Reclamação em réplica

Em réplica

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Santos - SP

15/02/2024 às 13:00

ID: 182599311

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Sou beneficiária do plano de saúde da Santa Casa acredito que desde *******. Quando comecei a usar o plano eram dores de cabeça intensas, viroses e uma dor no pulso que nessa época começou a me infernizar. Inclusive até hoje não consegui saber a causa mesmo passando em vários ortopedistas porque raramente me examinam e me ouvem. O último que consultei me mandou pra reumatologia em exatos 5 minutos, não examinou nada e obviamente não receitou nada pra dor, então saí da consulta chorando de frustração e dor, mas dada a minha recente condição descoberta, que falarei para frente, não fui capaz de reclamar ou exigir um atendimento decente. Vamos para a extensa reclamação propriamente dita.

A questão toda é que estou farta com o destrato que recebo na Santa Casa de Saúde de Santos.
Toda vez que preciso ir consultar no pronto socorro é uma demora sem tamanho para fazer a ficha, outra para a triagem e uma imensa para o atendimento médico. Eu entendo que há muitos pacientes, a questão é que já busquei atendimento por motivos de crise de ansiedade severas (com pensamentos de [Editado pelo Reclame Aqui], lutando para não cometer suicídio no banheiro do hospital!!), por tombos, acidente de trabalho (atropelamento no caminho) e a demora SEMPRE FOI A MESMA. E se fosse apenas a demora eu aguentava quieta, mas o que me frustra é o completo DESCASO. A triagem tem o dom de ser inconveniente, estúpida e incompetente em todos os níveis possíveis.
Certa vez falei que estava com hemorróida e ela me encarou como se não tivesse entendido, então falei que estava com o cú doendo.

Tudo só piorou após eu receber meu laudo para TEA - Espectro Autista e Bipolar, a avaliação teve início em agosto de ******* e o laudo saiu em janeiro deste ano (*******). Apesar de ser nível 1 de suporte tenho MUITAS crises de ansiedade e quando vou ao pronto socorro buscando auxílio, sozinha, sou destratada, ignoram meu cordão do girassol E A CARTEIRA CIPTEA DE IDENTIFICAÇÃO.

Na hora não tenho condições de brigar por direitos porque estou trêmula, sem ar, pensamentos a mil, gaga, boca seca e muitas vezes não verbal. Numa dessas vezes após o soro acabar não pude comunicar enfermeira alguma por minutos porque havia uma alta demanda e nos intervalinhos ELAS NÃO PARAVAM DE FOFOCAR ao invés de dar atenção aos pacientes que ali estavam, o que me desencadeou outra crise (A FALAÇÃO DELAS POR CERTEZA FOI UM DOS FATORES QUE ME DESREGULOU). Uma outra paciente precisou alertar a enfermeira que a atendia sobre mim, pois viu o meu desconforto enquanto nenhuma atendeu viu por mais de meia hora. Um anjo que sequer pude agradecer, pois estava não-verbal devido a crise, usando meu foco para tentar me acalmar diante da situação. A enfermeira da paciente então pediu para tirarem o meu soro, mas a outra só respondeu que já ia, uns 3/4 minutos depois, e a essa altura eu já aos prantos, me contorcendo na poltrona, quando "minha" enfermeira enfim veio me atender e foi estúpida e VIOLENTA, arrancando o acesso com tanta violência e descaso, resmungando "Se não precisa mais voltar pro médico, acabou, pare de choro e deixe pra fazer manha em casa".
Obviamente tive outra crise, que aqui já devem saber que foi meltdown. Surtei fora do hospital, no chão. Uma senhora que esperava o marido e a moça das senhas me acudiram, conversando, e me oferecendo com água e chocolate.

Eu deixei um rastro de sangue literalmente pois a veia estourou de inchaço com a negligência, descaso e brutalidade da enfermeira. Manchou roupa, chão e até mesmo o banco do Uber que pedi para voltar para casa. Meu erro foi não ter gravado nada na hora. Aliás aqui fica um grande problema, pois nessas horas eu estou completamente sem controle de emoções, por vezes de ações e do meu próprio corpo, ficando incapaz de racionalizar a situação de maneira prática. Mas ao me ver respondendo racionalmente alguma ou outra coisa com muito esforço, logo acham que está tudo bem e que "não tenho nada". Ou por outro lado, em outras ocasiões me tratam como uma pessoa com deficiência intelectual severa, que não é o MEU caso. Agora mesmo, escrevo bem, certo? Sou uma autista adulta, sou professora de língua portuguesa e mestre em letras. Quando estou estabilizada, falar, palestrar, ou discorrer algo nunca é problema. Sou muito comunicativa. Meu hiperfoco em estudo, literatura e línguas ajuda muito neste caso. Mas na hora que estou recorrendo a vocês, Santa Casa, é quando não estou em domínio de minhas capacidades e que preciso de atendimento, de suporte, de amparo.

