Quebra prematura do câmbio e falha de orientação sobre troca de óleo

Reclamação em réplica

Em réplica

Reclamar dessa empresa

Curitiba - PR

04/08/2026 às 13:36

ID: 255592755

Sou proprietário de uma ***** ano/modelo 2017/2018, atualmente com aproximadamente 122.000 km. O veículo recebeu as revisões e manutenções na rede autorizada Renault, conforme histórico registrado.

Recentemente, fui surpreendido com a quebra do câmbio. O mais preocupante é que, antes da falha, o veículo não apresentou qualquer alerta ou mensagem no painel que pudesse indicar um problema iminente ou permitisse ao consumidor tomar alguma medida preventiva para evitar a quebra.

Ao procurar a concessionária, fui informado de que a única solução seria a substituição completa do conjunto, ao custo aproximado de **R$ 70.000,00**, valor que praticamente corresponde ao valor de mercado (*****) do próprio veículo.

Diante da situação, foi aberto o chamado **n ******* junto ao SAC da Renault. Após mais de **20 dias de espera**, finalmente recebi o retorno da fabricante.

**Esclareço desde já que esta reclamação é dirigida exclusivamente à Renault do Brasil, na qualidade de fabricante e responsável pela análise do meu caso. Não se trata de uma reclamação contra a concessionária, que apenas transmitiu o diagnóstico e cumpriu as orientações da montadora. Portanto, solicito que esta manifestação não seja redirecionada à concessionária, pois a decisão sobre o atendimento em garantia, cortesia ou responsabilidade pelo reparo foi tomada pela própria Renault.**

Considerando que não houve qualquer mau uso, negligência ou falta de manutenção de minha parte, esperava que a Renault assumisse integralmente a responsabilidade pelo reparo. Entretanto, a única proposta apresentada foi custear **50% do valor da substituição do câmbio**, deixando ao consumidor a responsabilidade de desembolsar aproximadamente **R$ 35.000,00**.

Essa proposta é absolutamente desproporcional e injusta. Não é razoável exigir que um consumidor arque com um custo dessa magnitude decorrente de um problema que não foi causado por seu comportamento.

O ponto mais grave é que, segundo as informações recebidas, a quebra teria ocorrido em razão da degradação ou insuficiência do óleo do câmbio. Se isso realmente é capaz de causar a destruição completa do conjunto, surge uma pergunta inevitável:

**Por que o manual do proprietário não estabelece claramente um plano de substituição periódica do óleo do câmbio?**

Além disso, durante as revisões realizadas na própria rede autorizada Renault, **jamais fui orientado quanto à necessidade dessa manutenção preventiva**. O consumidor não pode ser responsabilizado por deixar de realizar um procedimento que nunca foi previsto pelo fabricante nem recomendado pela concessionária.

O Código de Defesa do Consumidor estabelece que o fabricante possui o dever de fornecer informações claras, adequadas e suficientes sobre a correta utilização e manutenção do produto (art. 6, inciso III), bem como responde pelos danos decorrentes de defeitos de fabricação, projeto ou de informação (arts. 12 e 14). Também é vedado transferir ao consumidor os riscos inerentes ao próprio produto quando ele seguiu corretamente as orientações fornecidas pelo fabricante.

Neste caso, sempre cumpri minha parte. Realizei as revisões na rede autorizada, confiei na assistência técnica da marca e segui as recomendações oficiais. Não havia qualquer orientação para troca do óleo do câmbio, tampouco qualquer alerta de que a ausência dessa manutenção poderia resultar na perda completa da transmissão.

Assim, entendo que a responsabilidade pelo ocorrido deve ser integralmente assumida pela Renault, seja por eventual falha de projeto, seja por ausência de informação adequada ao consumidor ou por falha na prestação do serviço durante as revisões realizadas na própria rede autorizada.

Infelizmente, após mais de 20 dias aguardando a análise da fabricante e recebendo apenas uma proposta que considero incompatível com a responsabilidade da Renault, **não me restou alternativa senão providenciar o reparo do veículo em uma oficina especializada independente, dentro das minhas condições financeiras**, pois simplesmente não disponho de R$ 35.000,00 para arcar com a parcela exigida pela montadora.

Por fim, deixo registrada minha profunda insatisfação e decepção com a postura adotada pela Renault. Esperava que uma fabricante do porte da Renault reconhecesse sua responsabilidade diante de um caso em que o consumidor cumpriu sua parte e seguiu as orientações disponíveis.

Também espero que este relato sirva de alerta a outros proprietários de *****: verifiquem preventivamente a necessidade de substituição do óleo do câmbio, ainda que essa orientação não conste de forma clara no manual ou não seja informada durante as revisões. Caso contrário, poderão enfrentar um prejuízo extremamente elevado, sem o suporte que legitimamente esperam da fabricante.

