Funcionária de limpeza do Shopping Tatuapé grita e humilha cliente autista no banheiro

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São Paulo - SP

13/04/2026 às 09:37

ID: 245877699

Venho relatar uma situação extremamente grave e desconfortável que passei.
Eu sou autista nível 2 de suporte, embora eu pareça uma pessoa normal. Eu consigo me comportar como uma pessoa normal devido diversas terapias e dificuldades que tive que enfrentar na vida.
Eu estava no banheiro feminino do térreo do shopping metrô Tatuapé, no dia 10/04/2026, por volta das 14h, quando uma funcionária da empresa de limpeza Resolv me abordou gritando comigo, enquanto eu lavava minhas mãos. A princípio, eu não ouvi, pois eu estava com meus abafadores no ouvido, devido minha sensibilidade sensorial a ruídos, devido ao próprio TEA. Eu só percebi, novamente, que ela estava gritando porque ouvi um som ao fundo e olhei no espelho o reflexo dela me olhando de forma furiosa. Tirei o abafador para entender o que estava acontecendo e ela, simplesmente, gritou novamente para eu ir até a cabine que eu tinha utilizado para fazer minhas necessidades. A princípio, eu achei que eu tivesse esquecido lá dentro, mas não, ela me chamou para me humilhar em público. Ela disse que eu não tinha dado descarga, porque tinha uma cor muitíssimo clara de xixi, como se tivesse dado descarga e o equipamento tivesse falhado ou, talvez, minha descarga não tenha sido forte o suficiente (pois tenho dificuldade de coordenação motora e fraqueza nas mãos). Eu expliquei isso para ela e ela insistiu por três vezes que eu desse descarga direito, gritando a frente de todas que estavam na fila, agindo como se eu fosse uma [Editado pelo Reclame Aqui]. Por fim, para acabar com o assunto, ainda com as mãos ensaboadas, fui dar descarga novamente, extremamente constrangida pela situação que ela criou. Voltei a lavar minhas mãos e ela continuou falando sobre mim: que isso não se faz, que isso é falta de respeito e outras coisas mais. Eu educadamente olhei para ela e disse: o que você fez comigo foi uma grande falta de respeito, você me fez passar por constrangimento público e isso não se faz com ninguém. Pois, ela continuou retrucando comigo, eu saí do banheiro tendo uma crise de meltdown (crise do transtorno do espectro autista) e mandei uma mensagem para minha mãe ir até mim porque ela estava numa loja próxima. Enquanto minha mãe vinha até onde eu estava, eu entrei no banheiro novamente porque ouvi ela de novo falando de mim em alto e bom som. Entrei e encostei na parede e quando ela me viu, ela gritou grosseiramente: o que você está fazendo aqui? Porque voltou???. Eu respondi educadamente: o banheiro é público, porque eu não poderia voltar?. Ela me olhou com desdém e virou as costas. Encontrei minha mãe no corredor do shopping, expliquei o ocorrido, ela viu que eu estava em crise e fomos até ao banheiro. Quando eu estava no corredor, uma moça que estava no banheiro passou por mim e disse: moça, sinto muito pela falta de respeito que você passou. Ou seja, todo mundo percebeu e minha mãe está de testemunha, pois ela entrou no banheiro para conversar com a faxineira. Minha mãe perguntou o nome dela, ela se identificou como Eva, tinha cabelo bem curto levemente vermelho/rosa, aparentemente estrangeira pelo sotaque minha mãe disse que soube o que aconteceu comigo e mostrou como eu estava em crise devido o ocorrido. E minha mãe disse Eva, eu entendo o seu trabalho, mas você lida com o público e nunca se sabe com quem está falando. Não parece, mas a Natália é autista, muitas coisas para ela são difíceis, ela tem maior dificuldade de cognição e coordenação motora e como você está vendo agora, ela está em crise. Por gentileza, espero que isso não se repita com outras pessoas e que você aprenda a respeitar o próximo quando algo parecido acontecer. Ela continuou batendo boca com a minha mãe e querendo explicar o ponto dela, que ela não tinha obrigação de limpar a minha sujeira, sendo que minha mãe já tinha compartilhado com ela a situação. Minha mãe desistiu de conversar por conta da grosseria e saímos do banheiro.
Eu falei com a minha advogada assim que chegamos em casa, ela me disse que essa atitude foi extremamente grave e que cabe um processo à empresa de limpeza e ao Shopping por ter ali uma pessoa que aparentemente não recebeu treinamento ou desdenha das pessoas por falta de caráter. Disse também que a exposição, humilhação, a agressão verbal e o constrangimento em público, são itens gravíssimos. Estamos em conversa sobre processar o shopping e a empresa, pois isso não pode se repetir. Não só comigo, mas também com outras pessoas que precisam de suporte, como eu. Outra coisa que a advogada acrescentou foi: mesmo que você não tivesse uma neurodivergência, mesmo que fosse uma pessoa normal, ela não teria o direito de fazer o que fez com você. Isso é completamente desumano.

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