Filho com virada maníaca expulso do Supera Praia Grande: falta de preparo e acolhimento

Não resolvido
São Paulo - SP
30/09/2025 às 12:10
ID: 228157951
Assunto: Em virada maníaca, meu filho foi expulso pelo Supera da Praia Grande.
Prezado CEO do Supera,
Espero que esta carta encontre o senhor bem. Meu nome é *****, marido da Tatiana, pai do João, uma família formada por adoção há quatro anos, e infelizmente tivemos uma experiência muito complicada com o Supera da Praia Grande.
Meu tem um histórico muito sofrido. Sua mãe biológica, segundo o processo de destituição de poder familiar ao qual tivemos acesso pouco antes da adoção ser efetivada na Justiça, era dependente de craque e cocaína, tendo muito provavelmente usado droga durante a gestação. Sabemos também que o João viveu com ela dos zero aos quatro anos, e sinceramente considero um milagre que ele tenha sobrevivido. Ele foi descoberto por acaso pelo Ministério Público, quando sua mãe deu a luz à irmanzinha mais nova do João num hospital público de São Paulo. A equipe médica se recusou a dar alta para ambos, acionando o Serviço Social da Prefeitura e o Ministério Público, que determinou duas coisas: o abrigamento da bebezinha recém-nascida e uma investigação na família para identificar outras crianças em situação de risco.
Foi assim que descobriram meu filho, aos quatro anos, sobrevivendo num barraco de craque. Ele não falava, não tinha controle esfincteriano. Depois soubemos que as únicas refeições que ele fazia eram na creche onde ele ficava o dia todo. Eu visitei a creche, consegui conversar com a diretora, e ela se lembrava do João, porque quando o João foi abrigado, ele foi recolhido na creche, durante o expediente. Ela me contou que dias depois o traficante da região foi pedir explicações de o porquê ela ter deixado o menino ser abrigado.
Isso aconteceu quando o João tinha quatro anos. No abrigo, ele chegou sem falar, apenas apontando coisas e usando fraldas, sem controle esfincteriano. Felizmente ali ele se desenvolveu muito. Quando o conhecemos, aos seis anos, ele falava, brincava, agia como uma criança normal. Tinha questões, obviamente, mas havia ali a possibilidade da adoção, que abraçamos.
Começamos a fazer um histórico médico do menino, levando a todos os médicos possíveis e imagináveis, pois sabíamos que ele tinha questões e que tínhamos de correr para solucioná-las. Nesse período, descobrimos algumas coisas. Ele foi diagnosticado com TDAH, está sendo medicado e responde bem ao metilfenidrato, a famosa ritalina. Ele está em investigação para TEA, para deficiência intelectual e para outras questões também. Estamos na jornada. Encontramos uma escola pequena na Praia Grande onde encontramos acolhimento para a história dele, a história da nossa família e para as necessidades educacionais dele, que aos 11 anos ainda não lê, ainda não fala com clareza, mas está começando a identificar sílabas e, cremos nós, está prestes a superar essa dificuldade.
Nesse ponto começa o relacionamento com o Supera na Praia Grande. Achávamos que o método poderia ajudá-lo ao oferecer o estímulo cognitivo que faltou durante os anos iniciais de sua vida. Eu também fiquei animado com o método e me matriculei também. Aliás, é uma estratégia que eu tenho. Sempre que foi fazer algo com o João, eu me matriculo junto, por alguns motivos. Primeiro porque passo tempo com ele. Segundo, para termos algo para compartilhar. Terceiro para que o prestador de serviço veja valor em tê-lo ali. Meu filho é difícil. Exige de qualquer um. Quando eu me matriculo junto nas aulas, são dois alunos que a instituição pode perder.
Até aqui, deu tudo certo. Começamos a executar o método, eu gostei muito, a equipe do Supera dizia que ele tinha boa cognição, que havia ali crianças com comprometimento maiores do que o do João, mas que também estavam progredindo. Ficamos animados. Achávamos que logo ele poderia ler, como sonhamos.
Hoje sabemos que mais ou menos na mesma época em que o João começou no supera, o neurologista dele alterou a medicação. Ele achava que o João podia se beneficiar de um antidepressivo chamado sertralina, que não costuma ser um problema para muitos pacientes. É um medicamento usado há muito tempo, com longo histórico de uso, mas que pode, sim, gerar efeitos adversos. A configuração dos medicamentos foi a seguinte: 72 mg de metilfenidrato, 100 mg de sertralina e 1 mg de risperidona.
Um dia, depois da aula dele, sou chamado pelo franqueado para uma conversa. O João simplesmente havia impedido a aula. Ficou no chão fazendo "manha", imitando bichos (ele faz isso), interrompendo os demais alunos e se recusou a fazer as atividades propostas. Eu aproveitei a oportunidade para contar todo o histórico do João, o mesmo que relatei no começo dessa mensagem.
