Reclamação sobre nome de produto: "castanha do brasil" em vez de "castanha do pará"

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Rio de Janeiro - RJ

31/05/2026 às 12:45

ID: 250162271

Vi uma barra de cérebro Nutry com o nome "castanha do brasil", sendo que o produto é conhecido NACIONALMENTE como "castanha do pará". Queria saber por que algumas marcas insistem em forçar goela a baixo um nome que ninguém usa.

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Resposta da empresa

01/06/2026 às 09:46

Olá. Joaquim Louzano. Tudo bem?

Sementes obtidas da castanheira Bertholletia excelsa são conhecidas como castanha-do-pará ou como castanha do brasil, pois são sinônimos; mesmo nas normas do Ministério da Saúde/Anvisa as duas formas estão corretas; assim, fica a critério de cada Empresa chamar essa oleaginosa da melhor forma que atenda seus consumidores; fora do país o termo mais conhecido é castanha-do-brasil, e como nossos produtos são exportados para diversos países, contém essa designação.

Atenciosamente,
Equipe Nutry!

Réplica do consumidor

02/06/2026 às 12:13

Defender o nome castanha-do-pará em detrimento de "castanha-do-brasil" não é apenas uma questão de capricho geográfico ou preciosismo linguístico; é a salvaguarda de um patrimônio identitário, cultural e ancestral.
Ancestralidade e Respeito Histórico
A árvore Bertholletia excelsa habita a Amazônia há milênios, muito antes de o conceito geopolítico de "Brasil" sequer existir. No entanto, o comércio, o mapeamento botânico e a fama global da semente consolidaram-se a partir do Grão-Pará.
Mudar o nome para "castanha-do-brasil" sob a justificativa de "internacionalização" ou "marketing de exportação" promove um apagamento histórico. Significa pasteurizar uma identidade amazônica complexa para torná-la um produto genérico de prateleira nacional. Chamar a iguaria pelo nome do Pará é honrar a linha do tempo de sua descoberta e manejo, respeitando os povos tradicionais e a cronologia do extrativismo na região.

Cultura e o Sentimento de Pertença
A cultura do Pará respira a castanha em seu cotidiano de forma que nenhum outro estado brasileiro faz. Ela não é um mero ingrediente de exportação ou um snack saudável de supermercado; ela é a base da culinária local, do artesanato, das lendas e da economia de subsistência de milhares de famílias ribeirinhas, quilombolas e indígenas paraenses.
O manejo da castanha dita o ritmo das estações na floresta e a rotina das comunidades. O termo "castanha-do-pará" carrega consigo o cheiro da mata, o peso do ouriço e o calo nas mãos do castanheiro paraense. Desvinculá-la do Pará é esvaziar o produto de sua alma cultural.

Identidade Regossentida (O Princípio da Denominação de Origem)
Assim como a gastronomia global e nacional protege suas maiores joias através de identidades territoriais afetivas e comerciais, a castanha merece a mesma salvaguarda.
Ninguém propõe mudar o nome do churrasco gaúcho para "churrasco brasileiro", do vatapá baiano para "vatapá brasileiro", ou do queijo canastra para "queijo mineiro-geral".
Esses nomes persistem porque a identidade do produto está intrinsecamente ligada ao ecossistema cultural e geográfico de onde brotaram. Nenhum outro estado do Brasil possui sua identidade tão fundida à castanha quanto o Pará. O termo "castanha-do-brasil" dilui esse bairrismo legítimo e saudável, transformando um símbolo de orgulho regional em uma commodity nacional amorfa.

Usar o termo castanha-do-pará é um ato de justiça cultural. É reconhecer que a iguaria pertence ao lugar que a acolheu na culinária diária, que a transformou em poesia, ritmo e sustento. Defender esse nome é garantir que o Brasil e o mundo lembrem exatamente de qual solo, e de qual povo, nasce essa riqueza.