RECLAMAÇÃO REFERENTE A FALHA GRAVE NA ORGANIZAÇÃO, SEGURANÇA, ATENDIMENTO AO CONSUMIDOR E EXPOSIÇÃO A RISCO DURANTE O SHOW DE HARRY STYLES, NO MORUMBIS, 24/07/2026.

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São Paulo - SP

26/07/2026 às 18:57

ID: 254879159

Venho, por meio desta, registrar reclamação formal acerca dos fatos ocorridos no dia 24/07/2026, durante o show do Harry Styles, realizado no Estádio MorumBis.

Os acontecimentos extrapolaram qualquer mero transtorno cotidiano e configuram graves falhas na prestação do serviço, na organização do evento, na gestão de riscos, na segurança dos consumidores e no tratamento dispensado ao público. Todos os fatos narrados encontram-se registrados por fotografias, vídeos, registros de horário, testemunhas e demais elementos de prova, que serão apresentados caso seja necessária a adoção de medidas administrativas ou judiciais.

Cheguei ao local aproximadamente às 12h40, posicionando-me no início da continuidade da fila destinada ao Portão 6, conforme as orientações previamente divulgadas.

Por volta das 14h00, um caminhão da Tropa de Choque afundou no asfalto devido ao peso do veículo, causando um forte estrondo que assustou centenas de pessoas. Diversos consumidores passaram mal, apresentaram crises de ansiedade e grande apreensão. Um representante da CET afirmou que não havia ocorrido nada grave e orientou que todos permanecessem em seus lugares. Entretanto, às 14h36, era evidente que o caminhão havia afundado ainda mais.

O acidente não foi o maior problema. O mais grave foi a completa ausência de gerenciamento da crise. Somente às 15h17 iniciou-se a reorganização da fila e, às 15h30, todo o acesso já estava bloqueado, embora os portões fossem abertos apenas às 16h00. Houve tempo suficiente para preservar a ordem das filas e criar alternativas seguras, porém nenhuma medida efetiva foi adotada.

Eu ocupava posição privilegiada na fila desde as 12h40. Ainda assim, a organização decidiu orientar primeiro justamente quem estava no final da fila. Pessoas que chegaram horas depois acabaram beneficiadas, enquanto aqueles que aguardavam desde cedo perderam completamente sua posição, sem qualquer critério técnico ou justificativa. Tal conduta viola os princípios da boa-fé objetiva, da confiança legítima, da isonomia entre consumidores e do dever de informação, previstos no Código de Defesa do Consumidor.

Após essa decisão, milhares de pessoas foram obrigadas a percorrer um trajeto extremamente longo pelas vias ao redor do estádio, passando pela Avenida Padre Lebret, Rua Monsenhor Henrique Magalhães, Avenida Albert Einstein, Rua Dona Adelina Ashcar, Avenida Giovanni Gronchi e Rua Doutor Erasmo Teixeira de Assunção, em meio ao intenso fluxo de veículos, sem isolamento adequado, orientação suficiente ou planejamento compatível com um evento dessa dimensão.

O resultado foi um intenso empurra-empurra. Fui empurrada diversas vezes, sofri escoriações, retornei para casa lesionada, apresentei queda significativa da pressão arterial, tremores, taquicardia, falta de ar e crise de ansiedade, necessitando de atendimento médico durante o evento.

Também houve tratamento absolutamente incompatível por parte de agentes públicos. Ao buscar esclarecimentos de forma respeitosa, eu e minha colega fomos ameaçadas de prisão por um policial militar, que afirmou não se importar se perderíamos o show e que nos prenderia caso insistíssemos em solicitar informações. Um representante da CET igualmente interrompeu qualquer tentativa de diálogo, afirmando que não havia mais nada a ser feito e que simplesmente deveríamos ir embora.

Presenciei ainda uma mãe acompanhada de sua filha de apenas 14 anos receber do mesmo policial a resposta de que ele preferia vê-la chorando a correr qualquer risco em razão do caminhão, acrescentando que não se importava com o choro nem com o show. Independentemente do contexto, trata-se de manifestação incompatível com os deveres de urbanidade, respeito e atendimento que se espera de agentes públicos.

Também merece destaque a postura de uma representante da Ticketmaster que, ao ser questionada por diversos consumidores, limitou-se a informar, em tom debochado e desinteressado, que nenhuma providência seria adotada, demonstrando absoluto descaso com o público que financiou integralmente o evento.

Registro ainda que, desde 24/07/2026, o canal de reclamações da Ticketmaster permanece apresentando apenas uma tela em branco justamente na área destinada ao registro de ocorrências, dificultando o exercício do direito do consumidor de formalizar sua reclamação.

Dentro do estádio, as escadas permaneceram bloqueadas por espectadores sentados e em pé, impedindo completamente a circulação e gerando risco constante de quedas. Apesar das diversas reclamações feitas aos organizadores e seguranças, nenhuma providência foi adotada.

Sou sócia-torcedora do São Paulo Futebol Clube e frequento regularmente o MorumBis. Não questiono a necessidade de policiamento, mas a decisão de posicionar um caminhão da Tropa de Choque exatamente na área destinada à formação das filas, quando existiam alternativas muito mais seguras. Da mesma forma, havia diversas soluções organizacionais possíveis, como utilização de outros portões, preservação da ordem cronológica da fila, criação de corredores de acesso e melhor orientação ao público, nenhuma delas adotada.

Ao chegar à catraca, fui novamente tratada de forma agressiva por funcionários responsáveis pela entrada, que gritavam com consumidores e chegaram a afirmar que eu poderia perder o show caso continuasse questionando a situação.

Os fatos demonstram clara falha na prestação do serviço, violando os artigos 6, 8, 14 e 20 do Código de Defesa do Consumidor, que asseguram o direito à informação adequada, à segurança, à prestação eficiente do serviço e estabelecem a responsabilidade objetiva do fornecedor pelos danos causados aos consumidores. Também afrontam o princípio da boa-fé objetiva, previsto no Código Civil, e o princípio da dignidade da pessoa humana, previsto no artigo 1, inciso III, da Constituição Federal.

Diante da gravidade dos fatos, não aceito respostas padronizadas ou automatizadas. Solicito que esta reclamação seja encaminhada ao setor competente e que o retorno seja realizado por ligação telefônica, com esclarecimentos efetivos e informação das providências concretas que serão adotadas.

Caso não haja solução compatível com a gravidade da situação, adotarei todas as medidas administrativas e judiciais cabíveis, inclusive perante o PROCON, Ministério Público, Ouvidorias competentes e Poder Judiciário, utilizando todo o conjunto probatório que possuo para buscar a devida responsabilização pelos danos sofridos.

Espero que esta manifestação seja tratada com a seriedade que os fatos exigem. Não se trata apenas de uma reclamação sobre um evento, mas do relato de consumidores que foram expostos a riscos evitáveis, submetidos a tratamento incompatível com o mínimo esperado e profundamente prejudicados por falhas que poderiam e deveriam ter sido evitadas.

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