Atendimento discriminatório a pessoa com deficiência em autoescola

Não respondida
Rio de Janeiro - RJ
19/06/2026 às 15:49
ID: 251859759
Bom dia,
Quero registrar uma reclamação em relação ao atendimento recebido na Autoescola Trindade, unidade Bonsucesso/RJ, localizada na Av. *****, n *****, Bairro *****, Rio de Janeiro/RJ, CEP *****, no dia 19 de junho de 2026, por volta das 10h.
Sou pessoa com deficiência e estou em processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Já realizei todas as etapas exigidas pelo DETRAN-RJ até o momento, incluindo os exames necessários e a aprovação na prova teórica.
Durante contato com a atendente *****, o atendimento transcorria normalmente. Foram apresentados os valores, condições de pagamento, planos disponíveis e demais informações referentes às aulas práticas. Inclusive, eu estava prestes a contratar o pacote de 10 aulas práticas de carro e 10 aulas práticas de moto.
Entretanto, após o envio do meu RENACH (Registro Nacional de Carteiras de Habilitação), documento solicitado pela própria atendente, foi identificada a observação "Atendimento Especial". A partir desse momento, a atendente informou que eu deveria procurar outra unidade da rede, especificamente a unidade de Copacabana, ou buscar esclarecimentos diretamente junto ao DETRAN-RJ.
Ao perceber que a atendente não sabia informar o significado da observação constante no RENACH, questionei se seria possível consultar um gerente ou outro profissional da empresa que tivesse conhecimento sobre o assunto. Contudo, fui orientada apenas a procurar informações junto ao DETRAN, sem que houvesse qualquer tentativa de buscar esclarecimentos internamente ou verificar adequadamente a situação.
Seguindo a orientação recebida na unidade de Bonsucesso, entrei em contato com a unidade Copacabana da Autoescola Trindade, identifiquei-me e encaminhei meu RENACH. Fui atendida pela funcionária *****, que informou que iria acessar o sistema para verificar as especificações constantes no documento. Posteriormente, informou que estava aguardando a obtenção do status do requerimento e que entraria em contato posteriormente.
Contudo, até o momento do registro desta reclamação, nenhum retorno foi prestado.
Tal circunstância reforça a percepção de tratamento discriminatório, pois, após a identificação da minha condição de pessoa com deficiência, o atendimento foi interrompido em ambas as unidades, sem justificativa técnica ou legal e sem o retorno prometido.
O que mais me causou desconforto não foi apenas a falta de informação, mas a sensação de ter sido descartada do atendimento em razão de uma condição que sequer foi compreendida ou analisada pela própria empresa.
Entendo que dúvidas podem existir, especialmente em situações específicas envolvendo pessoas com deficiência. No entanto, justamente por essa razão, espera-se que a empresa busque orientação adequada antes de direcionar o cliente para outro local ou interromper o atendimento.
Como pessoa com deficiência, acredito que o atendimento deveria ser pautado pelo acolhimento, pela busca de informações corretas e pelo respeito às particularidades de cada caso. Quando um profissional não possui determinada informação, é razoável esperar que procure auxílio junto à gerência ou a outro setor competente, em vez de simplesmente transferir toda a responsabilidade ao cliente.
Além disso, considero importante destacar que, antes da análise do meu RENACH, eu estava prestes a formalizar a contratação dos serviços oferecidos pela empresa. Contudo, após a identificação da observação "Atendimento Especial", vinculada à minha condição de pessoa com deficiência, deixei de receber orientações voltadas à contratação e passei a ser direcionada para outro local, sem que houvesse qualquer esclarecimento concreto sobre a necessidade dessa medida.
Diante da insegurança gerada pelo atendimento, entrei em contato com o próprio DETRAN-RJ, especificamente com o setor responsável pelo atendimento de pessoas com deficiência física, localizado na unidade da Avenida Francisco Bicalho, buscando esclarecimentos sobre a situação.
Fui atendida por uma servidora, que me orientou e tranquilizou, esclarecendo que o procedimento adotado pela autoescola não estava correto. Fui informada de que, no caso de candidatos com visão monocular, não há necessidade de encaminhamento automático para unidade especializada ou para realização das aulas em autoescola específica, salvo se houver determinação expressa constante da avaliação médica.
A orientação recebida foi de que eu deveria procurar uma autoescola convencional para prosseguir normalmente com o processo de habilitação.
Tal esclarecimento evidenciou que a situação poderia ter sido resolvida pela própria autoescola mediante uma simples busca de informações junto ao DETRAN-RJ ou mediante consulta à gerência, especialmente porque solicitei expressamente que verificassem o assunto com alguém que possuísse maior conhecimento sobre o tema.
Além do constrangimento causado pela situação, registro que o atendimento recebido me gerou profundo abalo emocional. Diante da informação de que eu deveria procurar outra autoescola em razão da observação constante em meu RENACH, fiquei extremamente angustiada e cheguei a chorar, pois tive a sensação de estar sendo excluída do processo em razão da minha condição de pessoa com deficiência.
Por todo o exposto, entendo que houve falha na prestação do serviço, ausência de acolhimento, falta de preparo para o atendimento de candidatos PCD e possível prática discriminatória, circunstâncias que me causaram sofrimento emocional desnecessário e poderiam ter sido evitadas mediante uma adequada busca de informações e uma análise individualizada do caso.
Anexo os registros das conversas realizadas por WhatsApp, que comprovam os fatos narrados.
Atenciosamente,