Perdi meu filho a 5 anos, e não consigo sequer um contato efetivo para falar sobre meu processo, um descaso total.

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São Paulo - SP

16/03/2025 às 13:47

ID: 212295431

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Inconformada com o atendimento da promotoria desse estado.
É um sistema que precariza os serviços públicos e ignora a dor dos trabalhadores e do povo pobre. Sou mãe e perdi meu único filho em um assassinato brutal, com 11 tiros. A única arma que ele tinha nas mãos eram terços e livros de oração. No dia 20 de março, completam-se cinco anos desse [Editado pelo Reclame Aqui] cometido por agentes despreparados, reflexo de um Estado que não forma seus profissionais para proteger, mas sim para reprimir e exterminar a juventude periférica. O tiro que matou meu filho foi na nucanão houve erro, houve execução.

Foram três dias de desespero aqui em São Paulo, procurando meu filho, enquanto na delegacia de Teresina sua carteira, seus documentos e seu celular estavam lá, e seu corpo já se encontrava no IML. Se eu não tivesse buscado informações por conta própria, sequer teria sabido do assassinato. O que teria acontecido? Meu filho seria apenas mais um corpo esquecido em uma gaveta? Seria enterrado como indigente? Essas perguntas me assombram todos os dias.

Destruíram minha vida. Nunca mais serei a mesma. Mas eu não vou parar enquanto esses assassinos não forem presos. Não posso aceitar que eles continuem soltos, amparados por um sistema que sempre protege os poderosos enquanto abandona as vítimas e seus familiares. Eu sei que eles têm advogados, enquanto eu, uma mãe trabalhadora, não tenho condições de pagar por um. Estou sozinha, sem apoio do Estado, apenas com a solidariedade de pessoas como a professora Madalena, de Teresina, que foi a única a me acolher quando passei um mês aí, buscando justiça. Foi graças a vaquinhas que consegui pagar pela cremação do meu filho e arcar com as passagens. Se não fosse pela ajuda dela, sequer teria onde ficar. E, mesmo depois de tudo, demorou mais de 20 dias para liberarem o corpo do meu filho. Vinte dias de sofrimento inimaginável, de burocracia desumana que trata as vítimas como números, e as mães como incômodos.

Espero todo esse tempo por justiça, e o que vejo? Assassinos soltos, atuando como se nada tivesse acontecido, protegidos por um sistema que pune os pobres e absolve os poderosos. Mas eu não vou me calar. Preciso de justiça pelo meu filho. Meu luto não será passivo. Sei que a luta é árdua, que sou uma mãe contra um sistema que não se importa com os nossos, mas não vou desistir. Porque quando o Estado executa nossos filhos e protege os assassinos, não é tragédia, é projeto.

Moro longe, dependo de um contato com o promotor e não tenho, conto com a força do povo, com a solidariedade daqueles que sabem que a nossa dor não é individual. A nossa dor é coletiva, e a nossa luta também precisa ser.

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Consideração final do consumidor

22/04/2025 às 09:14

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