"Fui deformada por cirurgia mal realizada e ainda recebo notificação extrajudicial tentando me silenciar"

Não respondida
Osasco - SP
09/05/2025 às 20:25
ID: 216714003
Essa reclamação foi publicada há mais de 1 ano
Ver todas ReclamaçõesDR. *****, brasileiro, médico, CRM-RJ n *****.
Meu nome é Érika Rocha, tenho 45 anos, moro em ***** e viajei para o Rio de Janeiro para realizar o sonho de uma cirurgia plástica.
Procedimentos: explante de silicone, mastopexia, lipoenxertia, lipoaspiração, rinoplastia e enxerto na depressão lateral do glúteo, caso sobrasse gordura.
Eu já estava super magra, com pouca gordura, e resolvi fazer a lipoaspiração para remover o pouco de gordura que eu tinha, com um único propósito: ao fazer o explante do silicone, desejava que meus seios ficassem com um contorno bonito, e com a lipoenxertia estaria realizando esse desejo.
Durante a consulta pré-operatória, realizada em 29/11/2024, no consultório do Dr. Renato Tatagiba, na *****, o médico confirmou expressamente sua capacidade para realizar todos os procedimentos conforme solicitado. O doutor garantiu que a gordura extraída seria injetada nas mamas para dar contorno e corrigir assimetrias, sem aumentar o volume.
Dia 12/02/2025.. o que era para ser um sonho, se tornou um pesadelo.
Operei no Hospital Barra Plástica do Rio de Janeiro, na YP Clínica Cirúrgica da Barra Ltda, localizado na ***** RJ.
Antes de entrar para a sala cirúrgica, o Dr. Renato entrou no meu quarto para me marcar. Ele estava em uma correria, não me marcou com precisão. Antes de sair, pedi que ele assistisse novamente a um vídeo que compilei com todos os procedimentos e técnicas que desejava desde a cicatriz da mastopexia, a lipoenxertia, o enxerto na depressão lateral do glúteo, a lipoaspiração, até o modelo de nariz que eu tanto almejava. Ao sair do quarto, ainda falei: Doutor, capricha na minha cirurgia, e ele afirmou que ficaria melhor do que eu esperava, como todas as outras que ele já realizou.
Logo após a cirurgia, com a cinta modeladora e o tampão no nariz, eu não conseguia saber se tudo tinha ocorrido conforme o combinado. Antes de sair do hospital, ele me fez tomar um anticoagulante na perna, o que resultou em um hematoma enorme da virilha até o joelho efeito colateral do medicamento.
Chegando no apartamento, no bairro do ***** comecei a passar muito mal, com dores insuportáveis e enjoos. Vomitei três vezes. Os remédios não faziam efeito. Pedi ao doutor uma autorização para abrir um sinistro do seguro cirurgia, para poder ser medicada. Ele negou a autorização, dizendo que o seguro funcionava por reembolso. Porém, essa informação não era correta. Ele deveria ter me fornecido uma autorização, conforme as normas do seguro, para abrir uma intercorrência e assim usar o pronto-socorro do hospital credenciado. No fim, fiquei apenas com os remédios via oral, que estavam destruindo meu estômago.
Minha passagem de volta para São Paulo estava marcada para 15/02/2025. Ao chegar ao aeroporto da GOL, fui impedida de embarcar por não ter autorização do médico, pois ainda estava com pontos no nariz. No quarto do hospital, eu havia avisado ao médico sobre a data da viagem, mas ele não me deu a autorização de voo. Como eu não sabia que precisaria disso, acabei não embarcando. A passagem foi remarcada para o dia 22/02/2025. Fui orientada a solicitar que meu médico preenchesse o formulário MEDIF, entrando em contato com o médico da GOL para autorizar o voo. A Silvana, assistente do doutor, se negou a preencher o formulário, alegando que apenas a autorização médica era suficiente e que nunca tiveram problemas com isso.
A retirada dos pontos no nariz estava agendada para 19/02/2025, na clínica da Barra da Tijuca, às 14h. Assim, eu viajaria tranquila, sem pontos. No entanto, fui informada que não haveria ninguém para me atender nesse dia. Minha nova passagem estava marcada para 19/02/2025, às 20h45. Ao chegar ao aeroporto, fui impedida de embarcar pela segunda vez, pela ausência do formulário MEDIF. Tive enorme prejuízo, debilitada, sozinha, com malas pesadas no aeroporto. Acabei comprando passagem de ônibus e enfrentei uma viagem de 9 horas, que piorou meu quadro: estava muito inchada, cheia de hematomas, com dores que só me prejudicaram e acumulei seroma nas costas e na barriga.
