O que aconteceu
Minha experiência com a psiquiatra Rosane Pereira foi extremamente negativa e impactante. Procurei atendimento psiquiátrico em um momento de vulnerabilidade, esperando encontrar respeito, escuta e orientação profissional. Em vez disso, senti-me tratada com grosseria, insensibilidade, deboche e desqualificação das minhas perguntas e percepções.
Durante a consulta, mencionei a possibilidade de realizar uma avaliação neuropsicológica, porque gostaria de compreender melhor meu funcionamento cognitivo, algumas reações e determinados comportamentos. Para minha surpresa, a médica afirmou, em síntese, que avaliação neuropsicológica seria feita para ganhar dinheiro e que não adianta de nada. Uma profissional pode perfeitamente considerar que determinado procedimento não seja indicado para um paciente, mas espero de um médico que explique tecnicamente suas razões, apresente alternativas e respeite tanto o paciente quanto o trabalho desenvolvido por outras áreas da saúde.
Essa fala me causou ainda mais estranhamento porque o atendimento ocorreu na Centro Médico Integrado Rosane Pereira, que leva o nome da própria médica e oferece uma proposta multiprofissional, contando, inclusive, com profissionais de Psicologia, Psicopedagogia e Neuropsicologia e com avaliação neuropsicológica entre seus atendimentos. Para mim, existe uma contradição difícil de compreender entre oferecer esses serviços no mesmo espaço e, durante uma consulta psiquiátrica, referir-se à avaliação neuropsicológica da maneira como ela se referiu.
O próprio ambiente do consultório também intensificou meu desconcerto. Há imagens de Jesus Cristo e referências a diferentes credos, pedras e outros elementos associados à espiritualidade, à natureza e ao equilíbrio. Essa atmosfera me transmitiu inicialmente uma expectativa de acolhimento e cuidado integral. Minha experiência durante a consulta, infelizmente, foi oposta.
Compartilhei aspectos muito íntimos da minha vida e de toda a minha trajetória de cuidados em saúde mental. Em diferentes momentos, senti minhas perguntas e colocações sendo desqualificadas e ridicularizadas. O desconforto chegou a tal ponto que perguntei diretamente se a médica estava irritada comigo. Ela respondeu não, imagina, com um sorriso que, naquele contexto, percebi como debochado.
Saí do consultório profundamente abalada. Entrei no meu carro e permaneci aproximadamente uma hora sem conseguir sair do lugar, porque não me sentia emocionalmente em condições de dirigir. Esse foi o impacto concreto que aquele atendimento teve sobre mim.
O que mais me preocupa é que estamos falando de assistência psiquiátrica. Pessoas procuram um psiquiatra justamente quando podem estar atravessando momentos de grande vulnerabilidade. Uma comunicação hostil, desqualificadora ou percebida como humilhante pode agravar o sofrimento de alguém que já chega fragilizado. Por isso, considero que respeito, responsabilidade na comunicação e escuta cuidadosa são indispensáveis nesse tipo de atendimento.
Arrependo-me profundamente de ter confiado questões tão íntimas da minha história a uma profissional diante de quem terminei me sentindo diminuída e desrespeitada. Registro esta avaliação para relatar a experiência que efetivamente vivi: entrei procurando ajuda e saí emocionalmente muito pior do que cheguei.