Compartilhe

Resposta da empresa

04/08/2026 às 15:13

Olá, boa tarde!

A Renault do Brasil agradece o contato e informa que o caso foi devidamente analisado pelas áreas responsáveis, considerando as informações disponíveis, o histórico do veículo e os procedimentos técnicos aplicáveis.

Inicialmente, esclarecemos que o veículo Renault Captur 2017/2018 encontra-se fora do período de garantia contratual vigente. Dessa forma, o reparo solicitado não se enquadra nas condições regulares de cobertura de garantia.

Após a avaliação técnica realizada, foi identificado que o inconveniente apresentado está relacionado à ruptura da cinta interna da transmissão, não sendo constatada relação com degradação, insuficiência ou necessidade de substituição do óleo do câmbio.

Em relação ao apontamento de que não houve apresentação de alerta no painel antes da ocorrência, esclarecemos que nem todos os inconvenientes apresentados por um veículo geram sinalização ao condutor. Os sistemas eletrônicos realizam o monitoramento de determinados parâmetros de funcionamento e emitem alertas quando identificam condições previstas em seus critérios de detecção.

Entretanto, existem ocorrências de natureza mecânica ou interna que podem não gerar aviso no painel, especialmente quando a condição apresentada não é identificada pelos sensores ou sistemas eletrônicos de monitoramento do veículo. Por esse motivo, a ausência de uma luz de advertência não significa, necessariamente, a inexistência de uma falha mecânica ou a impossibilidade de ocorrência de um inconveniente.

Ressaltamos também que, por se tratar de um veículo com mais de sete anos de utilização e aproximadamente 122.000 km rodados, é esperado que determinados componentes estejam sujeitos ao desgaste decorrente do tempo de uso e da quilometragem acumulada. A necessidade de manutenções preventivas e corretivas faz parte do ciclo normal de utilização de qualquer veículo e tem como objetivo preservar seu funcionamento adequado ao longo de sua vida útil.

Com relação à manutenção da transmissão, esclarecemos que não há uma quilometragem específica estabelecida para substituição preventiva do óleo do câmbio para este modelo. Durante as manutenções realizadas conforme os procedimentos recomendados pela fabricante, o veículo passa por verificações e, caso seja identificada a necessidade de alguma intervenção ou substituição de componentes/fluidos, o cliente é devidamente orientado pela Rede Renault.

Dessa forma, reforçamos que a ocorrência apresentada não está relacionada à ausência de uma troca periódica de óleo do câmbio, conforme mencionado no relato.

Com o objetivo de contribuir para a solução do caso e considerando o relacionamento com o cliente, a Renault do Brasil disponibilizou uma condição comercial excepcional, com a participação de 50% no valor do reparo, mesmo se tratando de um veículo fora do período de garantia contratual. Essa condição foi concedida como uma medida de relacionamento e apoio ao cliente.

Em relação ao prazo de retorno do protocolo nº 2-07548357, esclarecemos que avaliações dessa natureza demandam análise técnica e o envolvimento de diferentes áreas internas, a fim de garantir uma resposta adequada e fundamentada ao cliente. Dessa forma, o prazo de tratativa ocorreu dentro dos procedimentos internos aplicáveis, e o cliente foi devidamente orientado quanto ao acompanhamento e retorno do caso pelos canais oficiais de atendimento.

Até o presente momento, não houve a aprovação da condição comercial apresentada para execução do reparo. Caso o cliente tenha interesse em prosseguir com o atendimento mediante a condição disponibilizada, a concessionária permanece à disposição para continuidade do processo.

A Renault do Brasil permanece disponível para prestar os esclarecimentos necessários e acompanhar o caso por meio de seus canais oficiais de atendimento.

A Renault do Brasil - Serviço de Atendimento ao Cliente Renault continua à sua inteira disposição para quaisquer esclarecimentos que se fizerem necessários pelo telefone: 0800 055 56 15 ou pelo e-mail: [email protected]

Atenciosamente,
RENAULT DO BRASIL
Serviço de Atendimento Personalizado ao Cliente.

Réplica do consumidor

04/08/2026 às 16:02

Agradeço o retorno da Renault do Brasil, porém a resposta apresentada não esclarece diversos pontos importantes e, ao contrário, levanta novos questionamentos que reforçam minha preocupação como consumidor.

