Minha gatinha m0rreu por conta de produto dado a ela nessa clínica

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Brasília - DF

09/03/2025 às 16:56

ID: 211705969

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No dia 17/01, no período da tarde, levei minha gatinha que tinha então 5 meses e estava saudável até a clínica VetCare, no Guará, DF, para atendimento em uma campanha para vermifugação de cães e gatos. Ela foi pesada e atendida pela veterinária Letícia, que disse que daria a ela um medicamento líquido para "estressar menos" e para poder adaptar a dose conforme o peso dela. Até o momento, eu não tinha recebido nenhuma informação sobre qual era o produto ou o princípio ativo. Ela administrou o produto por via oral, em seringa de 1 mL (não me mostraram naquele momento o volume ou o cálculo da dose) e só então anotou na caderneta que eu tinha levado o ativo, que era ivermectina. A veterinária não informou ou anotou a dose nem o nome comercial e lote do produto. Até então, eu estava acreditando que a pessoa sabia o que estava fazendo e voltei para casa com minha gatinha normalmente. Por volta das 19h, eu observei que ela começou a apresentar ataxia, caindo sobre as pernas traseiras ao tentar andar. Também começou a apresentar alguns sinais de desorientação. Imediatamente fiz contato com a clínica por mensagem, perguntando se poderia ser efeito adverso do medicamento e como eu deveria proceder. Após algum tempo, enviaram uma resposta vaga no primeiro momento, sem afirmar se seria ou não, e recomendando que eu procurasse um veterinário para avaliação (quem respondeu foi uma estagiária e não foi oferecido claramente atendimento na própria clínica nesse momento, muito menos gratuito). Eu então pedi que olhassem o que a bula falava sobre os efeitos adversos e o trecho enviado na resposta trazia claramente os sintomas que ela estava tendo, confirmando que seria muito provável que tivesse relação com o produto sim, já que ela não tinha recebido nenhum outro medicamento ou qualquer outra coisa diferente da rotina naquele dia. Então, disseram que eu poderia levar a gatinha até a clínica se quisesse, porém, o horário de funcionamento já estava se encerrando naquele momento (pouco antes das 20h). A principal orientação que passaram ao final (vinda da veterinária) foi a de manter ela em observação e levar a um atendimento 24h se piorasse. Não foi feito nenhum alerta claro sobre a gravidade do quadro, que na verdade requeria atendimento imediato. Enquanto trocava essas mensagens com a clínica, busquei mais informações e vi relatos preocupantes sobre intoxicações em gatos com ivermectina e, por estar bastante preocupada com o quadro dela, conversei com uma outra veterinária da minha confiança, sem relação com a clínica, que me orientou a procurar atendimento imediato em um hospital veterinário 24h, que tivesse estrutura adequada, pois poderia ser grave. Eu segui a orientação dela e levei minha gatinha imediatamente para o hospital que ela indicou, onde ela foi atendida e internada, já com quadro grave e prognóstico reservado. As medidas tomadas foram as únicas possíveis naquele momento (fluidoterapia, protetor hepático, aquecimento). Não há antídoto específico para esse tipo de intoxicação e a droga tem eliminação muito difícil do organismo, o que torna o caso ainda mais crítico. Após isso, já na internação, ela entrou em estado de prostração e nos dias seguintes em coma. Eu fiz tudo que eu pude por ela, autorizando os exames e consultas que foram recomendados, fazendo visitas em todos os horários possíveis, tentando passar amor e carinho pra ela, mas, infelizmente, após mais de uma semana internada, ela não resistiu e faleceu no dia 26/01. Além da enorme angústia dos dias de internação (que passei sozinha, pois, ao contrário do que a clínica tem afirmado, não me foi dado NENHUM tipo de apoio no processo, principalmente durante a internação dela), ainda tive (e continuo tendo) que lidar com toda a dor da perda da minha filhotinha, que era minha família e por quem eu tinha muito amor, apesar do pouco tempo que tivemos oportunidade de passar juntas. Sobre o medicamento que foi usado, depois que insisti algumas vezes por mensagem, me informaram que se tratava de Ivomec 1%. Esse produto é indicado para uso em grandes animais e é de uso por injeção subcutânea (uma via de administração bem diferente da que foi usada), conforme está claramente escrito na bula, que não relata nenhuma indicação sequer parecida com a situação em que ele foi usado no caso da minha gatinha (profilático em gato filhote). Ele não tem indicação para pequenos animais, muito menos como profilático, situação em que o benefício não compensa os riscos. Aém disso, foi informado que o volume administrado teria sido de 0,07 mL, o que resultaria em uma dose de 0,4 mg/kg. Porém, esse volume é extremamente pequeno e a seringa usada nem teria a precisão necessária para medir isso. Por isso, e também pelo quadro grave que ela apresentou, levando a óbito, tenho a forte suspeita de que tenha ocorrido um erro também de dosagem (de 0,07 para 0,7 mL, administrando uma dose 10 x maior, que seria tóxica mesmo pra animais adultos, e, no caso de filhotes, muito mais).
