Segurança do shopping é acusado de homofobia e tratamento desrespeitoso contra funcionária

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São Paulo - SP

20/08/2026 às 11:16

ID: 256948547

Sou funcionária de uma loja localizada dentro do Parque Shopping São Caetano (Piso L1) e sou responsável pela abertura diária do estabelecimento. No dia 20/08/2026, por volta das 09h40, cheguei no meu horário de costume para abrir a loja. Como estava muito sol do lado de fora e ainda faltavam cerca de doze minutos para a liberação da entrada, aguardei do lado interno da porta, no cantinho onde sempre fico local onde outros funcionários de lojas também costumam aguardar. Estava posicionada atrás dos seguranças, não à frente deles, parada, sem atrapalhar a passagem ou a entrada de ninguém.
Havia dois seguranças no local. Um deles, identificado como Sérgio, se aproximou de mim sem me cumprimentar, sem sequer um "bom dia". Simplesmente me olhou de cima a baixo, de forma ríspida, e perguntou "você é o quê?". Respondi que faço a abertura da loja todos os dias. Ele então disse que eu não podia ficar ali dentro, que era para eu aguardar do lado de fora. Perguntei se eu estava o atrapalhando, se estava atrapalhando a entrada do shopping.
A partir daí, ele passou a me chamar de "irmão" repetidamente, por três a quatro vezes ao longo da conversa, sempre em tom irônico e debochado, dizendo frases como "irmão, eu só estou te orientando". Expliquei a ele que, em primeiro lugar, sou mulher, e em segundo lugar, não sou irmão dele. Ele respondeu, debochado, "ah, você não é meu irmão?". Tive que repetir por três vezes que não era irmão dele e que ele deveria se atentar à forma como estava se dirigindo a mim. Mesmo assim, ele insistiu no mesmo tom, repetindo a provocação, e continuou me olhando com desaprovação por cerca de quatro minutos antes de finalmente se retirar.
Durante todo o episódio, notei que outras mulheres que chegavam para trabalhar no mesmo horário eram cumprimentadas normalmente pelo mesmo segurança. Sou uma mulher homossexual, de expressão de gênero masculinizada, o que é perceptível à primeira vista, e entendo claramente que o tratamento diferenciado que recebi está relacionado à minha orientação sexual e à forma como me visto e me expresso. Considero a conduta extremamente homofóbica e incompatível com a postura que se espera de um profissional de segurança em relação a uma trabalhadora que apenas cumpria sua rotina, sem jamais ter causado qualquer problema no local.
Após a saída do segurança, me dirigi ao outro segurança presente, perguntei seu nome e fotografei seu crachá, já que ele testemunhou toda a situação. Assim que o shopping abriu, procurei o chefe de segurança, identificado como Dantas, e relatei tudo o que havia acontecido. Ele reconheceu que não é assim que a equipe é treinada.
Possuo vídeo gravado do local no momento dos fatos e fotografia do crachá da testemunha. Já registrei boletim de ocorrência junto à Delegacia da Diversidade e Intolerância da Polícia Civil de São Paulo (protocolo 6103771/2026) e formalizei reclamação junto à administração do shopping.
Se eu, funcionária de uma loja dentro do próprio shopping, presente ali todos os dias, fui tratada dessa forma, fico extremamente preocupada com o tratamento que clientes LGBTQIA+ podem estar recebendo do mesmo profissional. Espero um posicionamento sério e público do Parque Shopping São Caetano quanto à conduta do segurança Sérgio e quanto ao treinamento da equipe de segurança terceirizada, já que representam a imagem do shopping para todos que ali circulam.

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