Denúncia de exploração de cuidadores e negligência em ILPI

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São Paulo - SP

24/06/2025 às 20:39

ID: 220458187

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DENÚNCIA DE EXPLORAÇÃO DE CUIDADORES POR PARTE DA EQUIPE DE ENFERMAGEM E ADMINISTRAÇÃO DA INSTITUIÇÃO

Venho, por meio deste relato, denunciar práticas abusivas e irregulares observadas no interior de uma instituição de longa permanência para idosos (ILPI), onde prestadores de serviços são submetidos a condições extremamente precárias, caracterizando exploração e negligência assistencial.

É recorrente a substituição das atribuições da equipe técnica de enfermagem por cuidadores, que, com o aval da própria administração da casa, são forçados a exercer funções que não lhes competem, como administração de medicamentos, higienização de pacientes acamados e outros cuidados de responsabilidade exclusiva da enfermagem. Tudo isso é feito sem qualquer vínculo empregatício, por valores irrisórios e sem a supervisão necessária, colocando em risco tanto os profissionais quanto os pacientes internados.

Enquanto isso, os profissionais contratados como técnicos de enfermagem permanecem ociosos durante seus plantões, em flagrante omissão de suas responsabilidades. A estrutura da casa é reduzida intencionalmente, com a demissão ou não contratação de profissionais qualificados, visando cortar custos e repassar a carga de trabalho aos cuidadores, que muitas vezes estão ali apenas como acompanhantes. As agências de cuidadores, mesmo cientes dessa prática, se omitem por receio de perder contratos com a instituição ou de terem seus profissionais impedidos de continuar prestando serviços.

A situação é alarmante. Presenciei, como técnico de enfermagem, cuidadores sendo coagidos fisicamente e psicologicamente a desempenhar funções técnicas, especialmente durante os períodos noturnos, quando enfermeiros e auxiliares de enfermagem se ausentam ou negligenciam completamente os pacientes. Os idosos chegam a permanecer por horas ou até o dia inteiro sujos, sem higiene básica, sendo socorridos apenas graças à boa vontade dos cuidadores, que, mesmo mal remunerados e despreparados para tais funções, se veem obrigados a agir por empatia e senso de responsabilidade.

É inaceitável que famílias paguem valores elevados para garantir o bem-estar de seus entes queridos, enquanto estes são deixados em condições subumanas, entregues à própria sorte. A direção da casa tem pleno conhecimento dessa situação e nada faz para corrigi-la pelo contrário, age em conivência com as irregularidades para reduzir custos e lucrar à custa da exploração e do sofrimento alheio.

Finalizo este relato exigindo que os órgãos competentes como a Vigilância Sanitária, o Ministério Público, o Conselho Regional de Enfermagem (COREN) e a Secretaria de Saúde tomem providências imediatas para apurar os fatos, fiscalizar o local e garantir a dignidade tanto dos profissionais quanto dos pacientes.

Denunciante: Profissional da área da saúde, Técnico de Enfermagem, que prestou serviços na referida instituição.

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Resposta da empresa

25/06/2025 às 13:09

Prezado,

Agradecemos pelo envio da manifestação e informamos que tomamos conhecimento do conteúdo publicado, o qual será analisado com a devida seriedade e responsabilidade que o tema exige.

Desde sua fundação, a SBA Residencial atua com base em princípios éticos, legais e técnicos, comprometida com a qualidade do atendimento prestado aos seus residentes e com o respeito a todos os profissionais que integram ou prestam serviços à instituição. Nosso trabalho segue as normativas vigentes da Vigilância Sanitária, do Conselho Regional de Enfermagem (COREN), do Estatuto do Idoso e das demais legislações aplicáveis às Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs).

A SBA mantém políticas internas claras quanto às atribuições de cada categoria profissional, bem como protocolos de conduta e canais formais para o encaminhamento de eventuais irregularidades. Até o momento, não há registro formal em nossos sistemas internos de denúncias ou comunicações que apontem os fatos mencionados nesta publicação. Isso, no entanto, não isenta a instituição de tratar com atenção qualquer relato que envolva questões técnicas, éticas ou legais.

Reforçamos que não é prática da instituição permitir ou tolerar desvios de função, coações, sobrecarga de profissionais ou ausência de supervisão técnica em qualquer turno de trabalho. Sempre que há indícios fundamentados de inconformidades, são adotadas medidas internas para apuração, com o devido respaldo documental e, se necessário, encaminhamento às autoridades competentes.


