Reclamação sobre Mau Atendimento, Falta de Atenção e Falha na Segurança em Ônibus Urbano

Não respondida
Embu - SP
09/04/2026 às 16:24
ID: 245632073
Na data de hoje, 09/04/2026, utilizei a linha 178 (Metrô Campo Limpo), no período aproximado das 11h30 às 12h05, no veículo 11.502, para um compromisso de caráter urgente. O que deveria ser apenas um trajeto comum acabou se tornando um retrato bastante preocupante da forma como o serviço está sendo prestado.
Meu bilhete especial cartão TOP venceu em 08/04/2026, e isso não ocorreu por negligência. Houve um imprevisto concreto: perdi meu RG, precisei solicitar um novo documento no Poupatempo e, posteriormente, o problema foi solucionado, pois realizei a emissão e retirada do novo RG. No entanto, o vencimento do cartão ocorreu antes mesmo de eu conseguir retirar o documento, o que impossibilitou a renovação dentro do prazo.
Além disso, no CAPES/ARTESP não há previsão de nova data para renovação, pois o agendamento acabou sendo disponibilizado no mesmo período em que eu estava dando entrada na emissão do novo RG, o que inviabilizou o comparecimento naquele momento. Ainda assim, estou fazendo o possível para conseguir a renovação o quanto antes, dentro das condições que me foram impostas.
Ou seja, não faltou tentativa faltou tempo hábil diante da burocracia do próprio sistema.
Diante dessa situação, fiz o que qualquer usuário de boa-fé faria: expliquei educadamente ao motorista, no momento do embarque, a situação excepcional e solicitei compreensão. Importante deixar claro que eu não estava estacionado na porta dianteira, mas sim posicionado próximo à catraca, aguardando orientação de forma correta.
A resposta recebida foi, no mínimo, surpreendente: fui chamado de surdo.
Sim, esse foi o nível do atendimento.
E aqui surge um contraste curioso: enquanto um passageiro que explica sua situação é tratado com desrespeito, o próprio motorista se encontrava conversando com uma passageira posicionada na porta dianteira, justamente um local onde há sinalização clara de que não é permitido permanecer.
Curioso também porque, recentemente, a empresa informou que instrutores estariam orientando os motoristas exatamente sobre essa proibição. Hoje, no entanto, foi possível observar ao vivo e sem esforço o completo oposto. Fica difícil entender se a orientação não ocorreu, não foi absorvida ou simplesmente não é levada a sério no dia a dia.
E aqui cabe um ponto essencial: a empresa não deve, em hipótese alguma, enganar o passageiro para tentar silenciar ou neutralizar a sua percepção, passando a impressão de que há controle e orientação, enquanto no dia seguinte a prática observada continua sendo exatamente a mesma.
Mesmo após a ofensa gratuita, é importante registrar que o motorista acabou permitindo minha entrada após eu justificar a situação, o que reforça que o problema não era a regra em si, mas sim a forma como fui tratado inicialmente.
Seguindo o trajeto, por volta das 11h37, na Av. Aimara (linha 078), a situação ultrapassou o campo do desconforto e entrou no território da preocupação real. Uma passageira precisou alertar o motorista duas vezes de que havia um passageiro que havia acionado a campainha e precisava descer. Logo em seguida, essa mesma passageira fez um novo alerta, chamando a atenção para o fato de que uma criança estava atravessando a rua.
O mais preocupante é que o motorista não se atentou a nenhuma dessas situações de imediato, demonstrando falta de atenção ao ambiente ao seu redor, possivelmente porque seu foco estava voltado à conversa com a passageira estacionada na porta dianteira, algo que, ao que parece, foi considerado mais relevante naquele momento do que a segurança das pessoas ao redor.
Felizmente, nada aconteceu. Mas vale o registro: a segurança não foi garantida pelo motorista, e sim pela intervenção de terceiros.
Poucos minutos depois, às 11h41, na Estrada Kizaemon Takeuti, próximo à antiga Marabraz, uma passageira desceu pela porta dianteira sem qualquer pagamento, sem qualquer tipo de abordagem ou correção.
E aí surge uma reflexão inevitável, quase didática:
A regra da porta dianteira é uma orientação ou uma sugestão?
O controle de embarque depende da situação ou da conveniência?
O respeito ao passageiro é um padrão ou um acaso?
Porque, observando os fatos, o cenário é bastante claro:
Um passageiro com justificativa legítima é tratado com desrespeito;
Uma regra amplamente divulgada não é aplicada;
Um risco real de acidente só não se concretiza por intervenção de terceiros;
E o controle de pagamento ocorre de forma, no mínimo, seletiva.
E nesse ponto, algo precisa ser dito com clareza: o respeito deve ser obrigatório, não opcional.
O direito também precisa ser igual. Se uma passageira, que não é PCD, consegue descer sem pagar pela porta dianteira, por qual motivo um passageiro PCD, com justificativa real, não pode ter o mesmo tratamento no momento do embarque?
Imprevistos acontecem. O próprio sistema de transporte não é perfeito. Documentos se perdem, processos atrasam, atendimentos demoram. Quem passa por isso sabe: a burocracia é dolorosa, desgastante e longe de ser simples. Renovar laudo, emitir novo RG, aguardar datas que não existem tudo isso faz parte de uma realidade que não pode ser ignorada.
Talvez essa compreensão só venha no dia em que alguém que hoje está no volante precise enfrentar essas mesmas dificuldades.
Outro ponto importante: o motorista precisa ter atenção e responsabilidade ao usar certas palavras. Chamar alguém de surdo de forma ofensiva, enquanto demonstra falta de atenção a sinais básicos como uma campainha ou até mesmo uma criança atravessando a rua revela uma contradição preocupante.
No fim das contas, fica uma reflexão simples e direta:
surdo é quem chama.
Outro ponto que chama atenção é que não se trata de um caso isolado. Existem relatos semelhantes, o que sugere que não estamos diante de um desvio pontual, mas possivelmente de uma falha recorrente na operação.
Diante disso, mais do que uma simples reclamação, fica um questionamento necessário: o que está sendo feito na prática para garantir que as regras e orientações realmente saiam do papel?
Porque entre informar que houve treinamento e garantir que ele seja aplicado existe uma diferença considerável e hoje, essa diferença ficou bastante evidente.
Dessa forma, torna-se essencial:
Verificar se as orientações repassadas aos motoristas estão sendo de fato seguidas;
Reforçar treinamentos com foco não apenas em regras, mas em conduta, atenção e respeito ao passageiro;
Garantir que situações excepcionais sejam tratadas com o mínimo de bom senso;
E, principalmente, assegurar que a segurança de passageiros e pedestres não dependa da sorte ou da intervenção de terceiros.
Porque, no fim, o transporte público não deveria ser um exercício de tolerância ao absurdo, nem um ambiente onde o passageiro precise escolher entre o constrangimento e o risco, mas sim um serviço baseado em respeito, coerência e dignidade para todos.