Insatisfação com atendimento médico e falta de acolhimento durante perda gestacional

Não respondida
São Paulo - SP
23/07/2026 às 16:07
ID: 254677501
Relato de atendimento e solicitação de esclarecimentos sobre conduta médica e assistência de enfermagem
No dia 15/07/2026, por volta das 15h20, compareci ao pronto-socorro do Hospital e Maternidade Santa Joana, acompanhada do meu esposo, devido a um quadro de sangramento vaginal e cólicas durante uma gestação de aproximadamente 7 semanas.
Ao chegar, fui atendida inicialmente na recepção e, posteriormente, pela equipe de enfermagem, que verificou minha pressão arterial e perguntou o motivo da procura pelo serviço. Relatei que havia apresentado um sangramento durante a madrugada do dia 14/07/2026, em pequena quantidade, motivo pelo qual havia procurado anteriormente o pronto-socorro do Hospital Leforte Morumbi.
Na ocasião, no Hospital Leforte Morumbi, fui avaliada por médico, realizei exame físico, dosagem de beta-hCG e ultrassonografia transvaginal. Naquele momento, a ultrassonografia demonstrava gestação intrauterina, embrião vivo, batimentos cardíacos presentes e colo do útero fechado.
Também relatei à equipe de enfermagem que, na manhã do dia 15/07/2026, havia observado novamente sangue no papel higiênico, em maior quantidade do que anteriormente, embora o absorvente não estivesse encharcado, além de estar sentindo cólicas. A enfermeira realizou as anotações e orientou que eu aguardasse a avaliação médica.
Por volta das 16h30, fui atendida pelo Dr. Cláudio Pinheiro da Rocha Frangoso, *****. Relatei todo o histórico, mostrei fotografias do sangramento e apresentei a ultrassonografia transvaginal realizada no dia anterior.
Foi nesse momento que me senti profundamente desrespeitada e insegura em relação à forma como o atendimento foi conduzido. O médico afirmou que o exame realizado anteriormente havia sido meia boca, mal feito e que não valia de nada lá.
Essa fala nos causou grande preocupação e insegurança, pois o exame havia sido realizado no dia anterior e demonstrava uma gestação com embrião vivo, batimentos cardíacos presentes e colo uterino fechado. Não recebemos, naquele momento, uma explicação técnica clara e adequada que justificasse a desqualificação do exame anterior daquela forma.
O médico informou que seria realizada uma nova ultrassonografia transvaginal e que seria utilizada uma medicação que não havia sido administrada na instituição anterior.
Enquanto aguardava a realização do exame, comecei a ficar extremamente nervosa, gelada e angustiada. Após sentir dores mais intensas, fui ao banheiro e apresentei um sangramento em maior quantidade. Procurei a sala da enfermagem e relatei que estava em estado de choque, passando muito mal e com dificuldade para permanecer em pé.
A enfermeira verificou minha pressão arterial, colocou-me em uma cadeira de rodas e me levou até a enfermaria. Permaneci aguardando, com dores, sangramento e muito medo. Durante esse período, eu e meu esposo buscávamos informações sobre a realização do exame, mas não recebíamos uma previsão clara sobre quando ele seria realizado.
Por volta das 17h17, fui encaminhada para a realização da ultrassonografia pela Dra. Cláudia Lukesic. Gostaria de registrar que, em meio a todo aquele momento de sofrimento, foi a profissional que demonstrou maior sensibilidade e acolhimento. Ela nos comunicou, com cuidado, que infelizmente não havia mais embrião, permanecendo apenas o saco gestacional. Perguntou se gostaríamos que a televisão fosse desligada, acolheu o momento e nos encaminhou para uma sala separada para aguardarmos o retorno médico.
Após aproximadamente uma hora de espera, fomos novamente atendidos pelo médico.
Naquele momento, em situação de extremo sofrimento emocional, após a confirmação da perda gestacional, foram feitas afirmações que nos causaram ainda mais dor e culpa. Foi dito que o Hospital Santa Joana era a melhor maternidade e que deveríamos ter procurado aquele hospital já no primeiro sangramento, pois poderíamos ter tido uma chance. Também foi dito que não adiantaria mais comparecer à consulta que eu tinha agendada para o dia seguinte, pois não havia mais nada dentro.
Como eu estava em estado de choque, não consegui absorver completamente todas as falas naquele momento. Porém, meu esposo ouviu e guardou cada palavra, passando a se sentir culpado e acreditando que nós poderíamos ter sido responsáveis pela perda da gestação por não termos procurado anteriormente aquele hospital.
Gostaria de esclarecer que, no dia anterior, havíamos procurado atendimento médico imediatamente após o primeiro sangramento. Fui examinada, realizei exames e recebi a informação de que o embrião estava vivo, com batimentos cardíacos presentes e colo uterino fechado.
Não estou afirmando que o atendimento no Hospital Santa Joana poderia necessariamente ter evitado a perda gestacional. Compreendo que abortamentos espontâneos podem ocorrer por diversas causas e que nem sempre existe uma conduta capaz de interromper esse processo.
Entretanto, questiono profundamente a forma como fomos atendidos, a comunicação utilizada, a desqualificação do exame realizado anteriormente, a demora e a falta de informações durante um momento de sangramento e dor, além das falas que, naquele contexto, contribuíram para aumentar nosso sofrimento e sentimento de culpa.
Ao sair do consultório, ainda precisei passar por um corredor cheio de gestantes. Saímos daquele local completamente destruídos, chorando e emocionalmente devastados.
Nada do que fosse feito naquele momento poderia amenizar completamente a dor da perda do nosso primeiro filho. Porém, justamente por se tratar de uma instituição reconhecida e considerada referência em atendimento materno e obstétrico, esperávamos uma assistência mais humanizada, acolhedora, clara e sensível.
Solicito que o Hospital Santa Joana apure internamente o atendimento prestado, especialmente:
* a conduta e a comunicação médica durante o atendimento;
* a forma como o exame realizado anteriormente foi desqualificado;
* o tempo de espera para a realização da ultrassonografia e para a reavaliação médica;
* a assistência e as informações fornecidas pela equipe de enfermagem durante o período em que permaneci com dor e sangramento;
* e a forma como as informações foram transmitidas após a confirmação da perda gestacional.
Reforço que não busco atribuir culpa pela perda do meu bebê sem uma avaliação técnica. Busco respeito, esclarecimento e responsabilidade na apuração do atendimento recebido.
Eu e meu esposo vivemos uma das experiências mais dolorosas de nossas vidas. Esperávamos que, em um momento tão difícil, encontrássemos acolhimento e segurança. Infelizmente, saímos do hospital com a dor da perda e também com o sentimento de que poderíamos ter feito algo diferente para evitar o que aconteceu.
Espero que este relato seja analisado com seriedade e que outros pacientes, especialmente mulheres vivenciando uma perda gestacional, possam receber um atendimento mais humanizado, cuidadoso e acolhedor.