Meses de descaso com vício construtivo, infiltração e pós-venda incompatível com a imagem que vende no mercado

Não respondida
São Paulo - SP
05/08/2026 às 17:45
ID: 255717017
Escrevo esta reclamação como atual morador e condômino de uma unidade do empreendimento My One Bela Vista, em São Paulo.
Também sou advogado, mas este relato não tem caráter jurídico. Trata-se da experiência de um consumidor que, desde que passou a residir no imóvel, convive com um grave problema de infiltração decorrente de aparente vício construtivo e que, durante meses, tentou resolver a situação administrativamente, sem sucesso.
O problema já existia antes da minha locação e foi constatado logo após minha mudança. Desde então, tanto eu quanto a proprietária da unidade buscamos inúmeras vezes uma solução junto à P4 Engenharia.
Infelizmente, o histórico resume-se a protocolos, e-mails, promessas de retorno, respostas padronizadas e nenhum reparo efetivo.
Enquanto isso, a infiltração aumentou, a umidade se espalhou, surgiram novos danos e o imóvel continuou se deteriorando.
O mais frustrante é que a empresa jamais enfrentou efetivamente a origem do problema. Sempre havia uma nova justificativa para adiar a solução.
Durante uma das visitas técnicas, recebi orientações simplesmente inacreditáveis.
Fui informado de que o banheiro não deveria ser lavado porque a área externa ao box não possuiria impermeabilização. Também fui orientado a utilizar o banheiro com a porta aberta e evitar banhos muito quentes em razão da ventilação insuficiente.
Como se isso já não fosse suficientemente absurdo, chegou a ser mencionado, durante a própria vistoria, que essa solução seguiria um "padrão europeu", sob o argumento de que, na Europa, banheiros normalmente não são lavados. Sim, essa foi efetivamente uma das justificativas apresentadas.
Ora, o empreendimento foi projetado, construído e vendido no Brasil. Deve atender às normas técnicas brasileiras e às expectativas legítimas de qualquer consumidor. É inconcebível que um morador seja orientado a deixar de lavar o banheiro para evitar infiltrações em um imóvel novo.
Na tentativa de solucionar o problema, a proprietária chegou a custear, com recursos próprios, uma nova reforma do banheiro, incluindo revestimentos, pintura e materiais apropriados para ambientes úmidos.
O resultado foi desanimador.
Pouco tempo depois, a tinta voltou a estufar, a umidade reapareceu, o mofo retornou e os danos continuaram evoluindo, demonstrando que o problema não estava no acabamento nem no uso do imóvel, mas, ao que tudo indica, na própria construção.
Mesmo assim, durante meses a P4 limitou-se a informar que dependia do acesso à unidade vizinha para prosseguir.
O mais curioso é que, inicialmente, fui informado de que naquela parede não existiriam tubulações capazes de justificar a infiltração. Em outro momento, a empresa passou a atribuir a origem do problema ao apartamento vizinho e afirmou que dependeria de nova autorização da moradora para realizar outra vistoria.
Na própria notificação encaminhada à empresa destaquei que uma eventual necessidade de acesso ao apartamento ao lado não impede a realização dos reparos necessários dentro da minha unidade. A adequada impermeabilização das áreas afetadas e a revisão do sistema de ventilação independem da realização simultânea de qualquer intervenção na unidade vizinha.
Outro episódio resume perfeitamente o tratamento dispensado ao consumidor.
Após inúmeras cobranças, foi agendada uma nova vistoria. Reservei meu dia inteiro para aguardar a equipe técnica. Fui informado de que os profissionais estavam no condomínio e retornariam posteriormente.
Eles nunca apareceram.
Ninguém avisou.
Ninguém justificou.
Ninguém reagendou.
Simplesmente perdi um dia inteiro aguardando uma visita que jamais aconteceu.
O que mais preocupa, porém, é perceber que este caso não parece ser isolado.
