O que aconteceu
Escrevo este relato como mãe de um paciente que foi internado nessa comunidade terapêutica acreditando que receberia um tratamento digno, humanizado e baseado em acompanhamento profissional.
Infelizmente, essa não foi a experiência vivida pela nossa família.
Ao longo da permanência do meu filho na instituição, passei a observar um progressivo afastamento da família. Em vez de perceber um trabalho para reconstruir os vínculos familiares, vi meu filho se distanciar cada vez mais de nós, reproduzindo a ideia de que a família era a causa dos seus problemas. Como mãe, vivi um sofrimento profundo ao perder completamente o diálogo com meu próprio filho.
Também me preocupei ao perceber que ele passou a exercer jornadas muito extensas de atividades dentro da comunidade, permanecendo por longos períodos à disposição da instituição. Segundo ele me relatou, chegou a trabalhar mais de 14 horas por dia, permaneceu vários dias seguidos dormindo na comunidade, foi acionado durante a madrugada para procurar pacientes que haviam fugido e utilizou seu veículo particular em atividades relacionadas à comunidade.
Meu filho também me relatou um episódio em que precisou dormir por três noites seguidas no chão da capela, sem colchão, travesseiro ou cobertor, em pleno inverno, por falta de acomodação. Como mãe, foi extremamente doloroso ouvir isso de alguém que deveria estar sendo cuidado e protegido.
Outra preocupação constante era o medo que ele demonstrava de contrariar as orientações recebidas. Pela forma como descrevia a rotina, tive a percepção de que acreditava que precisava suportar sofrimento e privações para merecer sua recuperação, o que me causou grande angústia.
Quando procurei dialogar com a direção da instituição para compreender melhor o tratamento e expressar minhas preocupações, não encontrei acolhimento. Ao contrário, senti que fui desrespeitada, silenciada e afastada de qualquer participação no processo terapêutico.
Saio dessa experiência com a convicção de que a nossa família não recebeu o cuidado, a transparência e o respeito que esperava ao confiar a essa instituição a recuperação de um ente querido.
Compartilho este relato para que outras famílias pesquisem profundamente, façam perguntas, conversem com ex-pacientes e avaliem cuidadosamente o modelo de tratamento antes de tomar uma decisão tão importante.
Este é o relato fiel da experiência vivida pela minha família e espero que a instituição apresente seus esclarecimentos.