Reclamação contra Hospital Irmã Dulce por atendimento negligente, cobrança indevida e irregularidades na documentação médica

Reclamação não respondida

Não respondida

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Salvador - BA

02/06/2026 às 23:27

ID: 250403627


Venho registrar esta reclamação contra o atendimento prestado no Hospital Irmã Dulce, bem como contra a cobrança indevida, suspeitas sobre a veracidade da documentação e irregularidades na entrega dos registros médicos, conforme relato abaixo:

Meu pai, Sr. *****, passou a sentir um incômodo persistente na garganta após engasgar-se com um pedaço de carne. Com o passar dos dias, o quadro piorou progressivamente, a ponto de ele não conseguir mais ingerir alimentos nem água. Diante da situação, procurou atendimento na UPA Santo Antônio, onde o médico plantonista solicitou um raio-X que detectou obstrução no esôfago, indicando a necessidade de internação.

No dia *****, ele deu entrada na enfermaria do Hospital Irmã Dulce. Como não conseguia se alimentar, a equipe médica prescreveu soro e solução de glicose por via venosa. Três dias após a internação, foi realizado novo raio-X, que confirmou a persistência da obstrução. Diante da falta de melhora, nós familiares questionamos qual conduta seria adotada, já que ele continuava sem se alimentar.

Após a nossa solicitação, houve a tentativa de passagem de sonda, que não foi possível por causa da obstrução. A equipe então prescreveu Nutrição Parenteral Total (NPT), com a justificativa de mantê-lo estável enquanto aguardava a realização de uma endoscopia, marcada para o dia *****. Quando o exame foi finalmente realizado, o resultado da endoscopia não constatou nenhum quadro de câncer, contrariando a suspeita que os médicos haviam levantado anteriormente. Também havia o agendamento de uma ressonância magnética para o período entre os dias *****. No momento em que ele foi levado para realizar esse exame, o acesso venoso que ele possuía se perdeu. O médico plantonista presente não tinha outro profissional disponível para tentar colocar um novo acesso, o que impediu a realização do exame mais uma demonstração de total descaso com o seu atendimento.

No decorrer desse período, os dias se passaram sem que houvesse atualizações claras por parte dos médicos, nem demonstração de preocupação com o agravamento do quadro. Mesmo após a confirmação de que não havia câncer, não foi definida uma conduta efetiva para resolver a obstrução que o impedia de se alimentar. Na sexta-feira que antecedeu o seu falecimento, uma das filhas relatou que ele estava muito pálido e com dificuldade para falar; o enfermeiro plantonista respondeu que isso seria algo normal por ele estar sem se alimentar.

Também verificamos a falta de cuidados básicos: o local onde era aplicada a NPT não era trocado com a frequência devida, e foi notada a presença de secreção com pus, situação que não recebeu a devida atenção, mesmo representando risco grave de infecção. Em nenhum momento houve empenho da médica responsável para definir um tratamento adequado após o resultado da endoscopia. Durante todo o tempo, ele permaneceu desamparado, relatando constantemente sentir fome, sem que houvesse providências efetivas.

No momento em que foi necessária a entubação, os profissionais plantonistas demonstraram total despreparo: o tubo foi colocado de forma incorreta e ficou dobrado dentro da garganta do paciente. Ao percebermos o erro e relatarmos, fomos imediatamente orientados a sair do quarto, para que tentassem corrigir o procedimento. Entendemos que a falta de capacitação e o descaso desses profissionais contribuíram diretamente para o óbito do meu pai.

Após o seu falecimento, ainda tivemos que enfrentar diversas burocracias. Ao solicitar o prontuário médico, o atendente informou que seria necessário pagar o valor aproximado de R$ 250,00 para ter acesso aos relatórios, que ficariam prontos apenas após três dias. Informou ainda que a cobrança só poderia ser feita em dinheiro. Como não possuíamos o valor em mãos, fomos encaminhados para outro local, onde funciona o bazar do hospital. Lá, foi solicitado que realizássemos um Pix para um funcionário do hospital, cujo nome consta no comprovante de pagamento que possuímos. Após a transação, recebemos as cópias impressas. Ao chegar em casa e analisar os documentos, constatamos que parte do material entregue pertence a outro paciente já falecido. Diante de toda essa situação cobrança irregular, forma de pagamento suspeita e entrega de documentos incorretos passamos a desconfiar da veracidade da documentação, com receio de que os registros do meu pai possam ter sido alterados para tentar encobrir a negligência médica ocorrida durante todo o atendimento.

É importante ressaltar que, no âmbito do Sistema Único de Saúde, é vedada qualquer cobrança para acesso ao prontuário médico esse é um direito garantido por lei ao paciente e aos seus familiares, ainda mais em um momento de tanta vulnerabilidade. Além disso, a forma de cobrança realizada e a entrega de documentos de terceiros configuram graves irregularidades.

Diante de todos os fatos, solicitamos:

A apuração rigorosa do atendimento prestado e de todas as falhas médicas e de enfermagem relatadas;

A verificação da regularidade da cobrança indevida, da forma de pagamento solicitada e do fornecimento de documentos pertencentes a terceiros;

A garantia de acesso imediato e gratuito ao prontuário médico completo, correto e sem alterações, omissões ou rasuras;

As providências legais e administrativas cabíveis para que situações semelhantes não voltem a ocorrer com outros usuários.

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