Ao chegar em São Paulo, no dia 20/02/2025, fui direto para a clínica do doutor para retirada dos pontos e minha primeira drenagem linfática.
O que deveria ser uma drenagem linfática, foi uma massagem relaxante feita pela enfermeira Sandra, que não percebeu que eu estava cheia de seroma.
Insatisfeita, no dia 21/02/2025 fechei um pacote com a clínica Neide Estética, em *****. Já na avaliação, foi identificado o seroma e iniciei os primeiros atendimentos corretos, com drenagem linfática e uso de equipamentos para tratar inflamações e edemas.
No dia 27/02/2025, na primeira reavaliação pós-cirurgia, relatei todas as minhas insatisfações:
O principal motivo da lipoaspiração era retirar o pouco de gordura que eu tinha para injetar nos seios com a técnica de lipoenxertia. Ele não executou o enxerto nas mamas e injetou os 300g de gordura na parte superior do glúteo, onde eu não havia autorizado.
O seio direito sofreu retirada excessiva de pele, ficando desproporcional em relação ao esquerdo. A aréola direita foi tensionada demais, enquanto a esquerda ficou com pregas visíveis. A diferença entre as aréolas, medida do centro do tórax até cada uma, é de 1 cm: o lado direito está a 8 cm, o esquerdo a 9 cm evidenciando erro grosseiro de marcação. Pedi cicatriz pequena e delicada, e ele fez o oposto me mutilou até as axilas. Parece que fui costurada com arame. Sinto dores nas cicatrizes e estão formando queloides, algo que nunca tive.
Quando questionei, ele ironizou: Querida, olha no espelho e veja se tinha necessidade de colocar gordura nesse seio.
Ora, se não havia necessidade, por que mentiu dizendo que faria o enxerto para dar contorno e beleza às mamas? Me enganou por ganância. Ao meu ver, ele nunca fez essa técnica. Se soubesse disso, teria escolhido outro profissional.
Também questionei o motivo de ter injetado gordura na parte superior do meu glúteo sem minha autorização. Ele respondeu: Querida, você não tinha gordura suficiente. Quando faço lipo nas costas, já injeto no glúteo para não ficar virando a paciente.
Mas a prioridade era injetar nos seios, não no glúteo!
Sobre o nariz: estava com tala. Ao tirar o curativo, meu sonho desmoronou. Pedi dorso marcado e narinas retas. Fiquei com narinas deformadas, ponta grande, não respeitou meu desejo de um nariz delicado. Disse que estava inchado e que melhoraria. Mentira. Notei logo o erro grosseiro: ressalto ósseo no dorso (lado esquerdo), e um afundamento logo após. Além disso, não respiro pelo lado esquerdo ele fechou minha válvula nasal, que já havia sido corrigida em uma cirurgia de septo em 2012. Agora o lado direito também está ruim.
A lipoaspiração deixou muita dor e fibroses em cordão nos flancos, costas e abdômen que está duro como pedra. Hoje, 03/05/2025, ainda estou em drenagem para reparar os danos de uma lipo mal executada. Ao questioná-lo, ele respondeu: Minha cirurgia deixa fibrose mesmo, porque eu faço a verdadeira lipo.
Nunca mencionou isso antes. Se soubesse, jamais teria operado com ele.
Ele não aceita ser confrontado. É como se o paciente tivesse que aceitar calado os erros dele. Isso não pode continuar assim.
No dia 28/02/2025, enviei uma mensagem para a enfermeira Sandra, funcionária do Dr. Renato, solicitando um relatório de autorização para atendimento médico, necessário para a abertura do sinistro por Intercorrência Cirúrgica. A solicitação se deu em razão de fortes dores na barriga e nas costas, causadas pela lipoaspiração, além de dormência nos pés e mãos, e formigamentos intensos nas pernas e pés. A mensagem foi enviada às 06h09 da manhã e somente respondida às 07h09. No entanto, a equipe negou o pedido do relatório e orientou-me a procurar um Pronto Socorro do SUS, mesmo havendo possibilidade de atendimento pelo Seguro Cirurgia.
Eu insisti diversas vezes para que o Dr. Renato autorizasse o envio do relatório, que somente foi encaminhado às 17h54, após muita insistência. Vale destacar que, no dia anterior, 27/02/2025, já havia alertado o referido médico sobre as dores insuportáveis que vinha sentindo. Ainda assim, ele apenas recomendou a continuação das medicações orais, incluindo o uso de Deocil 10g de 8 em 8 horas, mesmo após eu relatar que os medicamentos anteriores não estavam surtindo efeito e estavam prejudicando meu organismo.
