Não respondida

Alerta sobre venda de credenciais e registros por entidades privadas de psicanálise

conselho federal de psicologia

cidade: Palmas

O que aconteceu

Venho por meio desta expor e alertar o público sobre o modelo de negócios praticado por entidades ditas "Conselhos" (como CBPC, CNBPI e congêneres), que vendem credenciais, números de registro e selos de "reconhecimento nacional e internacional" para a prática da psicanálise.

Trata-se de uma verdadeira engrenagem mercantilista fundamentada em [Editado pelo Reclame Aqui], indução do consumidor ao erro e mimetismo institucional.

1. [Editado pelo Reclame Aqui] Autoridade e Mimetismo Institucional

Inexistência de chancela pública: No Brasil, não existe um "Conselho Federal de Psicanálise" criado por lei federal. As entidades em questão são empresas ou associações privadas, sem qualquer poder autárquico ou fiscalizador de Estado (diferente do Conselho Federal de Medicina ou de Psicologia).

Zero valor legal: As "carteirinhas profissionais" e os "números de registro" vendidos possuem o mesmo valor jurídico de um cartão de fidelidade. A anuidade cobrada não possui respaldo legal; ninguém é obrigado a se filiar a uma associação privada para exercer a psicanálise no Brasil.

Capitalismo de Selos: A comercialização de pacotes (com valores entre R$ 299,90 e R$ 499,90) prometendo "IA para terapeutas", "modelos de laudos editáveis" e "aulas de marketing para captar pacientes" escancara que a prioridade dessas instituições é o faturamento comercial, e não a ética científica ou a saúde mental.

2. Sucateamento da Formação e Risco à Saúde Pública

Violação do Tripé Psicanalítico: Conceder "registro e credenciamento" para alunos egressos de cursos de poucas horas (como 200h) fere frontalmente a tradição freudiana, baseada no tripé inegociável: Análise Pessoal, Supervisão e Estudos Teóricos Contínuos.

Hipocrisia da "Não Regulamentação": Essas entidades costumam alegar que a psicanálise é "livre" de intervenções estatais para justificar a ausência de leis sobre a profissão. No entanto, inventam uma regulamentação privada e paralela para si mesmas, vendendo a estética da profissão regulamentada para leigos e recém-formados.

3. Contradição com o Cenário Internacional

Em países sérios onde a psicoterapia e a psicanálise são regulamentadas pelo Estado, o uso do título profissional é restrito a profissionais graduados com anos de especialização rigorosa e fiscalização por órgãos de saúde pública e não por venda de assinaturas virtuais em carrinho de compras:

Áustria: Regida por lei federal (Psychotherapiegesetz), com registro direto no Ministério da Saúde.

Alemanha: Prática restrita à aprovação em exames estatais (PsychThG / Heilpraktiker).

França e Itália: Título reservado a médicos e psicólogos com pós-graduação e estágios clínicos universitários.

Argentina: Prática vinculada aos Colégios de Psicólogos e Ministérios da Saúde provinciais.

Pedido / Conclusão:

Solicito esclarecimentos públicos sobre as chancelas estatais que estas entidades afirmam possuir e exijo a interrupção da venda de insígnias e credenciais que induzem os estudantes e a população ao erro, simulando um suporte jurídico e uma autoridade regulatória de Estado que não possuem.

A autoridade de quem escuta a dor humana não se compra em parcelas de cartão de crédito. Fica o alerta a todos os estudantes de psicanálise e potenciais pacientes.