Ruído metálico recorrente e trepidação no motor Fiat Pulse Abarth

Reclamação não respondida

Não respondida

Reclamar dessa empresa

São Paulo - SP

07/03/2026 às 11:06

ID: 242590395

Consumidor: ***** Veículo: Fiat Pulse Abarth Placa: ***** Fabricante: Fiat / Stellantis Concessionária: Fiat Original Guarulhos Centro - ***** / CNPJ *****
1. OBJETO DA RECLAMAÇÃO
O presente documento tem como objetivo registrar formalmente vício de funcionamento recorrente no veículo, caracterizado por:
Ruído metálico de impacto extremamente alto proveniente do conjunto motriz.
Ocorrência intermitente e não segue um padrão previsível.
Manifestação em baixa velocidade e baixa rotação.
Presença de trepidações perceptíveis no motor.
1.1 CONDIÇÃO DO VEÍCULO NOVO
Ressalta-se que se trata de veículo novo, ainda dentro do período de garantia, cuja expectativa legítima do consumidor é de funcionamento regular, confiável e compatível com os padrões de qualidade estabelecidos pelo fabricante.
3.1 ENCAMINHAMENTO DO VÉICULO PARA DIAGNÓSTICO 18/02/2026
No dia 18/02/2026, o veículo foi encaminhado pela terceira vez à concessionária para diagnóstico do ruído metálico.
O ruído é facilmente audível mesmo com vidros fechados, ar-condicionado ligado e som em volume ambiente, demonstrando intensidade anormal.
3.2 Retirada do veículo e persistência do defeito 27/02/2026
No dia 27/02/2026, fui informado pela consultora Larissa que o problema teria sido causado por parafuso do conjunto de freio com torque incorreto, além de reaperto geral da suspensão.
Segundo a concessionária, o veículo havia sido testado e o ruído não havia ocorrido.
Entretanto, ao sair com o veículo ainda dentro da concessionária o ruído voltou a ocorrer, demonstrando que o defeito não havia sido solucionado.
3.3 TESTE DE RODAGEM COM MECÂNICO
Foi realizado novo teste com o mecânico Davi, em diferentes condições:
Vidros abertos e fechados.
Aclive e declive.
Em marcha D e marcha à R.
Velocidades aproximadas entre 5 km/h e 15 km/h.
Durante o teste, tanto eu quanto o mecânico ouvimos claramente o ruído metálico.
O fenômeno ocorre de forma aleatória, não sendo reproduzido continuamente.
3.4 TESTE ESTÁTICO COM O VEÍCULO
Na concessionária foi realizado teste estático:
Marcha D.
Freio pressionado.
Leve aceleração.
Durante o teste:
Rodas, freios, suspensão e escapamento foram observados.
Nenhum problema foi identificado nesses componentes.
Ao abrir o capô, foi possível perceber que o ruído vinha da região do motor.