Traçamos um plano conjunto. Tivemos uma longa conversa com o João, junto com os professores. Deixamos claro que o João requer um manejo mais incisivo e que os professores teriam nosso aval, exatamente como fazemos na escola. Nas duas aulas seguintes, creio eu, não houve relatos de mal comportamento. Mas na terceira, sim. João havia se envolvido numa discussão com uma colega, creio que uma disputa de pontos num dos jogos. Ele acabou batendo na colega e, novamente, fez da aula um inferno, de um jeito que ninguém conseguiu aproveitar. Fomos eu e minha esposa chamados para uma nova conversa. Achávamos que o João seria expulso. Mas o Supera propôs que fizéssemos um atendimento só com ele.
Achamos importante o que a equipe fez. Deu uma alternativa a um problema, enquanto ganhávamos tempo. Somos novos na Praia Grande. Nosso convênio não cobria prestadores de serviços de saúde na cidade. Então fizemos um novo para que o João pudesse retomar as terapias que ele fazia em São Paulo, cuja carência vence somente em outubro. Enquanto isso, procuramos uma psicóloga para que ele pudesse ter a oportunidade de manejar os sentimentos dele.
Ele ainda questiona certos aspectos da adoção, das ações da mãe biológica (da qual ele se lembra), questiona porque é diferente e porque está difícil a adaptação à nova cidade. A agressividade que relatei é um conjunto desses fatores todos. Ele também tem questões com a sexualidade, não só porque está se manifestando aos 11 anos, na flor dos hormônios dele, mas porque há indícios de abuso físico e sexual no processo de adoção.
Mas eis que o João, meu filho, resolve aprontar novamente. Ele tem o dom de ser um pentelho quando quer e de irritar. Nessa terceira vez, a pobre professora Renata foi a vítima. Pela informação que chegou até mim, João estava brincando com o tangran, quando a professora pergunta a ele que imagem o quebra-cabeças mostrava, e ele mandou uma frase grosseira: "minha mãe de quatro".
Foi o limite. A equipe do Supera decidiu pela expulsão dele, unilateral. Obviamente que não há desculpas para o comportamento do meu filho. Foi muito constrangedor. Constrangedor pelo comportamento dele, constrangedor pela forma como ele desrrespeitou a professora e constrangedor por ter sugerido que nós temos um comportamento abusivo com ele.
Estávamos muito chateados e constrangidos. Eu rescindi meu contrato também, porque não tive clima de voltar ao Supera. O contrato do João, como disse, foi rescindido por vocês. Estávamos conformados com a situação, com um filho em sofrimento, com nossa família em sofrimento também.
Pouco depois da expulsão, nós tinhamos uma consulta com o neurologista do João e fizemos um relato detalhado de tudo o que aconteceu. Eis aqui um ponto muito importante para vocês, até para evitar avaliações preciptadas.
Dr. Gustavo acredita que o comportamento do João tenha a ver com a medicação. Ele disse que pacientes portadores de transtorno bipolar, com o uso de sertralina, podem desenvolver a chamada virada maníaca, que se caracteriza por um comportamento sexualizado, agressivo, falta de concentração, agitação, tudo isso de forma exacerbada.
Ele vai providenciar um relatório em que explica em mais detalhes o que resumi nas linhas acima. Mas pelo menos o episódio serviu para dar uma pista sobre o possível diagnóstico do João, no caso transtorno de bipolaridade, que ele terá a oportunidade de tratar corretamente. Se desejarem, compartilho o relatório com vocês.
Mas gostaria aqui de fazer algumas reflexões sobre como o caso do meu filho foi tratado pelo Supera da Praia Grande e espero que vocês realmente repensem algumas coisas:
1) O Supera se propõe a ser um espaço de acolhimento de pessoas neurodivergentes, ao menos é assim que se vendem. O franqueado nos disse, inclusive, que o fundador da franquia é pai de um menino com dificuldade de aprendizagem, que teria inspirado a criação do negócio. Porém, meu filho é um neurodivergente se me permite dizer "nível hard". E no Supera ele não encontrou pessoas preparadas para lidar com ele, especialmente na situação de surto maníaco em que ele se encontrava. O Supera recebe bem neurodivergentes que não sejam tão exigentes. E é assim porque seus franqueados sabem muito pouco de neurodivergência, de diversidade e de inclusão. Seu franqueado da Praia Grande é um matemático que sabe fazer contas, sabe que pelo menos 20% das crianças da rede pública já tem crachás de TEA, TDAH e de condições ocultas. Sabe que pode ganhar dinheiro. Mas se dispõe a aceitar somente os neurodivergentes "light", que não dão trabalho. Então, sinceramente, acho que vocês tem que pensar muito bem em quem vocês aceitam como franqueado.