No relatório médico emitido pelo Dr. Renato em 28/02/2025, consta que eu "não apresentava queixas", o que não condiz com a realidade. Durante a consulta, relatei fortes dores e também mencionei à funcionária Silvana que estava com formigamentos no rosto. O próprio médico recomendou a continuação da medicação, o que evidencia a contradição entre o seu relato verbal e o que foi registrado no relatório.
Consegui atendimento no dia 01/03/2025, no Hospital Saint Patrick, por meio do Seguro Cirurgia, onde fui atendida pela Dra. Yanelis Nunez Gomez. A médica administrou medicação endovenosa e solicitou exames, os quais revelaram níveis elevados de marcadores inflamatórios, especialmente no fígado. Ressalta-se que, antes da cirurgia, todos os meus exames estavam dentro da normalidade. Ao tentar identificar a possível causa da inflamação hepática, mencionei que havia sido medicada com Paracetamol, substância proibida em diversos países devido ao seu alto potencial tóxico para o fígado. A médica também me encaminhou para uma avaliação com neurologistas, a fim de investigar as causas dos formigamentos e dormências que surgiram após o procedimento cirúrgico.
Afetou meu sistema nervoso central, causando formigamentos intensos na cabeça. Sinto como se algo estivesse explodindo dentro da cabeça, semelhante a um curto-circuito, seguido por uma sensação de estalo e, logo depois, como se uma substância líquida estivesse se espalhando pela cabeça, rosto, nuca e costas. É uma sensação extremamente angustiante, algo horrível está acontecendo comigo e os médicos não sabem identificar a causa. Apenas pedem para continuar realizando exames, mas ninguém oferece um diagnóstico ou tratamento eficaz.
Desde a cirurgia, desenvolvi sintomas severos que nunca havia sentido antes. Sinto formigamentos constantes pelo corpo inteiro, inclusive nas extremidades e no rosto, acompanhados por dormências e crises de insônia. Minhas noites de sono tornaram-se extremamente prejudicadas, não consigo dormir mais, minha qualidade de vida foi drasticamente comprometida, e vivo em sofrimento constante.
Além dos sintomas físicos, fui profundamente afetada psicologicamente. Desenvolvi um quadro grave de ansiedade e depressão. O neurologista chegou a prescrever medicação controlada, mas, por receio dos efeitos colaterais e do risco de dependência, optei por seguir um tratamento natural com chás calmantes, como folha de louro e camomila, em busca de alternativas mais seguras para lidar com os sintomas emocionais.
Desde então, venho manifestando minhas insatisfações e denunciando a negligência que sofri. Tentei deixar uma crítica no perfil do Instagram do Dr. Renato, mas, em menos de 10 minutos, meu comentário foi apagado, os comentários foram limitados e fui bloqueada de todos os perfis do médico, numa clara tentativa de silenciamento.
No dia 23/04/2025, minha consulta de reavaliação, previamente agendada, foi cancelada de forma inesperada, com apenas 40 minutos de antecedência, sendo que eu já estava a caminho, dentro do trem. As funcionárias da clínica não reagendaram a consulta, deixaram de responder minhas mensagens, e desde então fui completamente ignorada. O Dr. Renato, ciente de que houve erro grave no procedimento cirúrgico, tem se esquivado de qualquer responsabilidade, não me responde mais pelo WhatsApp, e toda a equipe da clínica tem acobertado seus atos, negando qualquer respaldo, seja por mensagem, ligação ou novo agendamento.
Sinto-me totalmente abandonada, desamparada e vítima de um atendimento negligente, sem qualquer suporte da clínica ou do profissional responsável pela cirurgia.
Ref.: Resposta à Notificação Extrajudicial sobre rescisão da relação médico-paciente
Venho, por meio desta, manifestar formalmente minha indignação e repúdio à notificação recebida, enviada por Vossa Senhoria, a qual tenta, de forma evasiva e intimidadora, anular a minha liberdade de expressão e meu direito legítimo de relatar os danos e sequelas decorrentes do procedimento cirúrgico realizado sob sua responsabilidade.
Reitero que minhas manifestações críticas foram motivadas pelos resultados desastrosos da cirurgia por você conduzida, que resultou em:
Cicatriz que se estende até as axilas, em total desproporção e gerando queloides.
Deformidade mamária e auréolas mal posicionadas;
Enxerto de gordura na parte superior do meu glúteo sem meu consentimento;
Ausência da técnica prometida de lipoenxertia;
Danos estruturais ao nariz, com prejuízo à minha respiração.
Tais ocorrências indicam possível imperícia, negligência e violação do princípio do consentimento informado, configurando infração ética e possível erro médico, que não podem ser silenciados por meio de uma notificação que busca interromper minha tentativa de reparação e justiça.