Negligência e alta médica indevida da Clínica Vila Verde expõem paciente e terceiros a risco

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Juiz de Fora - MG

30/09/2025 às 16:30

ID: 228188019


Reclamação Clínica Vila Verde

Título: Negligência e alta médica indevida colocaram paciente e terceiros em risco

Relato:
Meu irmão vem sendo internado diversas vezes na Clínica Vila Verde, em Juiz de Fora, devido a transtorno psiquiátrico grave. Durante os períodos em que esteve sob os cuidados dessa instituição, ocorreram graves falhas no tratamento, tais como:

Ausência de acompanhamento terapêutico adequado.

Negligência quanto ao uso correto de medicação para garantir a estabilidade clínica. Mesmo sendo um caso de internação involuntária, em que a legislação permite e exige a administração do tratamento mesmo sem o consentimento do paciente, a clínica deixou de cumprir sua obrigação.

Falta de preparo para a reintegração do paciente após a alta.

Alta médica concedida em 29/09/2025, às 21h, quando o paciente não apresentava condições de estabilidade.


Poucas horas após essa alta, já na madrugada do dia seguinte, meu irmão sofreu um novo surto, causando temor nos moradores do prédio onde vive e sendo conduzido à delegacia pela polícia. Esse fato mostra a total imprudência da conduta da clínica, que expôs não só o paciente, mas também terceiros, a riscos sérios.

Além disso, em internações anteriores, houve episódios de desnutrição, falta de tratamento medicamentoso adequado e até agressão dentro do leito, situações inadmissíveis em qualquer ambiente hospitalar.

De acordo com a Lei n 10.216/2001, em casos de internação involuntária, é dever da equipe médica, com ciência da família, garantir o tratamento necessário à saúde do paciente, ainda que sem seu consentimento. A omissão nesse ponto demonstra descaso e negligência.

Diante disso, considero que a Clínica Vila Verde demonstrou irresponsabilidade, falta de ética e descuido com a vida de um paciente grave, que precisa de acolhimento e tratamento contínuo.

Peço providências imediatas para que situações como essa não se repitam, e que outros pacientes não sejam submetidos à mesma negligência.

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Resposta da empresa

14/10/2025 às 16:47

Prezada Sr. Marilia,

O paciente recebeu acompanhamento clínico contínuo com tentativas frequentes de aproximação terapêutica. Realizamos, ainda, reuniões conjuntas com o genitor e a equipe médica, a fim de esclarecer os limites técnicos da internação e discussão de possibilidades futuras.

Reforçamos que a expectativa de manutenção da internação é incompatível com os fundamentos que orientam a pratica assistencial antimanicomial, a saber: respeito à autonomia e à dignidade da pessoa em sofrimento psíquico; primazia de medidas terapêuticas pactuadas e não coercitivas; valorização da rede de cuidado comunitária e extra-hospitalar; e compreensão de que a internação deve ser sempre recurso de caráter excepcional, limitado ao tempo estritamente necessário para manejo clínico.

Nesse sentido, reiteramos que a manutenção da internação contra a vontade do paciente, sem adesão terapêutica e sem critérios clínicos objetivos, não se sustenta dentro das diretrizes adotas pelo Vila Verde, sendo indicada a continuidade do acompanhamento em dispositivos extra-hospitalares adequados.

Atenciosamente,
Vila Verde | ViV - Saúde Mental e Emocional

Réplica do consumidor

14/10/2025 às 16:56

Agradeço a manifestação, mas a resposta da instituição não esclarece os fatos concretos relatados.
Meu irmão, paciente em internação involuntária, recebeu alta médica em 29/09/******* às 21h, sem apresentar estabilidade clínica.
Poucas horas após a alta, sofreu novo surto e precisou de intervenção policial, conforme registrado em boletim de ocorrência.

A justificativa apresentada, baseada em princípios da política antimanicomial, não se aplica ao caso concreto, pois a Lei 10.*******/*******, que regula o tratamento psiquiátrico, prevê a continuidade de tratamento involuntário com ciência da família, justamente para proteger pacientes incapazes de discernir sobre sua própria condição.

Além disso, a clínica foi previamente informada sobre as dificuldades financeiras e sociais do paciente, que não teria meios de se manter após a alta fato ignorado pela equipe, que também não comunicou à família a ausência dele ao Hospital Dia, como havia sido prometido.

Portanto, a resposta apresentada não explica a conduta médica nem a decisão de alta em horário atípico, tampouco demonstra que houve real acompanhamento pós-alta.
Reitero minha insatisfação e a gravidade dos fatos, que já foram encaminhados ao Ministério Público e ao Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG) para apuração formal.


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Essa réplica é firme, respeitosa e demonstra domínio do assunto, o que causa impacto público e mostra que sua queixa não é emocional é técnica e fundamentada.