2) Nós somos uma família estigmatizada de muitas formas. Somos dois pais brancos que têm um filho negro. Estamos acostumados com falas preconceituosas do tipo "você não parece pai dele", "adoção deve ser complicada", "vocês pegaram uma criança que tem problemas" e coisas do tipo. Entendam que famílias como a nossa, que tem um neurodivergente em casa, só quer encontrar ajuda. Às vezes, só acolhimento basta. E às vezes encontramos, mas muitas vezes não. Nós temos um menino que está com dificuldade para se adaptar à nova cidade, que tem neurodivergência, baixa autoestima por conta e sua história e suas dificuldades. Mas não tem manejo que dê conta dele no Supera. Que manejo seria esse? Certamente outro.
3) Agora vem as questões financeiras. Vocês ficaram com a minha matrícula e a do João. Vocês ficaram com o investimento nos materiais, que perdemos e não são reembolsáveis. Vocês ficaram com as mensalidades que pagamos, ficaram com a minha multa de rescisão contratual. E nós? Recebemos o quê? Recebemos uma prestação de serviço incompleta e constrangimento. Se você realmente tem um filho neurodivergente, então vai entender o que eu vou dizer. Nesses quatro anos de adoção, devemos ter ouvido uns 30 profissionais de diferentes especialidades na nossa jornada para ajudar o João, entre médicos, terapeutas, psicólogos, neuropsicólogos, psicopedagogos. Esses profissionais se dividem em três grupos. Existem aqueles que conseguiram ajudá-lo e tinham alguma competência e acolhimento para compreender a situação da nossa família. Existem aqueles que não tem competência para ajudar o João, que reconhecem prontamente a incapacidade e nos permitem buscar ajuda com outro profissional. Por fim, existem aqueles que não têm competência para ajudar uma criança como o João, mas que acham que podem ficar com o dinheiro dos pais e prestar um serviço que não atende seu filho. O Supera da Praia Grande está no terceiro grupo.
Espero que considere tudo o que escrevi, e que meu relato motive pelo menos mudanças na sua organização.
Forte abraço,
***** e família.
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Resposta da empresa
07/10/2025 às 10:01
Oi, Daniel, tudo bom?
Antes de tudo, queremos agradecer pela sinceridade e pelo cuidado em compartilhar a história de vocês conosco. Receber um relato tão profundo e pessoal é algo que respeitamos muito, porque sabemos que por trás das palavras existe a dor, o amor e a luta diária de uma família.
Sentimos imensamente que a experiência de vocês com o Supera não tenha ido ao encontro de suas expectativas. O João, assim como cada aluno que passa por nossas unidades, merece respeito, atenção e oportunidade de desenvolvimento.
Os responsáveis, neste momento inicial, precisam ser muito transparentes em relação às capacidades e necessidades de seus filhos para que juntos possamos entender se a proposta Supera é a mais adequada, pois não somos um espaço especializado no tratamento terapêutico. Nossa proposta é baseada na estimulação cognitiva, ou seja, por meio de atividades variadas, há o aprimoramento geral das funções cognitivas e sociais. Essas atividades são conduzidas por educadores devidamente treinados e certificados na metodologia Supera. São especialistas no formato de estimulação cognitiva que oferecemos (e não em neurodivergências).
No caso do João, inicialmente foi nos informado apenas o diagnóstico de TDAH. Foram vários esforços antes da difícil decisão de encerrar o contrato, que jamais foi tomada de forma leviana, mas sim diante da percepção de que não estávamos conseguindo oferecer ao João o ambiente adequado para o seu desenvolvimento naquele momento.
Além disso, como foi relatado, houve briga e também uma ofensa a educadora na frente dos outros alunos. Sentimos em dizer que precisamos preservar os outros alunos de forma que se sintam seguros no ambiente da unidade Supera, pois segurança é a primeira necessidade básica para o aprendizado.
Entendemos a frustração em relação ao investimento realizado e ao impacto emocional que a situação trouxe. Nos solidarizamos profundamente com sua família e, em especial, com o João, que tem diante de si uma grande jornada de descobertas, enfrentamentos e, certamente, conquistas.
Desejamos, de coração, que o João encontre nos próximos passos (com o suporte médico, terapêutico e educacional) os caminhos que mais façam sentido para o seu desenvolvimento e bem-estar. E que vocês, como família, sigam fortalecidos nessa caminhada.
Seguimos à disposição para dialogar por meio do nosso WhatsApp (o qual você já tem o contato).
Um grande abraço,
Supera
Consideração final do consumidor
07/10/2025 às 13:00
Supera não tem preparo para lidar com crianças neurodivergentes, simples assim. Procure gente que tenha experiência.
O problema foi resolvido?

Não resolvido
Voltaria a fazer negócio
Não
Nota do atendimento
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