Ao longo desses meses conversei com diversos moradores, proprietários, investidores e pessoas que trabalham ou trabalharam no condomínio.
Os relatos sobre infiltrações e problemas de impermeabilização são frequentes.
Recentemente, inclusive, conversei com um investidor do empreendimento que afirmou ter conhecimento de que a ausência de impermeabilização na área do banheiro situada fora do box seria uma característica comum das unidades entregues.
Também ouvi, de mais de um prestador de serviço que esteve no condomínio inclusive durante uma das vistorias realizadas na minha unidade , que esse padrão construtivo teria sido adotado deliberadamente, sob a justificativa de seguir um "modelo europeu", em que banheiros supostamente não seriam lavados. Essa explicação apenas reforçou minha preocupação, pois não faz qualquer sentido para um empreendimento construído e comercializado no Brasil.
Não tenho condições de afirmar tecnicamente que isso ocorra em todos os apartamentos. Entretanto, a quantidade de relatos semelhantes demonstra que essa preocupação não é apenas minha.
Conheço moradores que enfrentaram problemas semelhantes. Um deles, inclusive, precisou utilizar o banheiro de outra unidade durante semanas enquanto os reparos eram realizados em seu apartamento.
Como se não bastasse isso, também tomei conhecimento de outros problemas no empreendimento.
Segundo relatos de moradores e de pessoas que trabalharam no condomínio, uma das áreas comuns permaneceu durante muitos meses havendo quem afirme que por mais de um ano desde a abertura do chamado com um papel de parede completamente descolado aguardando reparo da P4. Somente há poucas semanas esse problema teria sido solucionado.
Outro exemplo envolve a jacuzzi localizada no rooftop. Ao buscar informações para utilizar o espaço, fui informado de que o sistema de aquecimento não funciona adequadamente e que sequer existe acesso apropriado ao motor para manutenção. O mais preocupante é que, segundo me foi informado, o problema não decorre apenas de um equipamento defeituoso, mas da própria impossibilidade de acesso para manutenção, o que evidencia uma possível falha de projeto ou de execução. O resultado prático é simples: uma das principais áreas de lazer do empreendimento permanece sem funcionamento pleno.
Há ainda reclamações recorrentes sobre um forte odor proveniente da lavanderia coletiva. Recentemente foram instalados dispositivos nos ralos apenas para amenizar o cheiro, mas, segundo relatos dos próprios moradores, o problema persiste.
Naturalmente, qualquer uma dessas situações, analisada isoladamente, poderia ser considerada um problema pontual.
O que chama a atenção é o conjunto da obra.
Quando diferentes moradores passam a relatar infiltrações, problemas de impermeabilização, equipamentos coletivos sem funcionamento adequado, defeitos em áreas comuns e demora excessiva para execução de reparos, surge uma preocupação legítima sobre a qualidade da execução do empreendimento e, principalmente, sobre o compromisso da construtora com o pós-venda.
O mais decepcionante é justamente o contraste entre a publicidade da empresa e a experiência vivida pelos consumidores.
A P4 Engenharia divulga certificações, excelência, qualidade e alto padrão construtivo.
Na prática, encontrei respostas automáticas, sucessivos adiamentos, pouca transparência e enorme dificuldade em assumir responsabilidades.
Problemas podem acontecer em qualquer empreendimento.
O que diferencia uma boa construtora é a maneira como ela reage quando eles aparecem.
Infelizmente, após meses de tentativas amigáveis, a impressão que ficou é de que a prioridade da P4 nunca foi solucionar a situação, mas apenas postergar a solução.
Por essa razão, além das medidas judiciais cabíveis, considerei importante tornar pública esta experiência.
Também levarei esse histórico ao conhecimento das entidades certificadoras da empresa, de seus parceiros institucionais e registrarei avaliações em outras plataformas públicas, para que futuros compradores possam conhecer não apenas a publicidade da construtora, mas também a experiência efetivamente vivida por seus consumidores.