O que aconteceu
RELATO FORMAL À OUVIDORIA
À Ouvidoria da Instituição de Ensino,
Eu, *****, estudante regularmente matriculada no curso Técnico de Enfermagem, venho, por meio deste documento, relatar situações recorrentes de desrespeito, constrangimento e assédio moral que venho enfrentando no ambiente acadêmico.
Desde o início do curso, tenho notado uma resistência por parte de alguns docentes e colegas de turma frente às minhas contribuições em aula, especialmente quando busco trazer reflexões interdisciplinares, com embasamento histórico, social e filosófico, que considero fundamentais na formação de profissionais da saúde.
Um episódio específico ocorreu quando, ao abordar o tema depressão, utilizei como exemplo o contexto histórico da Segunda Guerra Mundial e a sobrecarga das mulheres no período, relacionando isso à saúde mental e à estrutura social da época. Esse comentário gerou uma reação desproporcional da turma, que alegou que eu estava falando de guerra fora do tema, quando na verdade, meu objetivo era situar a origem de determinados sofrimentos psíquicos. Sem qualquer tentativa de diálogo, a professora envolvida no episódio optou por relatar o ocorrido à coordenação sem me ouvir previamente. Posteriormente, em um momento de confraternização entre alunos, fui ironizada publicamente por um colega com a frase: Você gosta de falar de guerra, o que considero uma tentativa de humilhação.
A partir desse momento, passei a sofrer exclusão social, retaliações, ameaças verbais e constrangimentos em sala de aula. Em um dos casos mais graves, fui a única aluna retirada da sala de aula por uma professora, mesmo estando entre vários colegas que conversavam no mesmo tom de voz. Não houve advertência prévia, pedido para que eu me calasse ou qualquer diálogo. Apenas a ordem de que eu me retirasse, sem justificativa pedagógica plausível.
Além disso, venho sendo responsabilizada injustamente por problemas administrativos do curso, como atrasos no cronograma e saída de professores, sendo apontada como causadora de problemas por exercer meu direito de questionamento e transparência quanto à organização do curso como foi o caso da visita técnica ao IML, pela qual paguei, mas da qual fui excluída da lista, mesmo tendo cumprido todas as exigências.
Tais episódios vêm afetando minha saúde emocional e comprometendo meu direito ao pleno aprendizado. Ressalto que sou uma profissional da educação, com histórico acadêmico sólido, diversas graduações e experiência docente, e sempre busquei contribuir com responsabilidade, respeito e senso crítico.
Diante do exposto, solicito providências da instituição para que haja a apuração dos fatos, a garantia da minha integridade moral, psicológica e acadêmica, bem como a promoção de um ambiente pedagógico saudável, respeitoso e livre de perseguições.
Coloco-me à disposição para esclarecimentos e reafirmo meu compromisso com a ética, a formação cidadã e o respeito às diretrizes da Educação Profissional Técnica no Brasil.
Atenciosamente,
*****
[Data: 2/06/2025