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Os abusos e o bullying sofridos pelos pacientes nessa clínica precisam acabar.

CENTRO DE RECUPERACAO - CENTRO VIDA ACOLHER

cidade: Porto Alegre

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O que aconteceu

Os abusos e o bullying sofridos pelos pacientes nessa clínica precisam acabar.

O problema é que muitas pessoas não têm coragem de expor o que realmente acontece dentro da clínica. Durante o período em que permaneci internado, presenciei diversas situações que considero extremamente graves e incompatíveis com um ambiente destinado ao tratamento e à recuperação de pessoas.

Não havia um monitor ou terapeuta ocupacional devidamente capacitado para conduzir as reuniões e acompanhar adequadamente os pacientes. O proprietário da clínica selecionava pacientes com mais experiência em internações e maior tempo de permanência na instituição para exercerem a função de APOIO.

Esses apoios eram responsáveis por diversas atividades dentro da casa, incluindo organização, reuniões, controle e monitoramento dos demais pacientes, de forma totalmente voluntária. Na minha percepção, muitos deles não possuíam preparo adequado para exercer essas responsabilidades.

Durante minha permanência, presenciei diariamente situações que considerei humilhantes, constrangedoras e inadequadas, como: assédio moral, importunação sexual e agressões verbais e físicas.

Presenciei, em mais de uma ocasião, situações extremamente inadequadas envolvendo um dos apoios, escolhido pelo proprietário da clínica. Esse apoio tocava de forma inadequada nas nádegas de pacientes, inclusive na presença de outros internos.

Também presenciei um episódio de agressão física envolvendo esse mesmo apoio e um paciente que estava limpando uma sala. Os dois chegaram a trocar socos, e a briga precisou ser separada por outros internos.

Após a briga, o apoio foi levado para a sala. Ele dizia estar calmo e que queria apenas fumar um cigarro no pátio. Depois de alguns minutos, permitiram que saísse.

Ao passar pelo paciente que havia acabado de agredir, pegou uma garrafa térmica que continha água fervente e a quebrou na cabeça do paciente.

Eu presenciei isso.

Não foi um comentário que ouvi depois. Não foi uma história contada por outro interno. Eu estava presente e vi o que aconteceu.

O paciente precisou ser levado imediatamente ao hospital.

O que mais me impressionou foi que, durante minha permanência na clínica, não presenciei qualquer medida disciplinar efetiva contra esse apoio. Porém, o paciente que foi agredido, quando retornou do hospital, foi contido/amarrado em uma maca na enfermaria durante 4 dias.

E aqui também entra a responsabilidade da coordenação.

Uma situação dessa gravidade, ocorrida dentro de uma clínica e envolvendo pacientes em tratamento, deveria ter provocado uma resposta imediata, firme e proporcional. O que não aconteceu.

Também presenciei situações em que pacientes com dificuldades motoras eram humilhados diante dos demais internos.

Quando entrei na clínica, éramos aproximadamente 20 internos. Cerca de três meses depois, esse número havia aumentado para aproximadamente 45. Na minha percepção, o aumento expressivo da quantidade de pacientes não foi acompanhado por uma estrutura proporcional para acomodá-los adequadamente.

Em determinado momento, o proprietário da clínica determinou que os apoios liberassem suas camas para outros pacientes e passassem a dormir na sala, em sofás ou em colchões colocados no chão.

Considerei essa situação extremamente inadequada, principalmente porque esses apoios também eram pacientes em tratamento.

A carga de estresse sobre esses pacientes, inclusive em razão das noites mal dormidas e das responsabilidades que lhes eram atribuídas, era muito grande.

Também presenciei, várias vezes, um dos apoios apertar o peito de pacientes que estavam acima do peso e fazer comentários de natureza maliciosa, diante dos demais pacientes. Considerei esse comportamento constrangedor e completamente inadequado.

Com o aumento do número de internos, começaram a faltar pratos, talheres e lugares para sentar durante as refeições.

Ficou claro que a preocupação com a quantidade de pacientes e com a redução de custos estava acima da qualidade da estrutura oferecida para o tratamento.

Também considero que havia sérias deficiências na condução das atividades terapêuticas e no acompanhamento dos pacientes por profissionais qualificados. Na minha experiência, os atendimentos da psiquiatra e da psicóloga eram as exceções nesse aspecto.

Hesitei bastante antes escrever esse relato. Mas deixei amigos nessa clínica. Pessoas que continuam enfrentando seus próprios problemas e que, assim como eu, procuraram esse lugar acreditando que encontrariam tratamento e proteção. Senti que tinha a obrigação de relatar o que vivi.

Se uma clínica se propõe a tratar pessoas, precisa colocar a dignidade e a segurança dos pacientes acima de qualquer outra preocupação.

O que presenciei não deveria ser tratado como algo normal.

Pacientes não deveriam ter medo de outros pacientes.

Pacientes não deveriam ser humilhados.

Pacientes não deveriam ser agredidos.

E, principalmente, pacientes em tratamento não deveriam ser colocados em situações que possam gerar ainda mais traumas.

Espero sinceramente que este relato sirva para que os responsáveis tomem providências e que situações como essas não continuem acontecendo com pessoas que estão justamente em um momento de fragilidade e procuram uma clínica para receber tratamento, acolhimento e proteção.

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