Fui deixada sem assistência médica durante o trabalho de parto e minha reclamação não foi devidamente apurada.

Não respondida
Vitória - ES
30/07/2026 às 16:20
ID: 255244771
Há quase um ano vivi um dos momentos mais importantes da minha vida: o nascimento do meu filho. Infelizmente, essa lembrança também ficou marcada por uma profunda sensação de desamparo durante o trabalho de parto.
Demorei para escrever esta nova manifestação porque não tive condições emocionais de revisitar tudo o que aconteceu. Somente agora consegui reler a resposta enviada pela Maternidade Unimed e responder com a clareza que essa situação merece.
Gostaria de deixar claro que minha reclamação nunca foi em relação à enfermeira obstétrica que realizou meu parto. Pelo contrário, sou profundamente grata pela assistência prestada por ela. Minha insatisfação sempre foi em relação à assistência médica que recebi durante o trabalho de parto e à forma como minha reclamação foi posteriormente tratada pela instituição.
Fui internada às 2h05 da madrugada. A partir desse momento, até o nascimento do meu filho, às 3h35, vivi aproximadamente uma hora e meia de profunda angústia. Durante esse período, senti dores intensas, solicitei por diversas vezes avaliação médica e pedi analgesia. A informação que me foi passada era de que os obstetras e o anestesista estavam atendendo outra paciente.
Compreendo que emergências acontecem e que outra paciente também precisava de atendimento. Entretanto, o que não consigo compreender é como uma maternidade de referência, vinculada a um plano de saúde pelo qual pago justamente para ter assistência obstétrica, não possuía estrutura suficiente para prestar assistência adequada a duas pacientes em trabalho de parto ao mesmo tempo.
O que mais me marcou não foi o fato de o parto ter sido realizado pela enfermeira obstétrica, mas a sensação de permanecer sem assistência médica efetiva justamente no momento em que mais precisei. Foi somente quando a enfermeira obstétrica me avaliou e constatou que meu filho já estava nascendo que o parto foi conduzido por ela. O próprio retorno da maternidade confirma que o médico obstetra chegou apenas após o nascimento.
Até hoje me pergunto o que teria acontecido se, naquele intervalo entre minha internação e o nascimento do meu filho, tivesse ocorrido qualquer intercorrência comigo ou com ele. Felizmente, tudo terminou bem, mas isso não diminui a angústia que vivi. O que me causou sofrimento não foi apenas a ausência do médico no momento do parto, mas a sensação de que, entre a minha internação e o nascimento do meu filho, eu não tinha a quem recorrer quando mais precisava de assistência médica.
Quando decidi registrar minha reclamação, esperava que ela fosse apurada com cuidado, sensibilidade e transparência. No entanto, a resposta recebida limitou-se a apresentar uma cronologia dos acontecimentos e a concluir que toda a assistência foi prestada adequadamente, sem responder aos questionamentos que motivaram minha manifestação.
Também me causou grande frustração a afirmação de que a equipe não se recorda da ocorrência envolvendo meu marido. Esperava uma investigação efetiva dos fatos, e não apenas a alegação de ausência de lembrança. Identificar a profissional responsável pelo atendimento da minha alta seria algo simples, bastando verificar os registros do dia, horário e andar em que eu estava internada. Meu marido foi tratado com deboche e falta de respeito em um momento que deveria ser de felicidade para nossa família, e esse episódio sequer foi devidamente apurado.
Felizmente, meu filho nasceu saudável, e por isso sou imensamente grata. No entanto, um desfecho favorável não significa que toda a assistência tenha sido adequada. A qualidade de um atendimento não deve ser medida apenas pelo resultado final, mas também pelo acolhimento, pela disponibilidade da equipe, pela comunicação, pelo respeito e pela segurança transmitida à paciente e à sua família durante todo o processo.
Não escrevo esta manifestação para desmerecer profissionais ou buscar culpados. Escrevo porque acredito que nenhuma mulher deveria se sentir desassistida durante o trabalho de parto e porque espero que a experiência que vivi contribua para que outras famílias não passem pelo mesmo.
Solicito que esta manifestação seja reavaliada, que os fatos sejam apurados de forma criteriosa e que meus questionamentos sejam respondidos objetivamente, especialmente quanto à estrutura assistencial disponível naquela madrugada, às medidas adotadas para garantir minha assistência médica entre 2h05 e 3h35 e à conduta da equipe de enfermagem no momento da minha alta.