Demora excessiva na administração de medicação e interrupção da linha de cuidado em hospital

Respondida
Belo Horizonte - MG
16/06/2026 às 10:14
ID: 251513801
Gustavo Henrique Almeida Sena
No dia 15/06/*******, procurei atendimento no Hospital São Lucas em razão de uma intensa crise de enxaqueca, condição para a qual realizo acompanhamento neurológico regular e tratamento medicamentoso contínuo.
Cheguei à unidade às 15h26 e tive meu cadastro efetivado na recepção às 16h06. Após aproximadamente 40 minutos de espera, fui encaminhado para a triagem, ocasião em que relatei meu histórico clínico, informando que realizo acompanhamento com neurologista, faço uso contínuo de Topiramato e utilizo Dexametasona para controle das crises. Em razão da intensidade incomum da dor naquele dia, solicitei avaliação médica para possível administração de medicação venosa.
Fui classificado com prioridade amarela e encaminhado para consulta com neurologista. Cerca de 30 minutos depois, fui atendido pelo especialista, que, após avaliação, prescreveu medicação intravenosa para controle da crise de enxaqueca, informando que o tratamento auxiliaria na redução dos sintomas.
Dirigi-me imediatamente à sala de medicação, onde passei a aguardar a execução da prescrição médica. Contudo, transcorreram mais de 1 hora e 20 minutos sem que sequer o documento de prescrição fosse recolhido pela equipe de enfermagem para preparo da medicação.
Durante esse período, o próprio neurologista me procurou para verificar se eu já havia recebido o medicamento. Informei que a medicação ainda não havia sido administrada e que sequer haviam recolhido o documento necessário para sua preparação. O médico demonstrou preocupação com a demora e informou que verificaria a situação, ressaltando que seu horário de expediente estava próximo do encerramento.
Somente cerca de 20 minutos após essa intervenção a equipe de enfermagem recolheu a prescrição para preparo do medicamento. Mesmo assim, diante da continuidade da demora, fui pessoalmente ao posto de enfermagem buscar esclarecimentos. Apenas após essa manifestação fui chamado para receber a medicação prescrita.
Após a administração do medicamento, retornei ao consultório médico para reavaliação e finalização do atendimento, conforme normalmente ocorre após medicações intravenosas. Entretanto, fui informado de que o neurologista já havia encerrado seu expediente e deixado a unidade.
Ao buscar orientação junto à equipe de enfermagem, fui informado de que seria necessário iniciar um novo atendimento do zero, incluindo novo cadastro, nova triagem e nova consulta médica, desta vez com clínico geral. Questionei o procedimento, uma vez que a necessidade de retorno médico decorreu exclusivamente da demora interna do próprio hospital na administração da medicação prescrita.
Solicitei contato com a coordenação responsável para relatar a situação e buscar uma solução adequada. Contudo, fui informado pela enfermeira Ingrid de que não havia coordenação disponível naquele momento e que eu deveria obrigatoriamente reiniciar todo o fluxo de atendimento.
Diante da ausência de alternativa, fui compelido a realizar novo cadastro, passar novamente pela triagem e aguardar nova consulta médica. Ao ser atendido pelo clínico geral, constatei que o profissional não possuía conhecimento prévio sobre meu caso, tornando necessário repetir integralmente todas as informações clínicas e circunstâncias do atendimento anterior.
Ressalto que, naquele momento, necessitava apenas da continuidade adequada do atendimento já iniciado, incluindo orientações médicas finais, prescrição medicamentosa adequada para controle da crise e emissão de atestado médico, visto que a excessiva demora no atendimento comprometeu meu horário de trabalho.
O atendimento, que deveria ter sido concluído de forma célere e organizada, prolongou-se indevidamente em razão de falhas internas da própria instituição. Somente recebi a alta médica às 18h55, permanecendo por aproximadamente 3 horas e 30 minutos dentro da unidade hospitalar para tratar uma condição já conhecida, avaliada por especialista e cujo tratamento havia sido prescrito desde o início do atendimento.
