Mau atendimento e tratamento desigual no Roseiral Restaurante

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Manaus - AM
30/03/2026 às 21:25
ID: 244763685
No dia 26/03/2026 (quinta-feira), estive pela segunda vez no Roseiral Restaurante, tentando dar uma nova chance ao local. Já na primeira visita, o atendimento havia sido desconfortável, mas a experiência desta segunda vez foi ainda pior, e não dá para ignorar o padrão que se repete.
Um restaurante desse porte, localizado em uma área tão simbólica de Largo de São Sebastião, em frente ao Teatro Amazonas, deveria prezar pelo mínimo: respeito, cordialidade e tratamento igualitário aos clientes. Infelizmente, não foi o que vivenciei.
Na primeira visita, presenciei uma situação desconfortável: uma jovem entrou no restaurante com roupas simples e de saia como uma jovem, e a recepcionista a olhou de cima a baixo com evidente desdém. Ela foi atendida, mas de forma visivelmente inferior, como se não tivesse dinheiro por conta da vestimenta de passeio. Isso me chamou atenção, chamou a atenção da minha companheira e talvez até outros clientes tenham notado.
Além disso, algo que se repetiu nas duas ocasiões foi a diferença de tratamento entre mim e minha mulher. Sou uma mulher branca, e ela é uma mulher negra. Mesmo quando eu claramente direcionava a interação para ela, os atendentes insistiam em falar comigo primeiro, ignorando-a ou tratando-a como secundária na mesa. Esse tipo de conduta não é detalhe, é um sinal claro de tratamento desigual.
Na segunda visita, a situação foi ainda mais evidente. Chegamos durante uma chuva forte, um pouco molhadas, e o atendimento já começou ruim na entrada. Havia uma goteira, e pedi apenas um pano para podermos nos acomodar melhor. A atendente, com má vontade, não ajudou e apenas mandou irmos para outro espaço.
Quando fomos atendidas no andar de cima, o garçom, que aparentava falar espanhol, direcionou todo o atendimento exclusivamente a mim, ignorando minha companheira, mesmo depois de eu deixar claro que ela conduziria o pedido. Ele me entregou o cardápio, fez perguntas apenas para mim e seguiu assim durante todo o atendimento. Minha companheira, que estava nos levando para jantar, acabou desanimando completamente.
Pedidos simples também não foram atendidos corretamente: solicitei uma água com gás e sequer trouxeram dois copos. Pedi novamente, mas o copo nunca chegou. Diante disso, decidimos encerrar e pedir a conta, que também demorou e sequer foi conduzida pelo garçom. Minha companheira já frustrada, indignada com o que estava ocorrendo precisou se levantar para ir até o caixa.
A taxa de serviço não foi paga, pois o atendimento foi, de fato, péssimo.
Essa experiência não é apenas sobre mau atendimento, ela levanta um alerta sério sobre tratamento desigual com possível motivação racial. O Código de Defesa do Consumidor garante que todo consumidor deve ser tratado com dignidade, igualdade e sem discriminação. Quando há diferenciação no atendimento sem justificativa, especialmente marcada por raça, isso pode configurar discriminação racial nos termos da Lei n 7.716/1989, que proíbe esse tipo de conduta em estabelecimentos comerciais. Não é necessário haver ofensa verbal explícita, o tratamento reiteradamente inferior, a invisibilização no atendimento e a priorização de uma pessoa em detrimento de outra podem, sim, caracterizar prática discriminatória.
Não voltaremos ao restaurante, de que adianta o restaurante ser tão lindo e instagramável, com comidas caras e achei que até medianas comparada a outros restaurantes, e ainda com o atendimento pessímo, prefiro ir nos concorrentes aos lados que nunca passei por isso, eu e meus colegas de trabalho e lazer não vamos mais, mas deixo esse relato para que outras pessoas estejam atentas e para que o estabelecimento reveja urgentemente a postura da equipe. Atendimento não é favor, é o mínimo esperado.