Irregularidades trabalhistas e rescisórias na Grupo Pasquali

Não respondida
São Paulo - SP
16/07/2026 às 20:46
ID: 254127087
Venho, por meio desta, registrar denúncia contra a empresa Grupo Pasquali, inscrita no CNPJ n 03.304.867/0001-29, onde trabalhei no período de 11/05/2026 a 24/06/2026, em razão de diversas irregularidades ocorridas durante o vínculo empregatício e no processo de rescisão contratual.
Fui contratado após receber uma carta-proposta e manter conversas com a recrutadora, nas quais foi informado que atuaria como Analista de Atendimento e Experiência do Cliente Pleno, com foco nos canais Reclame Aqui, Consumidor.gov.br e atendimento por e-mail. Também foi informado que eventuais ligações seriam realizadas de forma ativa quando necessário, e não que eu permaneceria em atendimento receptivo durante toda a jornada. Inclusive, o cargo oferecido era de Pleno, com remuneração superior, porém posteriormente verifiquei que minha contratação foi realizada em condições diferentes das informadas durante o processo seletivo.
Entretanto, poucos dias após minha admissão, sem qualquer treinamento adequado, fui direcionado inicialmente para atendimento por e-mail utilizando respostas padronizadas. Em seguida, fui comunicado de que passaria a realizar e receber ligações, sendo colocado integralmente em atendimento receptivo (SAC), atividade completamente diferente daquela apresentada durante o processo seletivo e na proposta de contratação.
Diante dessa situação, procurei minha supervisora e minha gerente, apresentando a carta-proposta e os registros das conversas com a recrutadora que comprovavam as atribuições informadas no momento da contratação. Também relatei que o atendimento telefônico me causava crises de ansiedade e solicitei um remanejamento para atividades compatíveis com a função originalmente ofertada. A resposta recebida foi de que não havia qualquer possibilidade de remanejamento.
Informei que, caso sofresse uma crise durante um atendimento, poderia ser obrigado a interromper a ligação ou me retirar momentaneamente. Dias depois, isso efetivamente ocorreu. Durante a crise, fui tratado com descaso, sendo apenas levado para uma sala para respirar. A empresa não possui enfermaria nem estrutura adequada para prestar atendimento aos funcionários em situações de emergência, contando apenas com um bombeiro, sem equipamentos ou recursos suficientes para prestar o atendimento necessário.
Dois dias após esse episódio, fui desligado sob a justificativa de que, como não poderiam me remanejar, a empresa optaria pela rescisão do contrato.
Contudo, posteriormente tomei conhecimento de que outros funcionários foram remanejados de produto, deixando de atuar nos canais Gov e Reclame Aqui para trabalhar com atendimento por e-mail e voz, demonstrando que o remanejamento era possível. Tal situação evidencia tratamento desigual entre empregados, com indícios de segregação, favorecimento de determinados funcionários e diferenciação de tratamento por parte da supervisão e da gerência, sem critérios objetivos e isonômicos.
Além disso, ocorreram diversas irregularidades no encerramento do contrato de trabalho. A empresa não realizou o pagamento das verbas rescisórias dentro do prazo legal de 10 dias, não efetuou o pagamento da multa prevista no art. 477, 8, da CLT em razão do atraso, apresentou cálculos rescisórios com inconsistências, não encaminhou o Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho (TRCT) para assinatura até o presente momento e não forneceu a documentação rescisória obrigatória. Também verifiquei que não houve depósitos de FGTS durante o período trabalhado.
Após meu desligamento, tomei conhecimento de outras situações que demonstram possíveis irregularidades recorrentes na empresa. Atualmente, a empresa mantém processo seletivo aberto para a área de cobrança, enquanto diversos trabalhadores relatam atrasos no pagamento de benefícios, como vale-transporte (VT) e vale-refeição (VR), situação que, segundo relatos, já ocorria durante o período em que eu trabalhava na empresa. Também fui informado de que existem casos de ex-funcionários que continuam recebendo esses benefícios mesmo após o encerramento do vínculo empregatício, ao passo que empregados ativos permanecem com benefícios em atraso, indicando possível falha na gestão administrativa e de folha de pagamento. Solicito que esses fatos também sejam apurados pelos órgãos competentes.
Diante dos fatos, solicito que o Ministério do Trabalho apure as possíveis irregularidades praticadas pela empresa, especialmente quanto à alteração das atividades para as quais fui contratado, ausência de treinamento adequado, tratamento inadequado durante uma crise de ansiedade, possível dispensa discriminatória, tratamento desigual entre funcionários, com indícios de segregação e favorecimento por parte da gestão, ausência de recolhimento do FGTS, atraso no pagamento das verbas rescisórias sem o pagamento da multa legal, erros nos cálculos rescisórios, ausência da entrega da documentação obrigatória da rescisão e eventuais irregularidades na administração e no pagamento de benefícios aos empregados.