A SBA reafirma seu compromisso com a transparência, com o cumprimento das normas técnicas e com o contínuo aprimoramento dos seus processos. Reiteramos ainda nossa total disposição em colaborar com quaisquer fiscalizações externas regulares ou extraordinárias por parte dos órgãos públicos competentes.

Atenciosamente,
SBA Residencial

Réplica do consumidor

05/12/2025 às 17:39

Agradeço a resposta, porém ela não responde nenhum dos fatos específicos relatados, limitando-se a um texto institucional genérico que não condiz com a realidade presenciada.
Reforço os pontos que a instituição não esclareceu:
Por que cuidadores são instruídos a realizar funções técnicas de enfermagem, incluindo administração de medicamentos e higiene total de idosos acamados, sem vínculo e sem supervisão?
Por que técnicos de enfermagem permanecem ociosos enquanto cuidadores assumem a assistência total, especialmente no período noturno?
Por que não há registro formal de denúncias, se cuidadores afirmam ser constantemente coagidos a assumir responsabilidades da equipe técnica?
Por que idosos permanecem por horas sem higiene básica, dependendo exclusivamente da boa vontade de cuidadores não habilitados?
Por que a estrutura de profissionais é reduzida intencionalmente, sobrecarregando terceirizados e colocando em risco a segurança dos residentes?
A instituição afirma seguir COREN, Vigilância Sanitária e Estatuto do Idoso, mas não respondeu objetivamente nenhuma das questões acima.
Reforço que não se trata de opinião, mas de fatos vivenciados como profissional da saúde dentro da unidade. Esses fatos serão encaminhados também à:
Vigilância Sanitária
COREN
Ministério Público
Secretaria de Saúde
Solicito que a empresa responda pontualmente, tópico por tópico, cada uma das irregularidades apontadas, ao invés de produzir declarações genéricas sem relação com o ocorrido.

Consideração final do consumidor

08/12/2025 às 17:50

Diante das manifestações apresentadas, torna-se impossível ignorar o óbvio: a instituição não tem qualquer interesse real em esclarecer as irregularidades relatadas, tampouco demonstrou mínima disposição em tratar com seriedade fatos que deveriam provocar indignação imediata em qualquer gestor responsável por uma ILPI.
A empresa optou por respostas genéricas, cuidadosamente polidas, mas completamente desconectadas da realidade descrita.
Nenhuma pergunta objetiva foi respondida.
Nenhuma irregularidade foi confrontada.
Nenhum ponto crítico foi sequer mencionado.
E isso diz tudo.
As denúncias envolvem desvios de função, exploração explícita de cuidadores, omissão assistencial, ausência de supervisão técnica, negligência prolongada de idosos acamados e redução proposital do quadro de profissionais qualificados fatos que jamais poderiam ser tratados com a superficialidade apresentada aqui.
Quando uma instituição se recusa a responder tópicos tão graves, a mensagem transmitida é clara:
o problema não é desconhecimento, é conveniência.
É impossível conciliar o discurso institucional com a prática real observada no interior da unidade.
Enquanto as respostas falam em ética, protocolos e normativas, o que se vê na prática é:
cuidadores coagidos a assumir funções técnicas,
idosos dependentes deixados sem higiene adequada,
plantões sem supervisão qualificada,
profissionais ociosos enquanto terceirizados assumem toda a carga assistencial,
e uma gestão que ignora tudo isso em nome da economia de recursos.
Essa contradição profunda entre o que é escrito e o que é praticado só reforça uma constatação triste, mas real:
prevalece a lógica do lucro acima do cuidado, e se apoia na certeza de que, no Brasil, instituições assim costumam operar sob um manto de impunidade.
A resposta corporativa elegante, mas vazia tenta criar a aparência de responsabilidade, quando na verdade revela o oposto:
incapacidade (ou falta de vontade) de enfrentar a verdade interna.
Por isso, deixo registrado, de forma definitiva e pública:
os fatos vividos dentro dessa unidade são reais,
foram relatados com responsabilidade profissional,
não foram contestados nem explicados pela instituição,
e seguirão para conhecimento das autoridades competentes, inclusive com registro documental.
Este encerramento não representa resolução representa frustração com a ausência de transparência, e, acima de tudo, um alerta público a famílias que confiam suas vidas e as de seus entes queridos a esta instituição.
O que está escrito aqui permanece.
E permanece porque a verdade não pode ser apagada por discursos formais.
A responsabilidade ética, moral e social da instituição está registrada, e não há texto corporativo capaz de encobrir isso.

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