Quando preciso ir consultar sozinha tenho que aturar que não me dêem a senha prioritária/preferencial ao ver meu cordão, e quando consigo pedir, dizem que não me encaixo mesmo identificada com CIPTEA viável, literalmente pendurado em meu pescoço. Aí me dão a contragosto e vão informar no balcão sei lá o que, mas que sempre me fica a impressão de julgamento e descaso, impressão essa que quase sempre se concretiza no atendimento seguinte.

Ontem fui ao médico novamente. Motivo? Uma INTENSA dor no peito que me tirou o ar, me deixou sem fôlego e INCAPAZ de respirar enquanto estava no banho. Eram 7 da manhã, quando caí ao tentar pedir ajuda pro meu namorado que estava dormindo.
Meu namorado solicitou a senha, perguntaram o porquê, ele mostrou a credencial e o cordão de girassol e a contra gosto a moça me deu a senha, não sem antes ir no balcão (talvez constatar). A demora foi menor para ser chamada, mas o guichê que me chamou era numa sala separada (guichê 5), sem janela, em um balcão fechado. Fiquei mega desconfortável e a atendente precisou repetir perguntas básicas do cadastro duas ou mais vezes.

Aí veio a "santa triagem", o primeiríssimo cavaleiro do apocalipse. Não exijo que me atendam com simpatia, é um hospital, é normal estar cansado de plantões. Não quero um carisma forçado, mas quero SER OUVIDA e não ser tratada como uma ameba ambulante.

Falei do motivo que fui consultar, e ao ver minha saturação *******la olhou para meu namorado e logo disse "SE ela estivesse com falta de ar estaria com menos de 90"
Meu peito doía MUITO para respirar e embora conseguisse respirar eu não juntava fôlego, como quando se engole água e engasga tossindo diversas vezes e lutando para poder respirar direito, a fala era cortada e curta pela falta de fôlego, mas não, eu "não tinha problema respiratório" e aparentemente também era uma criança mimada sendo acompanhada pelo pai.
"Vai passar no clínico ou no ortopedista?"
Hello? Autista?! Pra mim ortopedista é pra osso quebrado, eu não tinha nenhum. E só caí porque faltou o ar então era meio óbvio que eu não tinha a menor ideia de como responder.

Meu namorado interviu NOVAMENTE falando por mim e ela me mandou pro clínico. Foi outra espera absurda. Até que fui atendida.
A doutora apesar de pontual estava com pressa de me descartar. Ignorou a dor no peito, não verificou com estetoscópio mesmo após relatar que tive episódio de bronquite asmática. Disse que era só ansiedade e ia me passar pro ortopedista. Insisti, meu namorado comigo relatando que era incomum. Então ela cedeu e deu mais ouvidos ao relato. Me deu remédio pra ansiedade e para as dores do cóccix e dos pulsos.

Outra demora para medicação e quase 50 minutos pra retornar pra doutora sendo que foi dito que voltaria em 30. A questão? Erro das enfermeiras incompetentes que falam uma coisa e fazem outra.
Demos meu nome e o consultório, foi dito que chamariam no painel, ficamos a espreita até cansarmos e fui sentar porque eu estava de jejum e já passava do meio dia. Meu namorado viu um casal que a enfermeira avisou estar na nossa frente e retornou a dizer para esperar que o nome sairia no telão. Mais 15 minutos e quando ele foi checar, havia acabado de entrar alguém em primeira consulta. O meu retorno elas enfiaram sabe-se lá onde.
Dessa vez ficamos na porta, esperando a médica chamou meu nome e entrei.
Fim da odisseia que foi MUITO facilitada porque meu namorado fez os comentários, perguntas, solicitações que eu sou incapaz de fazer devido as comorbidades da minha condição, pois me sinto uma estranho no ninho diante desse tipo de socialização incordial, informativa e "sem demora".

Meu cérebro funciona diferente, tenho hipersensibilidade sensorial a luz, temperatura e sons, ansiedade e fobia social, mutismo ou não verbalismo em momentos de tensão ou tagararelo rápido e de forma desconexa em outros contextos. Meu humor muda (tem certos ciclos, mas pode ocorrer várias mudanças no mesmo dia quando estou em hipomania) de tal forma que durante minha avaliação de TEA a neuropsicóloga chegou até mesmo a desconfiar de um tipo de transtorno de múltipla personalidade.

Para concluir, minha principal reclamação é das enfermeiras de modo geral: triagem em especial (a impressão que fica é que colocam qualquer um ali) e atendimento. Só respondem com educação e com cuidados quando o acompanhante do paciente surta ou o próprio paciente faz barraco. Eu não tenho condições de fazer barraco então sofro em silêncio, chorando, me mordendo, beliscando, arranhando, desejando pela [Editado pelo Reclame Aqui] no meu lugar. Já fiz uma reclamação por escrito destas questões junto a falta de profissionalismo e competência para lidar com uma pessoa TEA e/ou ainda em crise de ansiedade, meltdown ou o que for.

