Cliente relata constrangimento e humilhação ao ser impedida de sair do estacionamento do shopping.

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São Paulo - SP

21/08/2026 às 11:04

ID: 257037313

Quero registrar aqui uma reclamação sobre um episódio muito triste que aconteceu ontem, por volta das 19h às 20h, no Shopping Morumbi Town, em São Paulo.

Vou falar de peito aberto, vou expor a minha real situação e o quanto o desenrolar de tudo isso me magoou e me feriu completamente.

Meu nome é Vanessa. Eu cuido de duas idosas. Uma delas é a minha mãe, portadora de câncer de mama e leucemia, e a outra é a minha avó, portadora de Alzheimer e que está em fase de cuidados paliativos, em um momento em que ela está morrendo aos poucos.

Eu sou muito apegada às duas. Sou a única responsável por elas e estou perdendo as duas ao mesmo tempo. E um dos programas favoritos que elas gostam de assistir na televisão, ainda que hoje já tenham dificuldades para acompanhar, é o programa da Turma do Chaves, que eu coloco pela internet para elas assistirem na TV.

Como um ato de carinho, eu pesquisei na internet onde havia máquinas da Turma do Chaves, aquelas gruas de pelúcia, porque eu queria conseguir pegar um bonequinho para cada uma delas, como uma forma de carinho, de proporcionar um último abraço antes da partida delas desta vida.

Eu fui ao shopping mais próximo porque não tenho condições financeiras de comprar o boneco original, já que ele é bem caro. Então, numa tentativa de apenas R$ 5,00, que é o valor da jogada na grua, eu fui tentar pegar um boneco para cada uma delas, como uma tentativa de proporcionar um pouco de alegria e uma despedida que eu sei que vai acontecer nos próximos dias.

Aliás, falar isso me dá um nó na garganta que eu não tenho nem como colocar em palavras.

Acontece que, quando fui ao Shopping Morumbi Town, eu sabia que havia uma tolerância no estacionamento e também sabia que as máquinas, essas gruas de pelúcia, ficavam no estacionamento. Então, rapidamente, esperei um horário bem tranquilo do shopping, mais tarde, à noite, durante a semana. Fui com o meu carro, controlando o tempo de tolerância, para tentar ver quais gruas havia no local e se tinha alguma da Turma do Chaves, de tamanho menor.

Encontrei, logo na porta, uma grua com a turma grande do Chaves.

Eu, controlando o relógio e o tempo de tolerância do estacionamento, fui tentando jogar para pegar os bonecos.

Antes de dar os 10 minutos eu imediatamente saí do shopping. Depois, dei uma volta pelo quarteirão, voltei novamente e tentei ficar mais dez minutos dentro da tolerância para ver se conseguia pegar a outra boneca para a minha avó.

Só que tive um problema na máquina.

A máquina travou e demorou para processar o pagamento pela oscilação da internet do próprio shopping. Com isso, perdi tempo ali. Chamei os seguranças para que eles pudessem me ajudar, mas nada resolveu.

Foi um sufoco.

Quando finalmente consegui cancelar a operação, saí correndo e fui tentar passar para deixar o estacionamento, a catraca não abriu e não liberou a minha saída.

Fiquei tentando passar e nada acontecia. Então, chamei pelo interfone, procurando alguém do estacionamento que pudesse me ajudar.

Foi quando um tal de Adriano atendeu o interfone.

Ele foi bastante ríspido comigo e disse que eu teria que sair para pagar.

Naquele momento, eu fiquei com o coração na mão, porque eu não tinha mais dinheiro.

Eu havia atrasado para conseguir sair justamente porque a máquina de pelúcia tinha travado e eu tinha ficado presa ali, tentando resolver o problema.

Tentei explicar toda a situação para esse Adriano. Expliquei que eu não tinha dinheiro, que eu tinha ido ao shopping exclusivamente para tentar pegar aqueles dois bonecos para a minha mãe e para a minha avó, que eu estava tentando conciliar tudo com o limite de tolerância do estacionamento e que eu tinha tido um problema com o meu cartão na máquina.