Em primeiro lugar, a Renault afirma que a falha ocorreu por **ruptura da cinta interna da transmissão**, descartando qualquer relação com o óleo do câmbio. Sendo assim, surge uma pergunta objetiva:

**A Renault considera normal que uma transmissão automática apresente ruptura interna com apenas aproximadamente 122.000 km de utilização?**

Caso essa seja a expectativa de vida útil do conjunto, entendo que essa informação deveria ser amplamente divulgada aos consumidores, pois muitos proprietários acreditam que uma transmissão automática possui durabilidade significativamente superior quando o veículo recebe as manutenções recomendadas pelo fabricante.

Outro ponto que merece esclarecimento é a afirmação de que o veículo está fora da garantia contratual.

Tenho plena ciência de que a garantia contratual expirou. Entretanto, minha solicitação nunca se baseou apenas na garantia, mas sim na responsabilidade do fabricante quando um componente de elevado valor apresenta falha prematura sem qualquer indício de mau uso.

O próprio Código de Defesa do Consumidor diferencia garantia contratual da responsabilidade por vício do produto. O encerramento da garantia não afasta automaticamente a responsabilidade do fabricante quando há indícios de falha que ultrapassam o desgaste esperado para um componente dessa natureza.

Também me chamou a atenção a justificativa de que "alguns defeitos mecânicos não geram alerta no painel".

Justamente por isso o consumidor fica completamente impossibilitado de evitar o dano.

Se o sistema não possui capacidade de alertar previamente uma falha que culmina na destruição completa da transmissão, como poderia o proprietário agir preventivamente para evitar um prejuízo dessa proporção?

Em outras palavras, o consumidor não recebe qualquer aviso, não existe procedimento preventivo específico previsto para evitar essa ruptura e, ao final, assume praticamente sozinho um prejuízo equivalente ao valor do veículo.

Outro trecho da resposta afirma que "é esperado que determinados componentes estejam sujeitos ao desgaste decorrente do tempo e da quilometragem".

Concordo plenamente.

Porém, novamente pergunto:

**A Renault considera tecnicamente esperado que uma transmissão automática necessite de substituição completa com apenas cerca de 122.000 km?**

Essa é uma informação extremamente relevante para todos os consumidores da marca.

Se a resposta for positiva, entendo que ela deveria constar expressamente dos materiais técnicos e comerciais do veículo, permitindo ao consumidor tomar uma decisão consciente antes da compra.

A Renault também informa que não existe quilometragem prevista para troca preventiva do óleo da transmissão.

Isso apenas reforça meu entendimento de que sempre segui corretamente as recomendações do fabricante.

Se não existe manutenção preventiva prevista e nenhuma orientação foi fornecida durante as revisões realizadas na rede autorizada, não havia qualquer ação adicional que pudesse ser tomada por mim para evitar a ocorrência.

Outro ponto que merece esclarecimento refere-se à condição comercial apresentada.

Foi informado que a Renault assumiria 50% do custo do reparo.

Se a própria fabricante concluiu que existe fundamento para participar financeiramente do reparo, significa que reconheceu que este caso merece tratamento excepcional.

Nesse contexto, pergunto:

**Por qual motivo o SAC ou a própria Renault não podem assumir integralmente o restante do valor?**

Inclusive, fui informado pela própria concessionária que existem possibilidades de aplicação de preços diferenciados, semelhantes aos praticados em atendimentos de garantia.

Dessa forma, fica evidente que ainda existe margem para uma solução que efetivamente atenda o consumidor.

Também causa estranheza que uma transmissão cuja substituição custa aproximadamente R$ 70.000,00 represente praticamente o valor de mercado do próprio veículo.

Não me parece razoável que um componente sujeito ao desgaste normal tenha um custo de reposição tão elevado a ponto de inviabilizar economicamente o reparo do automóvel.

Por fim, lamento profundamente que, após mais de vinte dias de análise do protocolo n *****, a única solução apresentada tenha sido transferir ao consumidor a obrigação de desembolsar aproximadamente R$ 35.000,00.

Infelizmente, diante dessa situação e da impossibilidade financeira de arcar com esse valor, estou providenciando o reparo do veículo em uma oficina especializada independente, dentro das minhas condições econômicas, apenas para recuperar a utilização do automóvel.

Ressalto que essa decisão não representa concordância com o posicionamento da Renault, mas apenas uma necessidade imposta pela urgência e pela incapacidade de permanecer sem o veículo.

Sempre confiei na marca Renault e, inclusive, pretendia continuar adquirindo veículos da fabricante no futuro.

Entretanto, a forma como este caso está sendo conduzido compromete significativamente essa confiança.

Espero sinceramente que a Renault reveja sua posição e apresente uma solução proporcional ao histórico do veículo, às manutenções realizadas na rede autorizada e às legítimas expectativas de qualquer consumidor que investe em um veículo acreditando na qualidade e na durabilidade da marca.