Reitero aqui que me sinto completamente desamparada por um plano que me faz desembolsar quase ******* reais por mês.
Estou com fotos dos meus hematomas causados em crise, dos horários de espera de atendimento, de relatório de psiquiatra que simplesmente ignorou completamente minhas demandas, da reclamação, além de registro da CLARA RECUSA por me atenderem na equipe multi para me ajudar nas minhas crises, em especial as sensoriais e anexei tudo junto a essa reclamação para procurar por meus direitos.

Não quero um plano de saúde que me atende porcamente, ignora minhas NECESSIDADES e demandas, me faz ter crises DURANTE O ATENDIMENTO e em nenhuma das pelo menos 9 vezes que fui consultar por crise de ansiedade me encaminharam ou me permitiram passar por um psiquiatra. Psiquiatria só por agendamento, num telefone que nunca atendem (e tenho problemas de ansiedade na espera dessas chamadas telefônicas também) para o prazo mínimo de 40 dias com possível encaixe dentro de um mês.
Se estou em crise, me depreciando fisicamente, me colocando em risco, vou esperar um mês por atendimento como?

Tenham bom senso, estudem as leis para PCDs, leiam a [Editado pelo Reclame Aqui] da proposta que a Santa Casa vende de ATENDIMENTO HUMANIZADO. Preparem seu pessoal, suas enfermeiras principalmente, mas seus médicos também. E por favor TRIAGEM E FICHA para TEA, sobre como lidar com um TEA. O mínimo já ajudaria e é nosso DIREITO previsto POR LEI.

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Resposta da empresa

16/04/2024 às 11:04

Prezada cliente,

Primeiramente, pedimos desculpas pelo transtorno causado. Agradecemos sua manifestação, pois ela é muito importante para o aprimoramento dos nossos atendimentos.

Diante do exposto, direcionaremos sua mensagem aos setores responsáveis para que a operadora seja informada e busque alternativas para solucionar esse tipo de demanda.

Para sua comodidade, gostaríamos de informá-la sobre os canais de atendimento da operadora à disposição:

Central de atendimento 24 horas:

Telefone:******* - Opção: Plano de Saúde

E-mail: *******

Estamos à disposição para auxiliá-la em todas as etapas do processo e garantir a sua completa satisfação.

Atenciosamente,
Plano Santa Saúde

Réplica do consumidor

18/04/2024 às 11:37

Responderam à minha reclamação com dados de contato que já sou obrigada a utilizar e não resolveram nada. Podem ter certeza que na primeira oportunidade eu cancelo esse plano. Não retiro minhas reclamações, reitero: o atendimento à pessoa TEA é um DIREITO previsto POR LEI. Quando estou sozinha sou completamente destratada na Santa Casa, a unidade da Ana Costa é que salva por ter um atendimento mil vezes melhor. No entanto, ainda é frustrante ir à Santa Casa pra um pronto atendimento e mendingar o atendimento que é meu direito. Ademais, que tipo de equipe MULTI/TEA não está capacitada para atender adulto no espectro? O atendimento INTEGRAL é previsto pela LEI N 12.*******, DE 27 DE DEZEMBRO DE *******:

Art. 3 São direitos da pessoa com transtorno do espectro autista:
[...]
III - o acesso a ações e serviços de saúde, com vistas à atenção integral às suas necessidades de saúde, incluindo:

a) o diagnóstico precoce, ainda que não definitivo;

b) o atendimento multiprofissional;

c) a nutrição adequada e a terapia nutricional;

d) os medicamentos;

e) informações que auxiliem no diagnóstico e no tratamento;

Fiz a avaliação neuropsicológica pelo plano, porque não posso contar com o atendimento que preciso? Caso não saibam, crianças TEA crescem e se tornam adultos TEA. Meu diagnostico veio tardio devido a minha outra condição e histórico pessoal mas não implica que preciso menos de um https://******* contrário, estou numa condição que luto diariamente contra a vontade de acabar com tudo. Basta pesquisar que encontra que 28% dos autistas de nível 1 já pensaram, ou pensam constantemente, em tirar a própria vida. No dia 26/02 eu fui internada na ala psiquiátrica da Santa Casa onde felizmente fui bem atendida. Os profissionais desta ala estão de parabéns. No entanto ao voltar para minha vida diária e trabalho estou enfrentando demandas para as quais não estou dando conta. Se eu der cabo de tudo quero deixar registrado que vocês dividirão a culpa por não me fornecerem o tratamento de que preciso mesmo sendo meu direito e eu estar PAGANDO por ele.