Ônibus da Transurc quebrado: descaso e abandono

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Campinas - SP

04/08/2025 às 08:00

ID: 223661133

Na manhã da segunda-feira, dia 4 de agosto de 2025, vivi uma das situações mais humilhantes da minha rotina como trabalhador. O ônibus da Transurc que me levaria ao trabalho simplesmente parou no meio da estrada. Sem qualquer aviso, sem ajuda, sem segurança. Ficamos ali, no acostamento, completamente expostos ao frio, ao trânsito e à indiferença. E o que mais doeu não foi o atraso. Foi a sensação de abandono. A impressão de que a gente, trabalhador, vale muito pouco. Aquele momento, que durou pouco mais de uma hora, teve peso de dias na minha consciência.

Essa não foi a primeira vez que o ônibus apresentou problema, e sei que não sou o único a passar por isso. Quem depende diariamente do transporte coletivo oferecido pela Transurc já conhece bem os riscos. Os veículos estão, em sua maioria, em condições precárias: bancos rasgados, sujeira acumulada, janelas que não abrem, um calor insuportável nos dias quentes, mau cheiro constante e até presença de baratas e mosquitos. A gente entra no ônibus já sabendo que não será um trajeto tranquilo, mas torcendo para que, pelo menos, ele chegue inteiro ao destino.

É revoltante perceber como a empresa ignora a nossa dignidade. O mínimo que se espera de um serviço essencial como o transporte é que seja seguro, limpo e minimamente confortável. Mas o que recebemos, dia após dia, é descaso. E quando ocorre um problema mais sério, como o de segunda-feira, a situação se agrava: não há protocolo de emergência, nenhum responsável aparece, nenhum suporte é dado. Somos deixados de lado, como se fôssemos descartáveis. E o mais difícil é sentir que ninguém vai responder por isso.

Essa experiência me fez pensar no quanto nós, trabalhadores, somos desrespeitados desde o momento em que saímos de casa. Já enfrentamos jornadas longas, salários apertados, pressão constante, e ainda temos que encarar um transporte que nos trata como se fôssemos invisíveis. Ficar parado na beira da estrada não é só um contratempo é um símbolo da precarização, da falta de cuidado com quem carrega nas costas o peso da cidade funcionando.

Além do cansaço físico, há o desgaste emocional. Sentir vergonha por estar naquela situação, por chegar suado e atrasado ao trabalho, por depender de um sistema que não nos enxerga como prioridade. Parece que a nossa saúde, nosso bem-estar e nossa segurança não importam. E isso tem um custo alto: adoece o corpo e esgota a mente.

Diante disso, me pergunto: até quando essa realidade vai continuar? Até quando vamos aceitar que empresas como a Transurc ofereçam um serviço abaixo do mínimo aceitável, sem serem responsabilizadas? É urgente que o poder público atue com firmeza, que haja fiscalização de verdade, que se cobre respeito à nossa vida. E mais: é preciso que a própria sociedade reconheça que o transporte não é um luxo nem um favor é um direito básico, e deve ser tratado como tal.

O que vivi naquela manhã foi só mais um capítulo de uma história que se repete todos os dias com centenas de pessoas. Mas não pode ser naturalizado. Ficar calado é aceitar que isso continue acontecendo. Por isso escrevo, relato e denuncio. Porque ninguém merece começar o dia sentindo-se descartado. Ninguém deveria ser tratado com tanto descaso só porque depende de um ônibus para chegar ao trabalho.

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