O que aconteceu
Gostaria de registrar minha profunda indignação com o atendimento e, principalmente, com a postura de alguns profissionais do Hospital Público Veterinário do Tatuapé.
Na madrugada de ontem, levei o cachorro da minha mãe, que está com câncer, ao hospital devido à falta de ar e dor. Ele foi colocado no oxigênio e foi colocado um acesso venoso, porém não recebeu nenhum tipo de medicação para controle da dor. Permanecemos no local aproximadamente da meia-noite até as 4h da manhã, e ele saiu de lá ainda sentindo dor. A única coisa que conseguimos realizar foi um raio-X.
Porém, nossa maior indignação foi que a PRIMEIRA fala da veterinária foi sobre eutanásia.
Nós sabemos que ele tem câncer e sabemos que a situação é delicada. Mas ele continua comendo, bebendo água, urinando, defecando e vivendo sua rotina. Ele continua sendo um animal vivo, que sente e que merece conforto, cuidado e dignidade.
A EUTANÁSIA NEM SEMPRE É A PRIMEIRA OPÇÃO.
Sabemos que existem situações em que a eutanásia pode ser indicada e respeitamos essa possibilidade quando realmente necessária. O que questionamos é a forma como ela foi apresentada: como primeira alternativa, sem uma conversa adequada sobre controle da dor, cuidados paliativos, conforto ou outras possibilidades diante da situação atual do animal.
Durante o mesmo período em que estávamos no hospital, chegou também um gatinho que havia sido atacado por um cachorro e apresentava uma lesão gravíssima no olho, aparentemente com o olho deslocado/projetado para fora. Novamente, segundo o que presenciamos, a primeira opção apresentada ao tutor foi a eutanásia, sob a alegação de que não haveria como reverter.
Não sou veterinária e não estou afirmando qual deveria ser o procedimento nesse caso. Mas tenho um cachorro que precisou passar pela remoção de um olho e, em nenhum momento, a clínica que o atendeu sugeriu eutanásia por causa disso. Ele continua vivendo normalmente e tendo qualidade de vida.
O que nos preocupa é justamente essa postura: diante de situações graves, a eutanásia parece ser apresentada rapidamente, antes de o tutor receber informações claras sobre quais procedimentos podem ser realizados, quais são as possibilidades de tratamento e como pode ser a qualidade de vida do animal.
Também fiquei extremamente indignada com um comentário feito por uma veterinária/funcionária durante o atendimento. Ela comentou que saía de casa "toda cheirosinha" para trabalhar e que chegava na clínica e saía "fedendo a cachorro fedido".
Considero esse comentário cruel, desnecessário e completamente incompatível com a profissão escolhida. Se a pessoa não gosta de animais, não suporta o cheiro deles ou se incomoda em trabalhar em um ambiente onde existem animais doentes, deveria repensar se está no lugar e na profissão certos. Quem escolhe trabalhar cuidando de animais precisa, no mínimo, ter respeito e empatia por eles e pelos tutores que chegam ao hospital desesperados, buscando ajuda.
Não estamos pedindo tratamento privilegiado. Estamos pedindo o mínimo: atendimento adequado, controle da dor, acompanhamento, informação, respeito e dignidade.
Espero que o hospital apure seriamente esses acontecimentos e reveja a conduta de seus profissionais.
ANIMAIS DOENTES OU MACHUCADOS CONTINUAM TENDO VALOR. A EUTANÁSIA NEM SEMPRE É A PRIMEIRA OPÇÃO. ANTES DELA, DEVEM SER AVALIADAS AS POSSIBILIDADES CABÍVEIS PARA TRATAMENTO, CONTROLE DA DOR, CONFORTO E QUALIDADE DE VIDA DO ANIMAL.
Nosso cachorro não é apenas o câncer que ele tem. Aquele gatinho não é apenas o olho que foi machucado. São vidas que merecem cuidado, respeito e dignidade.