Hospital falha na comunicação de resultado crítico e no acompanhamento de paciente com candidemia

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Florianópolis - SC

24/06/2026 às 19:45

ID: 252277979

Hospital deixa paciente egresso com candidemia confirmada sem orientação médica e sem acesso a especialista em situação crítica


Fui internado neste hospital entre os dias 13 e 18 de junho de 2026, em quadro de broncopneumonia bacteriana com sepse precaucional, sob protocolo específico. Recebi alta com encaminhamento para continuidade de tratamento oral domiciliar com amoxicilina-clavulanato, com investigações ainda em aberto, entre elas as hemoculturas coletadas durante a internação.

Em 20 de junho, foi liberado o resultado das hemoculturas, demonstrando crescimento de Candida parapsilosis em duas amostras de sangue periférico distintas, configurando diagnóstico de candidemia, infecção fúngica da corrente sanguínea. O resultado foi liberado pelo laboratório com a chancela do hospital e disponibilizado no sistema para acesso médico. Tomei conhecimento do resultado por conta própria, ao acessar o sistema de exames.

Tendo histórico pessoal de febre reumática aos 9 anos e endocardite bacteriana aos 24, situação que torna o quadro atual de candidemia particularmente grave pelo risco elevado de endocardite fúngica recorrente, o que foi relatado na anamnese, busquei imediatamente avaliação médica.

Em 24 de junho por volta das 2h da madrugada, fui ao pronto-atendimento do hospital, onde fui avaliado por médica que prescreveu fluconazol em dose única de 150 mg e orientou repetir a hemocultura em sete dias. Essa conduta está em desacordo com o protocolo padrão internacional para candidemia confirmada, que prevê dose de ataque de 800 mg seguida de 400 mg ao dia por no mínimo duas semanas após a primeira hemocultura negativa de controle, além de avaliação obrigatória com ecocardiograma e fundo de olho para descartar endocardite e endoftalmite, especialmente em paciente com histórico cardíaco como o meu.

Na manhã de 24 de junho, enviei email à ouvidoria do hospital solicitando reavaliação do caso por infectologista, dada a divergência entre a conduta proposta e o protocolo padrão para minha condição. Não recebi resposta durante o dia inteiro.

No final da tarde de 24 de junho, liguei para o hospital solicitando contato com o infectologista ou com o pneumologista que me acompanhou durante a internação. Expliquei a gravidade do caso, mencionei o histórico de endocardite bacteriana, descrevi o quadro de candidemia confirmada e a divergência com a conduta prescrita no pronto-atendimento. A atendente informou que não havia mais ninguém disponível no setor responsável e que eu deveria ligar no dia seguinte.

Considero este encaminhamento absolutamente inadequado diante da gravidade da minha situação clínica. Candidemia confirmada com histórico de endocardite prévia é condição que exige conduta médica imediata, não orientação para "ligar amanhã". Cada hora de atraso no início do tratamento adequado aumenta o risco de complicações graves, incluindo disseminação fúngica para válvulas cardíacas, olhos, fígado, baço e outros órgãos.

O hospital teve em mãos meu resultado de hemocultura desde 20 de junho. Não fui contatado proativamente sobre o resultado. Quando busquei orientação ativa, recebi conduta divergente do protocolo. Quando questionei a conduta via ouvidoria, não fui respondido. Quando liguei pedindo reavaliação especializada, fui orientado a esperar até o dia seguinte.

Este conjunto de omissões configura descaso institucional com paciente egresso em situação clínica grave, conhecida pela instituição, com resultado de exame crítico não comunicado adequadamente e sem encaminhamento estruturado para o especialista necessário.

Solicito como providências:

Apuração interna do fluxo de comunicação de resultados críticos de hemocultura a pacientes egressos.

Apuração da conduta do pronto-atendimento diante de candidemia confirmada com histórico cardíaco do paciente.

Apuração do motivo da ausência de resposta da ouvidoria durante o dia útil em que fui contatada.

Apuração do motivo da indisponibilidade de especialista para avaliação no final do dia em situação clínica caracterizada como urgente pelo paciente.

Reavaliação imediata do meu caso por infectologista e pneumologista, com definição de protocolo terapêutico adequado e investigação complementar (ecocardiograma, função hepática, fundo de olho, hemocultura de controle).

Permaneço aguardando posicionamento da instituição sobre o ocorrido e sobre as providências adotadas.

Atenciosamente,
HJZ

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Resposta da empresa

25/06/2026 às 08:38

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Consideração final do consumidor

03/07/2026 às 14:11

Após contato com a Ouvidoria, e insistir com eles por providências imediatas, me encaminharam para o hospital para avaliação da candidemia. Fui internado e avaliado, e fiquei internado 6 dias por candidemia. Após melhora e negativação da hemocultura, recebi alta. Por enquanto, parece que está ok. Agradeço a atenção e providências.

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Nota do atendimento

7