O que aconteceu
Venho registrar uma reclamação formal em razão de um episódio extremamente grave envolvendo meu filho, *****, que na época tinha apenas algumas semanas de vida e é portador de cardiopatia congênita.
No dia *****, ***** passou por consulta com cardiologista na unidade Hospital da Luz Cubatão Hospital da Luz, ocasião em que foram prescritos três medicamentos: furosemida, captopril e espironolactona.
Até então, ele estava bem, sem intercorrências.
Iniciamos as medicações na quinta-feira daquela mesma semana, seguindo rigorosamente os horários e as doses constantes na receita médica.
Após a primeira dose, administrada às 08h, ele apresentou duas evacuações até aproximadamente 16h. Após a dose das 16h, apresentou mais duas evacuações. À meia-noite, foi administrada a terceira medicação, espironolactona, conforme prescrição.
Durante a madrugada, o quadro se intensificou, com evacuações cada vez mais líquidas e episódios em que ele eliminava gases acompanhados de fezes.
Na sexta-feira, a situação piorou significativamente, chegando a aproximadamente 8 a 9 fraldas com fezes em apenas um dia.
Na manhã de sábado, houve inclusive presença de sangue nas fezes. Diante da gravidade do quadro, não administrei a dose das 08h daquele dia. E fomos a emergência.
Além da alteração intestinal importante, observei que ***** ficava pálido após receber os medicamentos e excessivamente sonolento, o que me causou grande preocupação, principalmente considerando sua idade, seu baixo peso e sua cardiopatia.
Posteriormente, durante o atendimento hospitalar, fomos informados pela equipe médica de que a prescrição inicial apresentava superdosagem dos medicamentos.
Essa informação é extremamente grave.
Estamos falando de um bebê muito pequeno, com cardiopatia congênita, submetido a medicamentos que podem interferir diretamente em parâmetros como pressão arterial, volume de líquidos e função cardiovascular.
O que mais me causa preocupação é que, posteriormente, as medicações foram ajustadas para as doses consideradas corretas e, com as doses atuais, ***** não apresenta o mesmo quadro de alterações que ocorreu após o início da prescrição anterior.
Portanto, não considero razoável simplesmente atribuir o episódio a uma eventual manipulação inadequada do medicamento sem que seja realizada uma investigação técnica completa, especialmente porque a alteração ocorreu imediatamente após o início da prescrição e não se repetiu da mesma forma após a correção das doses.
O quadro evoluiu de forma importante e ***** posteriormente precisou ser internado por desidratação significativa, após apresentar quadro de diarreia/evacuações frequentes.
Diante disso, solicito formalmente que AMIL e HOSPITAL DA LUZ apurem integralmente o ocorrido, esclarecendo:
1. Qual profissional realizou a prescrição dos medicamentos em *****;
2. Qual era o peso de ***** considerado para o cálculo das doses;
3. Qual era a dose prescrita de cada medicamento e qual seria a dose adequada para o peso e condição clínica do paciente;
4. Se houve, de fato, superdosagem, qual medicamento estava acima da dose adequada e em que proporção;
5. Como ocorreu o erro de prescrição, caso confirmado;
6. Se houve comunicação formal do evento no prontuário e/ou registro como evento adverso relacionado a medicamento;
7. Quais providências foram adotadas pelo Hospital da Luz e pela Amil após a identificação do problema;
8. Se o episódio foi analisado pela equipe de segurança do paciente, auditoria ou núcleo responsável;
9. Se existe registro no prontuário da informação de que a prescrição inicial estava em dose inadequada;
10. Que seja disponibilizada cópia integral do prontuário, incluindo prescrição, evolução médica, registros de enfermagem, registros de administração dos medicamentos, intercorrências e demais documentos relacionados ao atendimento.
Também solicito esclarecimento sobre a possível relação entre a prescrição inicial e o quadro apresentado por *****, incluindo as evacuações frequentes, fezes líquidas, presença de sangue, palidez, sonolência e posterior desidratação.
Não estou buscando uma resposta genérica ou um pedido de desculpas automático.
Estou solicitando uma apuração técnica, transparente e documentada, pois se houve erro de prescrição e/ou superdosagem em um bebê cardiopata, é fundamental saber exatamente como isso ocorreu, quais foram os riscos a que meu filho foi exposto e quais medidas foram adotadas para impedir que situação semelhante aconteça novamente.
Solicito, portanto, resposta formal e individualizada da Amil e do Hospital da Luz, com a apresentação dos esclarecimentos e documentos pertinentes.
Trata-se da saúde e da segurança de um bebê que estava sob os cuidados de profissionais de saúde e que, como mãe, eu esperava que estivesse recebendo um tratamento seguro e adequado.