Considero extremamente grave que um paciente já avaliado por especialista, medicado mediante prescrição médica e aguardando reavaliação tenha sua linha de cuidado interrompida em razão de falhas operacionais internas do hospital. A situação evidencia deficiência na organização assistencial, falha na continuidade do atendimento, ausência de supervisão administrativa disponível para resolução imediata do problema, demora excessiva na execução de prescrição médica e desrespeito ao paciente, que foi obrigado a reiniciar todo o processo por circunstâncias que não decorreram de sua conduta.
Importante registrar que possuo registros fotográficos dos documentos emitidos durante o atendimento, incluindo fichas, horários, prescrições e demais comprovantes que permitem verificar a cronologia dos fatos narrados, servindo como prova documental da ocorrência e da demora excessiva experimentada.
Importante registrar, ainda, que em razão da gravidade dos fatos narrados e da necessidade de preservação da prova, foi lavrado Boletim de Ocorrência Policial sob o n *******-*******, com o objetivo de formalizar os acontecimentos descritos nesta manifestação. O referido registro reforça a veracidade dos fatos relatados e permanece à disposição para eventual conferência, juntamente com os demais documentos comprobatórios em posse deste reclamante.
Cumpre destacar que a segunda consulta somente ocorreu em razão de falha operacional atribuível exclusivamente ao Hospital São Lucas, uma vez que a necessidade de novo atendimento decorreu da demora injustificada na administração da medicação prescrita e da saída do médico especialista antes da conclusão regular do atendimento inicialmente iniciado. Assim, entendo que eventual cobrança referente à segunda consulta configura cobrança indevida, pois o novo atendimento foi imposto ao paciente para corrigir falha interna da própria instituição.
Dessa forma, além da apuração formal dos fatos e dos esclarecimentos pertinentes, solicito expressamente o cancelamento e a exclusão de qualquer cobrança, faturamento, coparticipação ou lançamento financeiro referente à segunda consulta realizada com o clínico geral, tendo em vista que ela foi necessária exclusivamente em razão da descontinuidade do atendimento causada pelo próprio hospital.
Informo ainda que, na presente data, entrei em contato formalmente com o Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) do Hospital São Lucas por meio de correio eletrônico (e-mail), buscando a resolução administrativa e amigável da controvérsia, em observância aos princípios da boa-fé objetiva, da cooperação e da solução consensual dos conflitos.
Entretanto, diante da gravidade dos fatos e visando resguardar meus direitos como consumidor e paciente, registro a presente reclamação para que a instituição apresente esclarecimentos formais, apure as responsabilidades internas, adote medidas corretivas efetivas e proceda ao cancelamento da segunda consulta, evitando prejuízos financeiros decorrentes de falha que não foi causada por minha conduta.
Solicito, ainda, esclarecimentos específicos acerca da demora excessiva na administração da medicação prescrita, da ausência de coordenação disponível para solucionar a ocorrência, da interrupção da continuidade assistencial iniciada pelo neurologista e das medidas que serão implementadas para evitar a repetição de situações semelhantes com outros pacientes.
Caso não haja solução administrativa adequada e tempestiva, reservo-me o direito de encaminhar a presente demanda aos órgãos de proteção e defesa do consumidor, à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), bem como aos demais órgãos competentes para análise dos fatos e eventual apuração das responsabilidades cabíveis.
Permanecerei aguardando manifestação formal da instituição e a solução integral da demanda por via administrativa.
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Resposta da empresa
16/06/2026 às 15:25
Prezado Gustavo, boa tarde!
O Serviço de Relacionamento com o Cliente do São Lucas Hospital Particular e Convênios, confirma o recebimento de sua solicitação, registrada sob o protocolo *****.
Informamos que a demanda está em análise e já foi encaminhada ao setor responsável. Assim que houver um retorno, entraremos em contato.
Cordialmente,