3.5 AVALIAÇÃO DO SUPERVISOR E REGISTRO EM VÍDEO
O supervisor da oficina Caio foi acionado para acompanhar o teste.
Durante esse procedimento:
Foi registrado vídeo superior a um minuto.
Em determinados momentos o motor operava normalmente.
Quando o ruído ocorria, surgiam trepidações perceptíveis.
Esse comportamento foi observado pela equipe técnica.
3.7 RETORNO Á CONCESSIONÁRIA 06/03/2026
Ao comparecer à concessionária em 06/03/2026, fui informado que nenhum reparo havia sido realizado.
O supervisor da oficina afirmou que o ruído seria normal da válvula da turbina (wastegate).
4. INCONSISTÊNCIA NOS DIAGNÓSTICOS
Ao longo das avaliações foram apresentadas causas diferentes para o mesmo problema:
Inexistência de ruído
Problema na suspensão
Problema no sistema de freio
Comportamento normal da válvula da turbina
Essa sucessão de diagnósticos divergentes evidencia ausência de diagnóstico técnico conclusivo.
4.1 ANÁLISE TÉCNICA DA JUSTIFICATIVA APRESENTADA PELA CONCESSIONÁRIA
Durante a avaliação realizada na concessionária, foi informado pelo supervisor da oficina que o ruído metálico seria um comportamento normal da válvula de controle da turbina (wastegate) e que, portanto, não haveria reparo a ser realizado.
Entretanto, essa justificativa não encontra respaldo técnico quando analisado o funcionamento do sistema de sobrealimentação do motor.
Em motores turbo, como o utilizado no Fiat Pulse Abarth, a válvula wastegate tem a função de regular a pressão da turbina. Em condições de aceleração e rotação mais elevada, especialmente acima de aproximadamente 2000 rpm, o turbo permanece pressurizado e a wastegate passa a atuar continuamente modulando a pressão do sistema.
Nessas condições de funcionamento, a válvula realiza sucessivas aberturas e fechamentos para controle de pressão, o que significa que, caso o ruído metálico fosse realmente característico desse componente, ele deveria ocorrer de forma constante ou repetitiva durante essa fase de operação.
Contudo, observa-se exatamente o contrário:
Acima de aproximadamente 2000 rpm o ruído não ocorre
O turbo permanece pressurizado e a wastegate atuando normalmente
O funcionamento do motor torna-se mais estável e sem ocorrência do ruído
Esse comportamento contradiz a hipótese apresentada pela concessionária, pois demonstra que mesmo com a atuação contínua da wastegate o ruído não se manifesta.
Além disso, quando o ruído ocorre em baixa rotação, observa-se trepidação no motor, fenômeno que não é compatível com o funcionamento normal de uma válvula de controle de turbina.
Portanto, do ponto de vista técnico, o comportamento registrado não condiz com característica de funcionamento da válvula wastegate, indicando a necessidade de diagnóstico mais aprofundado do conjunto motriz e dos componentes associados ao sistema de sobrealimentação, uma vez que há indícios de que o diagnóstico inicialmente apresentado possa ter sido equivocado ou incompleto, devendo ser analisados outros componentes do sistema que possam estar relacionados à origem do ruído.
Essa análise reforça que a justificativa apresentada pela concessionária não possui coerência técnica e não pode ser considerada explicação válida para o fenômeno observado.
Diante da ausência de diagnóstico técnico consistente e da persistência do comportamento anormal do veículo, o problema deve ser tratado como vício de funcionamento do produto.
4.2 CONSIDERAÇÃO SOBRE A ALEGAÇÃO DE OCORRÊNCIA EM OUTROS VEÍCULOS
Durante diálogo com o supervisor da oficina, Sr. Caio, foi afirmado que poucos veículos do mesmo modelo também apresentariam ruído semelhante, argumento utilizado para sugerir tratar-se de característica do veículo e para induzir a aceitação do produto nessas condições.
Mesmo que existam relatos de ocorrência semelhante em outros veículos, isso não constitui evidência técnica de normalidade, podendo, ao contrário, indicar possível recorrência de falha de componente, problema de montagem, desgaste prematuro ou eventual característica de defeito em lote de produção.
Em engenharia automotiva, a presença de um mesmo sintoma em múltiplos veículos não caracteriza automaticamente comportamento normal, podendo representar indício de problema sistêmico que demanda investigação técnica mais aprofundada pela fabricante.
Portanto, a alegação de que outros veículos apresentariam ruído semelhante não invalida a existência de anomalia, nem substitui a necessidade de diagnóstico técnico preciso para identificação da origem do ruído metálico observado.
Contudo, cabe destacar que já conduzi outros veículos do grupo Stellantis equipados com motorização 1.3 turbo T270 (GSE turbo) inclusive modelos como Jeep Compass, Jeep Renegade e Fiat Toro, que utilizam arquitetura mecânica à do Fiat Pulse Abarth.
Em nenhum desses veículos foi observado ruído metálico de impacto ou comportamento semelhante ao apresentado, tampouco qualquer ocorrência de trepidações associadas ao funcionamento do motor em baixa rotação.
Essa comparação prática reforça que o fenômeno observado não corresponde a uma característica normal de funcionamento do conjunto motriz, mas sim a um comportamento anômalo que demanda diagnóstico técnico adequado
5. QUEBRA DE CONFIANÇA NO PRODUTO
Diante da reincidência do problema, da ausência de diagnóstico conclusivo e das justificativas contraditórias apresentadas pela rede autorizada, resta caracterizada quebra objetiva da confiança no produto e na assistência técnica.

Compartilhe