O que aconteceu
Reclamação Veranice Paulos acerca do apto Marcilio dias 1500/ 112
Prezada Senhora,
Venho, por meio desta, registrar formalmente minha contestação em relação ao laudo de vistoria de saída do imóvel em que residi durante aproximadamente três anos, bem como aos valores apresentados posteriormente, que totalizam aproximadamente R$ 10.000,00.
Durante todo o período de locação, mantive uma relação respeitosa e transparente com a proprietária e com a Auxiliadora Predial, cumprindo regularmente com todas as minhas obrigações enquanto locatária. Sempre procurei zelar pelo imóvel e, inclusive, realizei diversas melhorias e adequações durante o período em que nele residi.
É importante destacar que o apartamento apresentava características bastante particulares desde o início da locação: tratava-se de um imóvel térreo, com pouca ou nenhuma incidência de luz solar direta, bastante frio e úmido, condições que naturalmente favoreceram o surgimento recorrente de mofo e umidade nas paredes. Essas características não decorreram do uso inadequado do imóvel, mas de suas próprias condições estruturais e de insolação.
Ainda assim, durante minha permanência no imóvel, realizei diversas melhorias por minha própria iniciativa, entre elas a instalação de ar-condicionado, o que exigiu adequação da instalação elétrica e a disponibilização de tomada 220V; instalação de redes de proteção; instalação de uma cozinha nova; providências para manter o chuveiro em funcionamento; além de outras melhorias e cuidados destinados a tornar o imóvel mais adequado à habitação.
Também foi instalado um box no banheiro, cuja aquisição foi custeada pela própria proprietária.
No momento da desocupação, buscando solucionar a questão de forma amigável e facilitar a entrega do imóvel, houve ainda uma negociação envolvendo os móveis que permaneciam no apartamento. A proprietária manifestou interesse em permanecer com esses itens e, diante disso, concordamos que os móveis seriam deixados no imóvel em compensação ao período correspondente ao aviso prévio. Dessa forma, os itens não foram simplesmente abandonados no imóvel, mas permaneceram nele em razão de um acordo realizado entre as partes e do interesse manifestado pela própria proprietária.
Antes da entrega das chaves, também me preocupei em deixar o apartamento em condições adequadas. Mesmo diante das condições de umidade e mofo existentes no imóvel, realizei a pintura, reparos nas paredes, limpeza geral e demais providências necessárias para a entrega do apartamento, encaminhando-o posteriormente para a vistoria.
Por esse motivo, causou-me grande surpresa o conteúdo do laudo de saída e, principalmente, a atribuição de aproximadamente R$ 10.000,00 em supostos prejuízos, incluindo itens que, a meu ver, não correspondem a danos decorrentes de mau uso e alguns que sequer deveriam ter sido considerados como responsabilidade minha.
Entre os pontos contestados estão, por exemplo:
* cobrança relacionada à retirada do box do banheiro, embora sua instalação tenha sido custeada pela própria proprietária;
* cobrança referente à retirada do ar-condicionado, cuja instalação exigiu adequação elétrica realizada durante minha permanência;
* cobrança pela retirada dos móveis que permaneceram no imóvel mediante acordo e após manifestação de interesse da própria proprietária em permanecer com eles;
* cobrança de substituição integral do piso do quarto, embora não tenham sido identificados danos que justifiquem sua substituição integral e os apontamentos apresentados sejam compatíveis com desgaste decorrente do uso normal;
* cobrança de limpeza de caixa de gordura;
* cobrança de nova pintura integral do apartamento, apesar de o imóvel ter sido efetivamente pintado e preparado por mim antes da entrega;
* além de outros itens que já foram individualmente contestados e devidamente esclarecidos.
Após receber o laudo, apresentei formalmente minhas contestações, ponto a ponto, justamente para possibilitar que os apontamentos fossem analisados à luz das condições reais do imóvel, do histórico da locação e dos acordos realizados durante a desocupação.
Entretanto, a resposta recebida posteriormente pela imobiliária foi apresentada de forma extremamente rápida e, pelo seu conteúdo, aparenta não ter considerado efetivamente os argumentos e esclarecimentos apresentados. Diversos pontos foram mantidos sem que houvesse uma análise individualizada das razões da contestação, o que dificulta qualquer tentativa de composição justa e razoável.
Reitero que não estou me eximindo de eventual responsabilidade por danos que comprovadamente tenham sido causados por uso inadequado do imóvel. O que não considero razoável é atribuir ao locatário a responsabilidade por desgaste natural decorrente de aproximadamente três anos de uso, por características próprias do imóvel, por questões relacionadas à umidade e à ausência de insolação, ou ainda por itens que foram objeto de acordo ou cuja instalação/manutenção contou com participação ou autorização da proprietária.
Ao longo de toda a locação, procurei preservar o imóvel e, inclusive, investi recursos próprios em melhorias e adequações. Na ocasião da entrega, também realizei pintura, reparos e limpeza, deixando o apartamento, dentro das possibilidades, em condições adequadas e, em diversos aspectos, em condições melhores do que aquelas encontradas no início da locação.
Diante disso, considero **improcedentes os valores cobrados que não estejam relacionados a danos efetivamente comprovados, que ultrapassem o desgaste natural decorrente do uso regular ou que estejam relacionados a itens previamente acordados entre as partes**.
Minha intenção, neste momento, é buscar uma solução diretamente com a proprietária, de forma transparente, respeitosa e amigável, preservando a boa relação construída ao longo dos três anos de locação. Para isso, solicito que sejam considerados o histórico da ocupação, as condições originais e estruturais do imóvel, as melhorias realizadas durante a locação, o estado efetivamente apresentado na entrega e, principalmente, os acordos realizados entre as partes no momento da desocupação.
Permaneço disponível para apresentar novamente registros, fotografias, comprovantes, conversas e demais documentos que possam contribuir para o esclarecimento de cada um dos pontos questionados.
Espero, portanto, que possamos revisar os valores apresentados de maneira razoável e individualizada, excluindo-se aqueles que não correspondam a danos de responsabilidade da locatária e buscando uma solução justa para ambas as partes.
Segue as fotos de comparações da caixa de gordura na entrada e saída do imóvel, estando essa todas igual, outra foto mostra as condições das paredes devido o mofo e umidade e por último, o apartamento totalmente pintado e limpo
Atenciosamente,
Veranice Teresinha Paulus