Reclamação sobre compra de cotas de resort com promessas não cumpridas e falta de transparência.

Não respondida
Porto Alegre - RS
20/07/2026 às 14:57
ID: 254364797
Venho, por meio desta, registrar minha profunda insatisfação com a aquisição de cotas do Resort Castelos do Vale, em Bento Gonçalves, bem como relatar os fatos que, ao longo do tempo, demonstraram um cenário completamente diferente daquele apresentado no momento da contratação.
A compra ocorreu durante um passeio que deveria proporcionar momentos de lazer e descontração entre amigos. No entanto, fomos submetidos a uma abordagem comercial extremamente insistente, conduzida em um ambiente de forte apelo emocional e significativa pressão para que a contratação fosse realizada de imediato. Diante desse contexto, senti-me induzida a tomar uma decisão precipitada, sem o tempo necessário para analisar o contrato com cautela, refletir sobre o investimento ou buscar esclarecimentos antes da assinatura.
Mesmo tomada por dúvidas logo após a contratação, optei por honrar integralmente os compromissos assumidos, efetuando o pagamento de todos os boletos mensais enviados pela empresa. Durante esse período, acompanhei sucessivos atrasos na execução da obra, cuja entrega ocorreu muito além do prazo inicialmente prometido, gerando frustração e insegurança quanto ao empreendimento.
Entretanto, minha insatisfação não se limita aos atrasos.
No ato da venda, foi apresentada como um dos principais atrativos a promessa de uma viagem internacional com sete dias de hospedagem, supostamente sem qualquer custo. Posteriormente, descobri que essa informação não correspondia à realidade. O benefício estava vinculado ao sistema RCI e sujeito a diversas condições, taxas e limitações que jamais foram esclarecidas de forma transparente durante a negociação. Na prática, o benefício anunciado mostrou-se bastante diferente daquele que foi utilizado como argumento para influenciar a decisão de compra.
Após a inauguração do empreendimento, novas surpresas negativas surgiram. Sem qualquer participação dos cotistas em convenções condominiais ou decisões relacionadas à administração do condomínio, passei a receber boletos referentes às despesas operacionais e condominiais, juntamente com a comunicação das datas de utilização da minha cota. Essas datas foram previamente definidas e permanecem inalteráveis até o ano de 2076, sem que o proprietário tenha qualquer possibilidade de escolha ou flexibilização.
Outro aspecto que considero extremamente prejudicial diz respeito à limitação do cadastro de apenas quatro hóspedes para utilização de todas as diárias vinculadas à cota. Embora seja perfeitamente compreensível que cada unidade comporte, no máximo, quatro ocupantes por diária, não faz sentido restringir o número de pessoas autorizadas ao longo de toda a vigência da cota. Tal regra impede que diferentes familiares ou amigos utilizem as diárias em períodos distintos, ainda que sempre respeitando a capacidade máxima da unidade. Essa limitação compromete significativamente a utilização do bem, reduz sua atratividade e praticamente inviabiliza qualquer possibilidade de rentabilização.
Além disso, a comercialização das diárias também se mostra extremamente limitada. O cotista não possui liberdade para administrar ou explorar sua própria cota, ficando praticamente condicionado ao pool de locações administrado exclusivamente pela Livá, cuja operação terá início apenas meses após a inauguração do empreendimento. Na prática, o investimento apresentado como uma oportunidade de geração de renda tem se revelado uma fonte permanente de despesas, sem qualquer retorno financeiro compatível com as expectativas criadas no momento da venda.
Somam-se a isso a dificuldade de acesso a informações claras e objetivas e a evidente falta de transparência na condução das operações. Os canais de atendimento não fornecem orientações precisas, as regras são apresentadas de forma fragmentada e muitos aspectos relevantes somente são conhecidos pelos cotistas após a assinatura do contrato e o início da operação do empreendimento.
A sensação é de que as informações mais relevantes foram omitidas ou minimizadas durante a fase de comercialização, enquanto os benefícios foram amplamente destacados, induzindo os consumidores a acreditar que estavam realizando um investimento seguro, flexível e potencialmente rentável. A realidade, contudo, mostrou-se completamente diversa.
Diante de todos esses fatos, considero que houve evidente falta de transparência na oferta e na execução do empreendimento, além de significativa divergência entre aquilo que foi prometido durante a venda e o que efetivamente vem sendo entregue aos cotistas.
Assim, solicito que a empresa apresente esclarecimentos formais acerca dos pontos aqui relatados e proponha uma solução efetiva, compatível com os direitos assegurados aos consumidores pelo Código de Defesa do Consumidor, especialmente no que se refere ao dever de informação, à boa-fé objetiva e ao equilíbrio nas relações de consumo.