Negativa de reembolso e falta de acesso após investimento de R$ 2.000 em mentoria

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São Paulo - SP
07/08/2026 às 14:09
ID: 255883511
Investi R$ 2.000, nunca tive acesso à mentoria e saí com uma grande decepção.
Participei do evento Legado Digital porque acreditei no propósito apresentado. Mais do que uma mentoria, o que me motivou foi o discurso de valores cristãos, ética, transformação e integridade. Foi por confiar nesses valores que tomei a decisão de investir R$ 2.000 no próprio evento. Porém, apesar de ter pago um valor expressivo, não tive acesso ao grupo, à plataforma, às aulas ou a qualquer conteúdo da mentoria. O acesso somente seria liberado após novos pagamentos. Ou seja, paguei R$ 2.000 e não recebi absolutamente nenhuma prestação de serviço.
Tive uma situação financeira que se agravou e solicitei o cancelamento, expliquei que jamais utilizei a mentoria. Não assisti a uma aula. Não entrei na plataforma. Não participei do grupo. Não consumi qualquer conteúdo, porque nunca me deram o acesso (mesmo eu tendo investido R$ 2.000,00). Ainda assim, o reembolso foi negado. A justificativa foi de que os R$ 2.000 representavam apenas uma "reserva de vaga", prevista contratualmente.
Se o valor pago não concede acesso a qualquer parte do serviço, se o consumidor permanece sem receber absolutamente nada até realizar um novo pagamento elevado e, ao mesmo tempo, perde integralmente o valor investido caso não consiga prosseguir, é legítimo questionar se esse modelo contratual realmente preserva o equilíbrio que deve existir nas relações de consumo.
O Código de Defesa do Consumidor não protege apenas a existência de contratos. Ele também protege princípios como a boa-fé, a transparência, o equilíbrio contratual e veda cláusulas que possam colocar o consumidor em desvantagem excessiva. É justamente por acreditar nesses princípios que decidi tornar pública minha experiência.
Escrevo essa reclamação não apenas porque quero o reembolso de um serviço que nunca tive a oportunidade de utilizar (MESMO PAGANDO UM VALOR CONSIDERÁVEL), mas também porque acredito que empresas que utilizam valores cristãos como parte do seu posicionamento assumem uma responsabilidade ainda maior diante dos consumidores.
Como cristã, aprendi que ética não se revela apenas quando o contrato favorece a outra parte. Ela se revela principalmente quando existe a possibilidade de agir com justiça, compaixão e boa-fé.
A legalidade de uma cláusula pode ser discutida, mas será que é coerente com os valores que a empresa prega receber R$ 2.000 de um cliente que nunca teve acesso a um único minuto da mentoria e, ainda assim, negar qualquer possibilidade de solução?
Da minha parte, fica a profunda frustração de perceber uma grande incoerência entre o discurso apresentado no palco e a forma como fui tratada após a contratação.
Depois que realizei o pagamento, o contato da empresa teve um único objetivo, que é cobrar a continuidade dos pagamentos. Em nenhum momento fui procurada para falar sobre o meu desenvolvimento, explicar como funcionaria a mentoria, buscar uma alternativa para que eu pudesse iniciar o programa ou demonstrar qualquer preocupação em relação ao serviço que, em tese, eu havia contratado.
Mesmo tendo investido R$ 2.000,00, jamais recebi qualquer acesso ou prestação de serviço. A sensação que ficou foi de que, naquele momento, o relacionamento deixou de ser sobre pessoas e passou a ser apenas sobre a conclusão do pagamento.
Repito: para uma empresa que fundamenta seu posicionamento em princípios cristãos, essa experiência me causou uma enorme decepção. Porque valores como boa-fé, transparência, cuidado e justiça se demonstram em todas as situações, e não apenas no discurso inspirador apresentado durante um evento.