (estadia, pronto-socorro) e "plantão médico" do Santa Joana, que não equivalem à assistência personalizada ao parto por obstetra com continuidade pré-natal, conforme comprovada busca exaustiva. Enviei 2 e-mails para a ouvidoria, um contestando a negativa de reembolso do obstetra e outro e-mail contestando a enfermeira. Anexei toda a linha do tempo de troca de e-mails que comprova tudo o que falei.
Consideração final do consumidor
03/03/2026 às 18:46
Plano nega reembolso mesmo não conseguindo referenciar um profissional que me atendesse dentro de um prazo previsto em lei. Meu pré-natal foi traumático: tentei encontrar um médico que realizasse parto normal durante mais de 5 meses de gestação - e precisei ficar pulando de médico em médico. A Metrus esperava que eu continuasse tentando encontrar um médico credenciado que topasse o parto normal até quando? Ficaram me enrolando e querendo que eu fosse com o plantão médico do hospital. Péssima experiência!
O problema foi resolvido?

Não resolvido
Voltaria a fazer negócio
Não
Nota do atendimento
0
Consideração final da empresa
05/03/2026 às 09:38
Prezada Sra. Raquel,
Conforme informado anteriormente por este chamado, C2503-0170, e de acordo com contato ativo realizado na data de ontem, 05/03 (protocolo: *****), reforçamos que o Metrus cumpriu com todas as suas obrigações, desde o momento da solicitação das taxas de parto até o atual momento
.
Reforçamos que, conforme informado anteriormente, não houve critérios que desqualificasse a rede credenciada, uma vez que todo o momento houve indicações de especialistas, como o ocorrido com a Clínica Alice Keiko Kanno, onde a senhora informou que não poderia ir na data agendada por ser uma consulta marcada em cima da hora, porém quando a senhora informou que não poderia comparecer, a mesma disse que iria ligar e agendar uma consulta por conta própria.
Conforme enviado nos demonstrativos anteriormente, foi evidenciado que a senhora realizou o acompanhamento pré-natal pelo Hospital Santa Joana, além de realizar o parto no prestador em questão. Foi evidenciado também que o Metrus realizou o pagamento de todo o procedimento e honorários médicos para o prestador.
Diante do exposto, reforçamos a negativa de reembolso uma vez que não houve desqualificação da rede credenciada e foi evidenciado que todo acompanhamento pré natal e parto foram realizados dentro da rede credenciada, onde houve o faturamento para rede credenciada e cobrança sob coparticipação referente aos eventos mencionados.
Obrigado.
Cordialmente,
OUV - Ouvidoria
Al. Santos, 1827 17 andar CEP: *****
Tel: 0800-0160598
Email: [email protected]