Quando o ensino é forte, mas a humanidade é fraca!

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Brasília - DF
25/02/2026 às 14:36
ID: 241661403
Quando o ensino é forte, mas a humanidade é fraca
Escrevo esse relato com o coração apertado. Não é por raiva, é por tristeza mesmo.
Minha filha completou 15 anos. Quem é pai sabe o peso que essa data tem. Não é só mais um aniversário é um marco na vida dela e na nossa também. Eu quis fazer algo simples, mas especial: enviei um buquê com 15 flores e uma cesta de chocolates para que fosse entregue em sala de aula, para que ela pudesse dividir com as amigas e viver um momento de alegria ali, no ambiente onde passa boa parte dos dias.
Antes, perguntei à escola se poderiam fazer a entrega na sala. Confirmaram que sim. Fui pessoalmente até a secretaria. Havia três pessoas no atendimento; conversamos com todas. Perguntaram se eu queria entregar pessoalmente ou se preferia que eles entregassem. Pedi que entregassem, imaginando que ela poderia ficar acanhada se eu aparecesse de surpresa. Disseram que fariam a entrega antes do fim da aula. Perguntamos se poderiam tirar uma foto. Disseram que sim. Parecia algo simples, combinado e resolvido.
Quando deu 12h52, minha filha me ligou perguntando se eu já estava indo buscá-la. Perguntei como tinha sido a surpresa. A resposta foi:
Estou indo na secretaria, disseram que tem algo pra mim lá.
Naquele momento eu entendi.
Não entregaram em sala. Pediram para que ela fosse até a recepção depois da aula. Não houve surpresa. Não houve o momento. Não houve o significado que tinha sido combinado.
Pode parecer algo pequeno para quem lê de fora. Mas para um pai, não é. O que mais doeu não foi simplesmente não terem feito. Foi terem confirmado que fariam inclusive por WhatsApp e pessoalmente. Foi a quebra da palavra. Foi a sensação de que aquilo era só mais um procedimento, mais um protocolo, mais um número.
Minha filha faz 15 anos uma única vez. A escola terá centenas de alunos ao longo dos anos.
Educação não é só conteúdo. Educação também é sensibilidade. É enxergar o aluno como pessoa, não apenas como matrícula.
Depois ouvi que é política da escola. O que causa estranheza é que houve confirmação prévia. O que fica é uma sensação de frieza e falta de cuidado com algo que, para nós, tinha significado.
Tenho percebido que alguns alunos estão indo para outras instituições, como o Único inclusive amigas da minha filha foram, e nós optamos por permanecer. Não necessariamente por falta de qualidade acadêmica aqui, mas pela busca de algo que vá além do conteúdo: humanidade. Existem escolas igualmente fortes que conseguem manter disciplina e excelência sem abrir mão da empatia.
A parte pedagógica forma alunos.
A parte humana forma pessoas.
E quando a dimensão humana falha, até a excelência acadêmica perde um pouco do brilho.
Não escrevo para atacar ninguém. Escrevo porque acredito que a escola pode ser melhor. Pequenos gestos constroem memórias que ficam para sempre muito mais do que qualquer prova ou boletim.
Pergunto aos responsáveis pela escola secretárias, diretores, proprietários vocês têm filhos? Conseguem, por um instante, se colocar no meu lugar? Não é um ataque. É um pedido sincero de reflexão.
Fica aqui o desabafo de um pai que só queria ver a filha sorrir diante das amigas em um dia muito especial para ela. Uma data única!