Eu falei para ele que não tinha dinheiro. Que eu não tinha nada. Fui honesta. Eu tinha dinheiro contado para tentar pegar as pelúcias na máquina.

E, mesmo assim, ele foi totalmente ríspido comigo.

Disse que eu não iria sair sem pagar e que eu poderia até chamar a polícia se quisesse.

Ele falou de uma forma tão ríspida e tão dolorida que eu simplesmente desabei.

Eu estava chorando e tentando explicar para ele que eu não tinha dinheiro. Eu só fui ali para satisfazer um desejo da minha mãe e da minha avó nos últimos momentos de vida delas. Eu estava tentando fazer algo de carinho por elas, tentando proporcionar um pouco de alegria em meio a uma situação extremamente dolorosa que estou vivendo.

E, naquele momento, fui tratada daquela maneira.

Eu desabei em choro, em desespero.

Porque a dor de perder as minhas únicas familiares que ainda tenho, a dor de ficar sozinha e, naquele momento, a sensação de estar sendo tratada como um cão, por uma pessoa que não teve um pingo de sensibilidade para compreender a situação que eu estava vivendo, foi algo que me destruiu.

Não houve sensibilidade sequer para compreender que eu havia ficado presa na própria máquina de pelúcia, com o meu cartão, enquanto tentava resolver um problema que não tinha sido causado por mim.

Eu fiquei ali completamente desconsolada e comecei a chorar.

Tive que ligar para uma amiga minha e implorar para que ela fizesse um Pix para mim, no valor do estacionamento, para que então eu pudesse realizar o pagamento.

Somente assim consegui ir embora.

E eu fiquei tão agoniada, tão aborrecida, tão chateada e tão traumatizada com toda aquela situação que não poderia deixar de relatar o ocorrido.

O que deveria ter sido um momento feliz, um momento em que eu tentaria levar um pouco de alegria para os últimos momentos das duas pessoas mais importantes da minha vida, acabou se transformando em um episódio de muita tristeza, dor, trauma e desamparo.

Eu fui ao shopping com a intenção mais simples e mais humana possível: tentar conseguir, por apenas R$ 5,00, um bonequinho para a minha mãe e outro para a minha avó, como uma pequena demonstração de amor em um dos momentos mais difíceis da minha vida.

Eu estou perdendo as duas ao mesmo tempo.

Estou cuidando sozinha de duas mulheres que amo profundamente, uma enfrentando câncer de mama e leucemia e a outra vivendo os seus últimos momentos em cuidados paliativos por causa do Alzheimer.

Eu não esperava um tratamento especial. Não esperava privilégios. Não esperava que ninguém resolvesse a minha vida.

Eu esperava apenas um pouco de humanidade.

Esperava que, diante de uma situação tão específica, em que eu expliquei que estava sem dinheiro, que o atraso havia acontecido por causa de um problema na própria máquina e que eu estava ali tentando fazer algo de carinho para duas pessoas que estão no fim da vida, houvesse pelo menos um pouco de compreensão.

Infelizmente, não foi isso que aconteceu.

Saí dali não apenas pagando o estacionamento. Saí carregando uma dor e um sentimento de desamparo que jamais deveria ter sido provocado por uma situação que poderia ter sido resolvida com um pouco de bom senso, empatia e humanidade.

Por isso, deixo aqui registrada a minha indignação e, principalmente, a minha tristeza.

Espero sinceramente que o Shopping Morumbi Town apure o ocorrido, verifique a abordagem realizada pelo funcionário Adriano e reveja a forma como situações excepcionais como essa são conduzidas.

Porque, por trás de cada pessoa que entra em um shopping, existe uma história que nós não conhecemos.

E, naquele dia, por trás daquela mulher que estava tentando sair do estacionamento, havia uma filha e uma neta tentando, desesperadamente, proporcionar um último momento de alegria para as duas mulheres que ela está prestes a perder.

Era só isso que eu estava tentando fazer.

E, infelizmente, aquele momento que deveria ter sido uma pequena lembrança de amor acabou se transformando em uma lembrança de tristeza, humilhação, desamparo e dor.

Do fundo do meu coração.

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