Sou farmacêutica e, logo que tudo ocorreu ,eu fui estudar sobre as questões de segurança relacionadas à ivermectina. Vi que há riscos de intoxicação e de efeitos adversos graves (como foi o caso) muito bem documentados, tanto em bulas e outros documentos técnicos, quanto na literatura científica. Para filhotes, como a minha gatinha, o risco é muito maior, porque a barreira hematoencefálica (que protegeria o sistema nervoso) ainda não está completamente madura, o que faz com que a droga possa chegar facilmente ao sistema nervoso, causando danos neurológicos graves e, dependendo da dose, coma e [Editado pelo Reclame Aqui], como foi o caso. Portanto, esse tipo de produto nunca deveria ter sido usado em um bichinho que estava saudável só para prevenção de parasitoses, porque o risco desse tipo de reação existe e a literatura mostra que é comum haver intoxicações por esse tipo de uso. Esses riscos foram ignorados pelos profissionais responsáveis pela escolha dos produtos usados na campanha e pela veterinária que atendeu e escolheu usar esse produto especificamente no caso dela. Não houve também supervisão adequada de forma a evitar que esse erro acontecesse. Isso caracteriza uso indevido de medicamento por pelo menos dois fatores nesse caso: uso em uma condição para a qual o prodtuo não tem indicação aprovada e/ou não tem uma relação de risco benefício comprovada, e erros relacionados a uso por via de administração inadequada. Aém disso, como já colocado, há grandes chances de ter sido dada uma dosagem incorreta, muito maior do que a intencional, o que é um erro ainda mais grave. Quando pedi as imagens das câmeras de segurança da clínica para tentar confirmar o volume administrado (pela posição do êmbolo na seringa), a clínica negou. Portanto, no momento, não posso descartar a possibilidade de erro de dose. A meu ver, a negativa só aumenta a minha suspeita pois, se não houvesse esse erro, não teriam o que esconder. Negaram também a fornecer os nomes completos dos profissionais responsáveis (principalmente da veterinária que a atendeu). Eu também pedi o prontuário ou o registro equivalente, mas foi dito que não tinham nada por ter sido campanha.
Além disso, grande parte dos veterinários que atenderam a minha gatinha depois ou que tiveram de alguma forma conhecimento do caso manifestaram claramente que esse risco é conhecido, que casos de intoxicação são comuns e que esse tipo de uso de ivermectina não é recomendado em gatos, principalmente filhotes, e que há opções mais seguras. Inclusive, a primeira pergunta que me faziam sempre era por que deram ivermectina pra ela?, e, quando eu respondia que ela estava saudável e que o produto foi dado como profilático, todos se mostravam bastante surpresos negativamente.
Importante reconhecer que a clínica se dispôs (depois de passados dias do ocorrido e dela ter falecido) a me ressarcir de gastos que tive com a internação dela, como reparação por prejuízos materiais (foi pedido para parcelar e, até agora, recebi a primeira parcela). Mesmo assim, pelo posicionamento formal que me passaram, não reconheceram adequadamente os erros dos profissionais (e a parcela de responsabilidade da própria clínica pela contratação deles e pela supervisão, incluindo da organização e execução da própria campanha), e classificaram o ocorrido como uma fatalidade, uma infelicidade que, infelizmente, pode acontecer (nas palavras que usaram, pois consideram que foi apenas um efeito adverso "raro" de um produto "seguro" e que não houve erro), o que não corresponde à realidade e me deixa bastante indignada, principalmente por ser farmacêutica e saber bem a diferença entre efeito adverso e uso indevido.
Minha gatinha era uma filhotinha meiga, carinhosa, cheia de energia e brincalhona, um serzinho totalmente inocente.. Estava saudável, e, por erros dessas pessoas que deveriam saber o que estavam fazendo, foi arrancada dela a oportunidade de continuar vivendo e de mim a oportunidade de conviver com ela. Ela nunca vai poder viver a fase adulta, nunca vai experimentar coisas diferentes, nem conhecer outros lugares. Além de tudo, ela sofreu antes de partir, e se foi nessas condições horríveis, o que me causou (e tem causado ainda) um sofrimento bastante intenso.
Por tudo isso, eu gostaria de pedir que: 1 - A clínica forneça as imagens das câmeras, como eu já havia solicitado antes, para que eu possa verificar o volume administrado, como é meu direito entender o que aconteceu (eu vou interpretar a negativa como tentativa de ocultação do erro e conivência); 2 - Que os envolvidos no atendimento dela, na compra desse produto e na disponibilização dele na campanha, além dos responsáveis por organizar a campanha que permitiram que essa pessoa (aparentemente bastante inexperiente) atendesse ela sem supervisão, sejam identificados e responsabilizados (e que eu receba evidências disso) e que a clínica também assuma sua parcela de responsabilidade. Foi tirada uma vida, que não tem menos valor por não ser humana, e o mínimo que eu espero é que levem a questão bastante a sério; 3 - Que me paguem o restante do valor que gastei com os atendimentos (preferencialmente em uma única parcela, porque, apesar de eu não ter me oposto em um primeiro momento ao pedido de parcelamento, essa demora para finalização tem prolongado o meu sofrimento.
Eu coloco aqui essa reclamação também como alerta para outras pessoas que tenham bichinhos nas suas famílias. Não quero que ninguém passe por essa dor.

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